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Oscar: Os momentos mais icônicos da história da premiação
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Oscar: Os momentos mais icônicos da história da premiação

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Aventuras Na História
15/03/2026 15h00
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Neste domingo, 15 de março, acontece a 98.ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, ou, como todos conhecem, o Oscar. A premiação, que acontece no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia, premia os melhores atores, técnicos e filmes de 2025.

Com recorde de indicações para o Brasil no Oscar, “O Agente Secreto” pode fazer história ao garantir mais uma estatueta para a indústria nacional na maior premiação do cinema do mundo. Embora produções brasileiras já tenham sido indicadas para diversas edições, só conquistamos nosso primeiro troféu no ano passado, quando “Ainda Estou Aqui” levou o Melhor Filme Internacional.

Além da noite histórica que podemos presenciar neste final de semana, a cerimônia do Oscar já foi palco de momentos inesquecíveis, bizarros e que com certeza ficarão marcados para sempre. Lemebre os espisódios mais icônicos da premiação.

1. ‘E o Vento Levou’ e Hattie McDaniel

A 12ª edição do Oscar foi marcada pela primeira vez em que a categoria Melhores Efeitos Visuais foi distribuída. A cerimônia também reconheceu Judy Garland com o Oscar Juvenil por seu clássico papel em “O Mágico de Oz”

Mas o grande destaque ficou com “E o Vento Levou”, que garantiu 8 estatuetas naquela edição, incluindo o de Melhor Atriz Coadjuvante para Hattie McDaniel — tornando-a primeira negra a vencer o Oscar, mas não completamente o preconceito na indústria. 

Nascida no Kansas, em 10 de junho de 1985, McDaniel foi a 13ª filha do casal de escravizados libertos Susan Holbert e Henry McDaniel, que fora veterano da Guerra Civil. Desde muito nova, Hattie já demonstrava seu talento artístico, seja no teatro, em menestréis ou como vocalista de uma banda de jazz. 

Hattie McDaniel em 1941
Hattie McDaniel em 1941 – Wikimedia Commons

Na estreia do filme, em 15 de dezembro de 1939, cerca de 300.000 pessoas se reuniram no teatro Loew’s Grand Theatre, em Atlanta. A cidade parou por três dias para festejar glamourosamente a produção. Menos McDaniel que, por conta da lei segregacionista ‘Jim Crow‘, foi impedida de participar.

Na noite da cerimônia do Oscar, não recebeu um tratamento tão diferente assim. A boate Coconut Grove, onde a cerimônia foi realizada, fazia parte do Hotel Ambassador, que era exclusivo para brancos. A atriz só participou do evento, sendo a única negra por lá, por conta da influência do produtor David O. Selznick

McDaniel foi conduzida a uma pequena mesa encostada numa parede ao fundo do salão, sem a permissão para se sentar com os outros membros do elenco, que eram todos brancos. Nenhum outro ator negro ganharia um Oscar novamente até duas décadas depois, em 1963, quando Sidney Poitier ganhou o prêmio de Melhor Ator.

Em 1947, McDaniel se defendeu publicamente em um artigo de opinião publicado no The Hollywood Reporter: “Prefiro interpretar uma empregada doméstica do que ser uma empregada doméstica”.


2. A recusa de Marlon Brando

Em 27 de março de 1973 aconteceu a 45ª edição do Oscar. Aquela se tornou a primeira vez que todos os vencedores foram chamados ao palco no final da cerimônia — como aconteceu com Charlie Chaplin, que conquistou sua única estatueta competitiva por Melhor Trilha-Sonora Original pelo filme “Luzes da Ribalta”

Mas o ponto alto da noite foi a não presença de Marlon Brando. Vencedor do prêmio de Melhor Ator por seu papel lendário como Vito Corleone em “O Poderoso Chefão”, Brando recusou o prêmio e sequer subiu no palco, mandando em seu lugar a ativista indígena Sacheen Littlefeather.

Ele lamentavelmente não pode aceitar este prêmio tão generoso”, disse Littlefeather em discurso que foi televisionado para mais de 85 milhões de pessoas.

A recusa de Marlon Brando foi uma maneira de protestar contra a deturpação que a indústria cinematográfica de Hollywood fez dos povos nativos americanos. 

Sacheen Littlefeather discursando no lugar de Marlon Brando, no Oscar de 1973
Sacheen Littlefeather discursando no lugar de Marlon Brando, no Oscar de 1973 – Reprodução/Vídeo/Oscar

O protesto não se resumia à falta de atores indígenas nos filmes, mas também a forma como eles eram representados: muitas vezes como vilões em filmes de western; ou então como burros, arrogantes, bêbados ou trapaceiros.

A mensagem proferida por Littlefeather foi o primeiro discurso abertamente político transmitido no Oscar e provocou reações mistas, com vaias e aplausos sendo alternados pela plateia. O escândalo foi tamanho que ela precisou sair do palco sendo escoltada por dois seguranças. 

