Quem é Léa Garcia, homenageada pela escola de samba Mocidade Alegre, campeã de SP?
Bons Fluidos

Para entender o enredo da Mocidade Alegre, escola campeã do Carnaval de São Paulo, é preciso mergulhar na história de uma das maiores damas das artes brasileiras. Léa Garcia, homenageada pela escola, foi muito mais que uma atriz; ela foi uma pioneira que abriu caminhos para gerações de artistas negros no país.
Léa faleceu em 2023, aos 90 anos, em Gramado (RS), justamente no dia em que receberia o troféu Oscarito, a honraria máxima do tradicional Festival de Cinema da cidade. Sua relação com o festival era íntima e vitoriosa, acumulando diversos Kikitos por atuações em obras como “Filhas do Vento”, “Hoje tem Ragu” e “Acalanto”.
Léa Garcia: uma trajetória de pioneirismo e reconhecimento internacional
Com um currículo que ultrapassa 100 produções entre cinema, teatro e televisão, Léa Garcia destacou-se por romper barreiras em uma época de pouca representatividade:
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Estrela Internacional: Em 1957, foi indicada ao prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes por seu papel em “Orfeu Negro”. O filme faria história ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960.
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Teatro e TV: No palco, brilhou em “Orfeu da Conceição” (1956), de Vinicius de Moraes. Na televisão, estreou na TV Tupi ainda na década de 50 e chegou à Rede Globo em 1970.
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O Fenômeno Rosa: Seu papel mais emblemático na memória popular foi a vilã Rosa, na novela “Escrava Isaura” (1976), um sucesso estrondoso que a tornou conhecida mundialmente.
Ao lado de ícones como Ruth de Souza e Zezé Motta, Léa Garcia consolidou-se como uma das primeiras protagonistas negras da nossa TV. Sua vida foi uma celebração da cultura afro-brasileira, o que justifica a homenagem da Mocidade Alegre a este “legado incontornável de talento e resistência”.

