Clarice Lispector deixou texto inédito só para família antes de morrer, revela neta

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A Estação da Luz, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, recebe a exposição "Projeto Centenários – Clarice Lispector", uma homenagem à icônica escritora brasileira. A mostra transforma o espaço com adesivos espalhados por paredes, catracas, pilastras e até em um vagão do trem, trazendo frases, manuscritos e imagens da autora.
A exposição conta com a colaboração de Mariana Valente, neta de Clarice, que ajudou na curadoria e montagem das peças exibidas. Seu trabalho buscou transmitir visualmente a essência da obra de sua avó, permitindo ao público uma imersão profunda no universo literário da escritora.
“O processo foi todo muito analógico e manual, então houve muita liberdade envolvida", contou em entrevista a Marie Claire. Segundo ela, o conceito era que essas frases acompanhassem os passageiros na estação em suas jornadas de trabalho ou nas voltas para casa.
Clarice Lispector morreu em 1977, um dia antes de completar 57 anos. Dez anos depois, nasceu Mariana, que vê esse “desencontro” como um “encontro de outra ordem”. “Acho que, desde pequena, venho entendendo o que é ser neta da Clarice”, refletiu a carioca.
Texto exclusivo
Ela costuma chamar de “bruxaria Clariciana” algumas coincidências que cercam a memória da avó desde sua morte. Entre essas conexões inesperadas, a artista destacou um episódio marcante ao ilustrar "A Mulher que Matou os Peixes", primeiro livro infantil de Clarice em que trabalhou.
“Quando eu estava finalizando o projeto, meu pai encontrou a primeira edição publicada, com um autógrafo dela. Nele, ela escreveu: ‘Para meus filhos e meus netos, sua Clarice’. Mas, na época, meus pais nem pensavam em ter filhos.”
Ela também contou que a avó deixou um texto exclusivo para a família antes de falecer. No documento, até então desconhecido do público, Clarice escreveu que, após sua morte, “voltaria como uma esperança verde, como o bicho mesmo”. Para a neta, esse presságio se manifestou de forma inexplicável ao longo dos anos.
“Por exemplo, meu pai estava no hospital, prestes a operar, e na porta do quarto dele apareceu uma esperança verde enorme. Isso não é normal, não tinha insetos soltos nos hospitais. Então, tem umas coisas que são inexplicáveis.”