Após o episódio, Sacheen passou a ser desprezada pela indústria, sendo vítima de campanhas de difamação que questionavam sua identidade indígena e até mesmo suas motivações pessoais para o ato — como alegações de que ela seria amante de Marlon Brando

A Academia só emitiu um pedido formal de desculpas quase cinco décadas depois, numa carta divulgada em agosto de 2022, dizendo que os abusos que a atriz sofreu foram “injustificados”.

Nós, indígenas, somos pessoas muito pacientes — foram apenas 50 anos [de espera]!”, rebateu a atriz na época. Sacheen Littlefeather faleceu algumas semanas depois, no dia 2 de outubro, aos 75 anos.


3. A invasão do homem nu

A cerimônia do Oscar de 1974 acontecia dentro de sua naturalidade: aplausos a cada apresentação, estrelas de cinema glamourosas, sorrisos resplandecentes. Mas tudo mudou quando o ator David Niven convidou a atriz Elizabeth Taylor para o palco para revelar o vencedor na categoria de Melhor Filme.

O prêmio de melhor filme nunca é provável, e agora divulgar o conteúdo do envelope mais importante deste ano é uma pessoa muito importante para o mundo do entretenimento…”, disse Niven

A câmera estava focada no apresentador e o público reagiu com gritos de espanto quando repararam um homem branco nu saindo da lateral do palco e passando rapidamente por trás do apresentador. O invasor fez apenas um sinal de paz e amor com a mão esquerda. Niven só compreendeu o que estava acontecendo quando fintou com os olhos o traseiro do penetra deixando o palco. 

Não é fascinante pensar que a única risada que aquele homem vai provocar em sua vida é por tirar as roupas e mostrar suas bagatelas?”, reagiu o ator de forma rápida. 

 

O invasor do palco do Oscar tratava-se de Robert Opel, ativista e fotógrafo. Com 35 anos na época, ele havia atuado como escritor de discursos para o conservador Ronald Reagan, do Partido Republicano. Mas em 1974, ele já havia mudado seu posicionamento político e trabalhava como fotógrafo para a revista LGBT “The advocate”

Opel ainda seria responsável por abrir a primeira galeria de arte voltada para o público gay de São Francisco: a Fey Way Studios, que se tornou referência para obras homoeróticas e símbolo dos direitos LGBTQ na Califórnia. 

Opel também chamou a atenção por protestar contra a morte de Harvey Millk, o primeiro político abertamente gay a ser eleito para um cargo público no estado. Millk foi assassinado com cinco tiros em novembro de 1978 e seu assassino absolvido da acusação de homicídio doloso, sendo condenado a sete anos de prisão por homicídio culposo.

A sentença motivou uma onda de revoltas pela cidade, o que levou Robert a criar a performance chamada “A execução satírica de Dan White”. Dois dias depois da apresentação, em 7 de julho de 1979, ele estava na galeria quando foi abordado e rendido por invasores — que posteriormente também abordaram a namorada de Opel, Camile O’Grady, e o seu ex-namorado, Anthony. Os criminosos buscavam dinheiro pelo local e como não encontraram o que procuravam, Robert Opel acabou sendo executado.


4. O vestido de Björk

Na noite da 73.ª edição do Oscar, em 25 de março de 2001, que consagrou Gladiador com cinco estatuetas: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Som; quem chamou atenção foi a cantora islandesa Björk

Durante o tapete vermelho, a artista, indicada por Melhor Canção Original (“I’ve Seen It All” de “Dançando no escuro”), apareceu usando um vestido que lembrava um cisne.

Provavelmente uma das coisas mais estúpidas que já vi”, disse o especialista em moda Steven Cojocaru

Curiosamente, o vestido se tornou uma das peças mais icônicas já usadas na história do Oscar. Além do vestido que lembrava um cisne que envolvia seu pescoço e descansava em seu peito, Björk usava uma meia de corpo incrustada de cristais e uma saia de tule branca.

O design havia sido feito pelo estilista macedônio Marjan Pejoski — que não sabia que ela iria usar a peça no Oscar. Para completar o figurino extravagante, a artista carregava uma bolsa em formato de ovo. 

Na manhã seguinte ela enfrentou uma enxurrada de críticos, que não tiveram pena dela. Björk foi ridicularizada e a peça imediatamente foi colocada em listas de “piores vestidos”.

Em 2001, Pejoski foi entrevistado pela Vogue e falou sobre a peça que desenhou: “Nem todo mundo entende meu estilo. Mas não me importo com publicidade ruim. Se você é um artista, não espera que todos amem o que você faz. E de qualquer forma, eu amo que tenha havido tal problema.”

Embora na época reinasse o conservadorismo da moda entre os artistas, com o passar do tempo o vestido foi ganhando um entendimento maior, superando as piadas e se tornando um ícone da moda. Afinal, todos lembrar de como Björk estava vestida naquela ocasião. 

O vestido de cisne de Björk foi reimaginado pela Valentino em seu desfile de Alta Costura Primavera 2014 na Semana de Moda de Paris; no ano seguinte, ele foi exibido como parte do show da cantora no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa). Já em 2019, foi incluído na exposição The Met’s Camp: Notes On Fashion do Metropolitan Museum of Art, em Nova York. 

