Com mistério frágil, Holland é típico filme de streaming que entretém, mas não surpreende | Crítica

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Após lançar Fresh, em 2022, diretamente no Disney+, a diretora Mimi Cave volta a ter um lançamento direto no streaming, dessa vez no Prime Video. A novidade é Holland, longa estrelado por Nicole Kidman (Babygirl). Sua personagem, Nancy Vandergroot, parece ter a vida perfeita. Ela vive na pequena cidade que dá nome à produção, conhecida por suas raízes holandesas e tulipas. Nancy é um dos pilares dessa comunidade na qual mora com o marido Fred (Matthew Macfadyen, Succession) e o filho Harry (Jude Hill, Belfast).
A realidade dos sonhos, porém, transforma-se numa história estranha e sombria quando Nancy e o colega de trabalho Dave (Gael García Bernal, Viva - A Vida é Uma Festa) desconfiam de um segredo e saem à procura de pistas para desvendar o obscuro mistério. O que descobrem, entretanto, não se parece em nada com a vida impecável que se apresenta na superfície.
Hollandapresenta uma premissa intrigante, mas que, infelizmente, não consegue se sustentar ao longo de sua execução. É interessante como Mimi Cave rapidamente subverte a ideia do paraíso de cidade ao mergulhar em uma trama de mistério. Acompanhando a personagem de Nicole Kidman, a trama passa a explorar a desconstrução dessa vida perfeita, à medida que ela se convence de que segredos estão escondidos em sua cidade. No entanto, apesar do ótimo ponto de partida, a história acaba se prendendo demais a tal mistério, sem ousar nas escolhas, como Mimi Cave havia feito em seu trabalho anterior.
Se lá, ela logo estabelecia Daisy Edgar-Jones (Normal People) como a vítima e Sebastian Stan (Um Homem Diferente) como o vilão, para daí em diante se divertir com um instigante jogo de gato e rato, em Holland isso é diferente. Aqui, Kidman e Bernal investigam o que pode estar por trás do mistério da premissa, mas toda a condução é calcada em clichês que já foram explorados incansavelmente pelo cinema. Se a dupla, quando junta, ainda consegue superar a previsibilidade da trama, o mistério, quando apresentado, está longe de ser chocante ou inesperado.
A escolha do cenário, um subúrbio idílico com tradições e uma estética que remete a melodramas do século passado, é uma das questões mais interessantes do filme. Durante a coletiva de imprensa, a diretora Mimi Cave explicou que a cidade foi escolhida justamente por ser um reflexo perfeito da fachada da vida perfeita que Nancy tenta manter. A cidade de Holland, com seus moinhos de vento e tulipas, serve como um pano de fundo fascinante, que ilustra a tensão entre a beleza externa e a escuridão interna das personagens. Porém, o que deveria propor um contraste entre a aparência e a realidade acaba não sendo completamente aproveitado, deixando a sensação de que a cidade poderia ter sido melhor explorada.
O maior problema de Hollandé a falta de um tom consistente. Embora comece com uma ideia promissora, a mudança de gêneros, entre comédia, thriller psicológico e romance, acaba prejudicando o desenvolvimento das ideias do roteiro. O filme tenta ser leve e ao mesmo tempo intenso, mas o resultado é uma mistura desorganizada que não consegue decidir sobre o que quer ser, enquanto isso, o mistério que segue ali, de canto, vai se tornando cada vez mais desinteressante - apesar de parecer super importante para a história.
Por outro lado, e por fim, a produção tem seu valor enquanto uma adição de catálogo sem grandes pretensões, além de contar com um elenco talentoso, o que torna o processo de assisti-lo mais agradável, especialmente para os fãs de Nicole Kidman, Gael García Bernal e Matthew Macfadyen em performances que, mesmo que não consigam salvar o filme como um todo, proporcionam momentos de entretenimento.
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