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Fizeram história! Relembre todas as Helenas de Manoel Carlos
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Fizeram história! Relembre todas as Helenas de Manoel Carlos

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Bons Fluidos
11/01/2026 00h36
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Os diálogos intensos, os conflitos familiares cheios de nuances e as emoções ditas sem atalhos transformaram Manoel Carlos em um dos maiores nomes da história da televisão brasileira. Falecido neste sábado, 10 de janeiro, aos 92 anos, o autor deixou um legado que vai além das tramas memoráveis: criou uma tradição. Em suas novelas, a protagonista quase sempre se chamava Helena.

A repetição nunca foi acaso. Pelo contrário, tornou-se assinatura. Mulheres complexas, determinadas, profundamente ligadas à maternidade e capazes de atravessar dilemas éticos e afetivos extremos passaram a carregar o mesmo nome – e, com ele, uma carga simbólica poderosa.

Por que todas se chamavam Helena?

Ao longo da carreira, Manoel Carlos foi questionado inúmeras vezes sobre a origem do nome. Seria uma homenagem pessoal? Uma mulher marcante de sua vida? Ele sempre negou. No documentário “Tributo”, do Globoplay, explicou a escolha com clareza e encanto, revelando sua ligação com a mitologia:

“As pessoas perguntam: ‘Foi sua irmã? Sua mulher? Uma namorada?’ Nada disso. Helena é apenas um nome que eu acho mais apropriado a um personagem do que a uma pessoa real. Sempre gostei de mitologia. E a Helena mitológica é fantástica. Aquela história de Helena de Troia ter sido uma mulher casada com raptor, negociada e voltou a viver com o marido depois de se separar, isso tudo tem uma magia muito interessante que me cativou muito.”

As Helenas que marcaram época

Ao todo, nove novelas deram vida às Helenas de Manoel Carlos, interpretadas por sete atrizes diferentes. Cada uma trouxe novas camadas a esse arquétipo feminino tão reconhecível. 

Baila Comigo – Lílian Lemmertz (1981)

A primeira Helena surgiu como uma dona de casa marcada por uma decisão dolorosa: separar os filhos gêmeos ao nascer, pressionada pelo pai das crianças, um homem casado. Anos depois, o reencontro dos irmãos reacende feridas e culpas que nunca cicatrizaram.

Felicidade – Maitê Proença (1991-1992)

Conhecida como Leninha, essa Helena é uma jovem do interior que vai para o Rio decidida a criar a filha sozinha. O passado, no entanto, bate à porta quando ela reencontra um grande amor, agora casado, e precisa lidar com escolhas que mudam completamente seu futuro.

História de Amor – Regina Duarte (1995)

Aqui, Helena vive um emaranhado afetivo: ama um homem comprometido, enfrenta rivalidades femininas e, ao mesmo tempo, lida com conflitos profundos com a filha, fruto de uma história familiar marcada por perdas e segredos.

Por Amor – Regina Duarte (1997-1998)

Uma das decisões mais polêmicas da teledramaturgia brasileira nasce desta Helena. Ao ver a filha perder o bebê no parto, a personagem troca as crianças sem que ninguém saiba – um gesto de amor extremo que cobra seu preço ao longo do tempo.

Laços de Família – Vera Fischer (2000-2001)

Dividida entre o amor por um homem mais jovem e o sofrimento da filha, diagnosticada com leucemia, essa Helena faz renúncias profundas. Em um dos arcos mais lembrados da TV, engravida novamente para tentar salvar a filha por meio de um transplante de medula.

Mulheres Apaixonadas – Christiane Torloni (2003)

Após anos de um casamento morno, Helena se vê diante de uma crise conjugal e de um reencontro com um amor do passado. A novela amplia o olhar para temas sociais, como violência contra a mulher e preconceito, refletindo dilemas muito além da protagonista.

Páginas da Vida – Regina Duarte (2006)

Na terceira vez como Helena, Regina interpreta uma médica marcada por perdas, mas guiada por um forte senso de justiça. Ao adotar uma criança rejeitada pela avó por ter síndrome de Down, a personagem se torna símbolo de afeto, inclusão e resistência ao preconceito.

Viver a Vida – Taís Araújo (2009-2010)

A primeira Helena negra de Manoel Carlos surge como uma top model no auge da carreira. Ao se casar, enfrenta conflitos familiares intensos e uma tragédia que redefine as relações ao seu redor, colocando em cena temas como deficiência física, empatia e rivalidade emocional.

Em Família – Julia Lemmertz (2014)

Encerrando o ciclo, a filha de Lílian Lemmertz assume o papel da última Helena. A trama atravessa gerações e gira em torno de um amor proibido que ressurge no tempo, agora refletido na relação entre mãe e filha, fechando o arco iniciado mais de três décadas antes.

Um nome, muitas mulheres

Mais do que um recurso narrativo, Helena virou um espelho das transformações femininas ao longo dos anos. Em cada novela, Manoel Carlos explorou novas formas de amar, maternar, sofrer e resistir – sempre com a delicadeza de quem entende que a vida real raramente cabe em respostas simples.

Ao escolher o mesmo nome repetidas vezes, o autor não criou personagens iguais, mas uma linhagem emocional. E é justamente essa continuidade que faz das Helenas um dos maiores símbolos da teledramaturgia brasileira.

Leia também: Manoel Carlos falece aos 92 anos com diagnóstico de Parkinson”

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