A explicação para Björk usar o vestido é a mais simples possível: ela apenas queria usá-lo, pois combinava com sua persona de visual extravagante. “Eu não assisto muitos filmes de Hollywood, e sendo da Islândia, é bem acidental o que acontece lá”, explicou.


5. O Melhor Filme para La La Land / Moonlight

A 89.ª cerimônia de entrega do Oscar aconteceu em 26 de fevereiro de 2017, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia. A edição foi marcada por um erro inédito: a entrega errada de uma estatueta

Para tornar a situação ainda mais constrangedora, o equívoco ocorreu logo na principal categoria da premiação, a entrega de Melhor Filme. O prêmio foi de “Moonlight: Sob a luz do luar” — o primeiro filme com elenco majoritariamente negro e temática LGBTQIA+ a ganhar a principal categoria —, mas o anúncio foi feito como se “La La Land: Cantando estações” fosse o vitorioso.

Tudo começou quando o apresentador Warren Beatty abre o envelope com o nome do vencedor. Enquanto isso, a também apresentadora Faye Dunaway aguarda para saber o nome.

Acontece que haviam entregue o envelope errado para Beatty. Ele recebeu um escrito “Emma Stone – ‘La La Land'”, que era sobre a premiação para Melhor Atriz. Sem entender o que estava acontecendo, o apresentador olha para as laterais do palco em busca de uma explicação e hesita em ler o nome. 

Dunaway, porém, pensa que seu colega estivesse apenas fazendo um drama como brincadeira. “Você é impossível”, ela diz, rindo. Faye insiste para que Beatty se apresse e ela mostra o cartão para a atriz, que anuncia: “La La Land”.

Eu quero contar o que aconteceu. Abri o envelope e dizia ‘Emma Stone, La la land’. Por isso que eu dei uma olhada tão demorada a Faye e a você. Eu não estava tentando ser engraçado”, se explicou o apresentador depois.

Com o anúncio, a equipe de “La La Land” começa a subir ao palco para agradecer. Primeiro discursa o produtor Jordan Horowitz, seguido pelo também produtor Marc Platt. Enquanto o segundo agradece, porém, uma movimentação começa no fundo do palco, até que uma pessoa da equipe de produção do Oscar confere o envelope na mão de Horowitz e percebe o erro. 

Foi só durante o discurso do terceiro produtor de “La La Land”, Fred Berger, que tudo é esclarecido. “Nós perdemos, aliás”, diz Berger após terminar seu discurso.

Caras, caras. Não. Sinto muito. Há um erro. ‘Moonlight’, vocês ganharam como melhor filme. Isso não é uma brincadeira”, exclama Horowitz, oferecendo a estatueta que estava em mãos.


6. O tapa de Will Smith

O Oscar de 2022 teve um protagonista: Will Smith. E não só por sua conquista do prêmio de Melhor Ator, por seu papel em “King Richard: Criando Campeãs”, mas por uma das maiores polêmicas da história da Academia. Afinal, naquele 27 de março de 2022, ele agrediu o apresentador Chris Rock.

Tudo aconteceu após o comediante, que apresentava o prêmio de melhor documentário, fazer uma “piada” de mau gosto com a atriz Jada Pinkett Smith, que é companheira de Will. Na ocasião, Rock disse que mal poderia esperar para ver Jada estrelar “G.I. Jane 2”.

Acontece que Jada sofre com alopecia, uma doença que causa queda de cabelo. Em “G.I. Jane” (ou “Até o limite da honra”, título brasileiro, a atriz Demi Moore teve que raspar os cabelos e ficar careca para dar vida a uma tenente.

Logo em seguida, a transmissão mostra a reação do casal. Enquanto Will dá um sorriso discreto e curto, Jada mostra claros sinais de desagrado. “É… essa foi… foi uma boa! OK”, diz Rock enquanto vê Will se aproximar.

Will Smith acabou comigo”.

 


Ao voltar ao seu lugar, Will começar a gritar com o apresentador: “Deixe o nome da minha mulher fora da p**** da sua boca”. Por tão surreal que o episódio foi, muitas pessoas pensaram, num primeiro momento, que se tratava de uma armação.

Will ainda voltaria ao palco para receber o prêmio de Melhor Ator. Em seu discurso, visivelmente emocionado, ele se desculpou com a Academia, ma sem citar a agressão.

“Denzel [Washington] me disse alguns minutos atrás: ‘No seu momento mais alto, tenha cuidado, é quando o diabo vem para você’. Eu quero ser um receptáculo para o amor. Quero agradecer a Vênus e Serena e toda a família Williams por me confiar sua história”.

“Isso é o que eu quero fazer. Eu quero ser um embaixador desse tipo de amor, cuidado e preocupação. Quero me desculpar com a Academia, quero me desculpar com todos os meus colegas indicados. Este é um momento lindo e não estou chorando por ganhar um prêmio. Não se trata de ganhar um prêmio para mim; é sobre ser capaz de iluminar todas as pessoas”.


 

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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