Na Argentina, descoberta de antigo crânio deformado intriga especialistas
Aventuras Na História

Um crânio de formato incomum descoberto durante uma escavação em San Fernando, na província de Catamarca, Argentina, tem intrigado arqueólogos e alimentado especulações sobre sua origem.
O achado foi feito por trabalhadores da construção civil que realizavam obras de instalação de rede de água potável, e logo chamou a atenção pela forma extremamente alongada da estrutura craniana — lembrando, segundo alguns, personagens extraterrestres do cinema ou figuras mitológicas.
O crânio estava em uma das duas urnas funerárias desenterradas no local. Uma das urnas continha um esqueleto completo; a outra, apenas fragmentos ósseos, incluindo o crânio que causou espanto. Ambos os conjuntos de restos mortais foram enviados para análise por especialistas da Universidade Nacional de Catamarca.
Apesar do visual que remete à ficção científica — com comparações feitas a alienígenas do filme 'Marte Ataca!' e até aos “homens-formiga” da mitologia grega — pesquisadores apontam uma explicação plausível e histórica: a deformação craniana artificial.
Contexto cultural
Essa prática, comum entre culturas sul-americanas antigas como os povos Ciénaga e Aguada (que viveram entre os séculos 3 e 12 d.C.), consistia em moldar o crânio de bebês com o uso de faixas ou tábuas, quando os ossos ainda eram maleáveis. O objetivo variava entre estética, identidade étnica e status social.
“Essa modificação era feita por vários motivos e era bastante difundida na América do Sul pré-colombiana”, explica ao Daily Mail Rick Schulting, professor de arqueologia pré-histórica da Universidade de Oxford. A prática, segundo ele, não causava danos comprovados à criança.
A Dra. Heidi Dawson-Hobbis, da Universidade de Winchester, avalia ao Mail que o crânio pode pertencer a um jovem e levanta a hipótese de hidrocefalia como alternativa, embora ressalte que a análise definitiva só poderá ser feita com mais exames.
As autoridades locais isolaram o local da descoberta e iniciaram trabalhos de conservação. Em nota, a Universidade Nacional de Catamarca destacou:
Interpretar essas descobertas nos permite aprofundar nossa conexão com os antepassados. Ao respeitar essas práticas culturais, honramos suas memórias e fortalecemos nossa compreensão da experiência humana compartilhada.”
O estado do segundo crânio ainda não foi divulgado, e análises estão em andamento.
