Filme conta com IA para trazer Val Kilmer de 'volta à vida'
Aventuras Na História

O ator Val Kilmer foi escalado para viver o sacerdote católico e espiritualista, padre Fintan, no filme “As Deep as the Grave”, mas devido a problemas de saúde não conseguiu gravar o filme e os produtores decidiram usar inteligência artificial, segundo a revista Variety. Kilmer falaeceu em abril do ano passado.
A filha do ator, Mercedes Kilmer, declarou apoio ao uso de inteligência artificial para incluir seu pai no filme, alegando que ele sempre olhou para tecnologias emergentes com otimismo e como ferramenta para expandir as possibilidades de contar histórias. “Esse espírito é algo que todos nós estamos honrando neste filme específico, do qual ele foi parte integral”, afirmou em comunicado.
Coerte Voorhees, roteirista e diretor do filme, revelou que Kilmer era o ator que ele queria para interpretar o personagem, que foi desenhado em torno dele e está ligado à história pessoal do ator. “Tinha a ver com a herança indígena dele e com seus laços e amor pelo Sudoeste. Eu estava olhando uma ordem de filmagem outro dia, estava pronto para gravar. Ele estava passando por um momento médico muito, muito difícil, e não conseguiu”
O roteirista ainda afirmou que, mesmo sem nenhuma cena gravada, a produção decidiu manter o ator e usar IA para incluí-lo no projeto. Ele contou que a família do ator externou o quanto achava o filme importante, que Kilmer realmente queria fazer parte dele e que isso foi o apoio necessário para dizer: “Ok, vamos fazer. Apesar de algumas pessoas poderem chamar de controverso, era isso que Val queria”.
Além disso, o irmão do diretor e produtor, John Voorhees, afirmou que o personagem tinha condições de saúde similares às do ator. O personagem sofre de tuberculose, se espelhando na condição real de Kilmer quando ele sofria de câncer na garganta.
A trama
O filme, que conta com Abigail Lawrie e Tom Felton, se baseia em uma história real dos arqueólogos Ann e Earl Morris. “As Deep as the Grave” vai acompanhar as escavações no Canyon de Chelly no Arizona, tentando rastrear a história do povo navajo, segundo o UOL.
A versão de Kilmer, gerada por IA, vai aparecer em uma parte significativa do filme.
Essa produção independente foi afetada pelas paralisações na pandemia e levou seis anos para ser realizada. Por falta de orçamento e tempo, cenas do padre foram cortadas, mas a equipe decidiu que precisava recolocá-las.
Os irmãos reconhecem que o uso de IA para representar um ator morto pode gerar críticas, mas relatam que buscaram um caminho ético.
Além disso, o ator, em vida, já havia usado a inteligência artificial para sua voz, ao voltar como Iceman em “Top Gun: Maverick”. “Como seres humanos, a capacidade de se comunicar é o núcleo da nossa existência, e os efeitos colaterais do câncer de garganta tornaram difícil para os outros me entenderem. A chance de narrar minha história, em uma voz que parece autêntica e familiar, é um presente incrivelmente especial”, disse o ator na época.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli
