Maria Bethânia: a voz que atravessa o tempo para ninar e despertar o Brasil
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Maria Bethânia não é apenas uma cantora; ela é o próprio altar onde a palavra brasileira se faz carne. Nascida no Recôncavo Baiano, em Santo Amaro da Purificação, ela trouxe consigo o mistério das marés e a força dos orixás para o centro da cena cultural do país.
Maria Bethânia
Em um vídeo publicado no Instagram ela fala do amor pela escola de samba Mangueira e contou um pouco do que sentiu quando, em 2016, foi consagrada campeã do carnaval carioca com o enredo “Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá”. O desfile homenageou os 50 anos de carreira de Bethânia, abordando religiosidade, fé, a ligação com o Recôncavo e a cultura brasileira.
“Através da minha história, da história do meu Orixá, da minha região, meu Recôncavo, eu vou ver a Mangueira voltar a ser campeã”.
Para ela, a música que trouxe o título à Mangueira é um mantra e uma bênção. É um território sagrado onde sua história pessoal se funde à história de seu orixá, de sua cidade e das águas que banham sua origem.
A artista afirma que, em momentos de incerteza ou receio, ela recorre a um exercício mental que a transporta para o refrão do samba: “Quem me chamou? Mangueira”! Ao se declarar para a escola do coração ela não fala apenas de uma agremiação, mas de uma identidade que a impulsiona e a protege. Bethânia é, acima de tudo, a prova de que a música, quando banhada em fé e verdade, tem o poder de tornar o improvável em algo eterno.
