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Como um modelo de assinatura criado em Curitiba gerou R$ 1 bilhão por ano para o setor de beleza
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Como um modelo de assinatura criado em Curitiba gerou R$ 1 bilhão por ano para o setor de beleza

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05/03/2026 16h04
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Publicado em 5 de março de 2026


O modelo de assinatura aplicado a barbearias já atende 3 milhões de usuários, processa mais de R$ 1 bilhão por ano e mostra como a lógica que derrubou a Blockbuster pode reinventar qualquer negócio de serviços

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Por Lincohn Agner Mendes*
Fundador e CEO da Podium Educação e John Six Assinatura
Criador do primeiro modelo de barbearia por assinatura do Brasil

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Em 2017, abri minha primeira barbearia do zero. Como todo empreendedor do setor, enfrentei o mesmo problema que centenas de milhares de donos de barbearias no Brasil enfrentam diariamente: a imprevisibilidade. O faturamento de segunda-feira não tem relação com o de terça. Um mês bom não garante o seguinte. O caixa depende inteiramente de quantas pessoas decidem entrar pela porta. Não há contrato, não há vínculo, não há previsibilidade.

Em 2018, recebi um e-mail sobre como a Netflix havia transformado o setor de entretenimento, levando à falência a Blockbuster — que, em seu auge, operava mais de 9.000 lojas no mundo. Foi a primeira vez que ouvi o termo “economia da recorrência”. E uma pergunta simples mudou tudo: se o serviço de barbearia é frequente por natureza, por que a cobrança não é recorrente?

Passei semanas mergulhado em artigos, estudos e modelos de negócio baseados em assinatura. O conceito era claro: em vez de vender um corte de cabelo, vender um relacionamento contínuo. Em setembro de 2018, lancei o projeto piloto. As vagas se esgotaram em poucas horas. Nascia a primeira barbearia por assinatura estruturada do Brasil.

 

A Netflix da barbearia: por que o modelo funciona

O conceito é direto: o cliente paga uma mensalidade fixa e tem acesso ilimitado aos serviços. Uma Netflix da barbearia. Mas para o empresário, o impacto vai muito além da conveniência do cliente. Existem quatro pilares financeiros que tornam esse modelo superior ao tradicional.

Previsibilidade de receita. Ao vender assinaturas, o empresário passa a ter uma base de receita quase garantida mês a mês. As taxas de cancelamento (churn) no setor giram entre 2% e 4% ao mês. Isso significa que, de cada R$ 100 mil em assinaturas vendidas, o empresário sabe que perderá no máximo R$ 4 mil — e as novas vendas compensam com folga. Esse nível de previsibilidade simplesmente não existe no modelo transacional.

Fidelização estrutural. Um cliente assinante não corta em outra barbearia porque já pagou. Não é fidelidade emocional — é fidelidade econômica. O vínculo financeiro contínuo elimina a principal vulnerabilidade do modelo tradicional: a competição por conveniência e proximidade.

Eliminação da sazonalidade. No modelo transacional, meses turísticos como janeiro derrubam o faturamento. Na assinatura, a cobrança ocorre todos os meses, independentemente de férias ou feriados. O caso mais emblemático foi a pandemia de 2020: mesmo com as portas fechadas, continuamos faturando. Fomos a única barbearia do Brasil a manter os salários de todos os profissionais durante o lockdown, integralmente, sem demitir ninguém. Enquanto o setor inteiro parou, a recorrência provou ser um mecanismo real de proteção financeira.

O segredo que ninguém fala: o ticket médio

Existe um quarto pilar que, na prática, é o mais poderoso de todos — e o menos intuitivo. É o aumento do ticket médio por cliente.

Considere o modelo tradicional: um corte avulso custa R$ 50. O cliente retorna, em média, a cada 35 dias. Descontando imprevistos, viagens e faltas, isso gera cerca de 9 a 10 visitas por ano — ou R$450 a R$ 500 de receita anual por cliente.

Agora considere a assinatura: o cliente paga R$ 97 por mês para cortar ilimitado. Com o incentivo do acesso livre, a frequência sobe para 2,5 a 3 visitas por mês. Mas o que importa é a receita: 12 parcelas de R$ 97 = R$ 1.164 por ano. Quase 2,5 vezes mais que os R$ 500 do modelo avulso. Com o mesmo cliente, na mesma cadeira, no mesmo negócio.

O receio natural do empresário é que o cliente use demais o serviço. Na prática, isso não se sustenta. No longo prazo, imprevistos, viagens e variações naturais de rotina reduzem a média real de uso para níveis perfeitamente sustentáveis. Além disso, o contrato é renovado mensalmente: o empresário pode ajustar preços a qualquer momento, sem restrições contratuais. E há um bônus: cada visita adicional do assinante é uma oportunidade de venda de produtos e serviços extras — barba, tratamentos, cosméticos — que simplesmente não existiriam se o cliente não estivesse frequentando.

Os números: de metodologia a infraestrutura de um setor

O que começou como um projeto piloto em uma barbearia em Curitiba se tornou uma transformação estrutural de um mercado inteiro. Após validar o modelo na prática, estruturei a metodologia e a disponibilizei para outros empresários. A adoção foi massiva.

Hoje, os números do ecossistema falam por si: mais de 5.000 empresas utilizam a plataforma CashBarber, sistema que desenvolvi para integrar gestão de assinaturas, agendamento, pagamentos recorrentes e distribuição automática de comissões. São mais de 3 milhões de usuários cadastrados e mais de R$ 1 bilhão processado anualmente em transações recorrentes. A taxa de retenção das empresas na plataforma supera 90%.

Os resultados dos empresários que adotam o método são consistentes: crescimento médio de 250% no faturamento no primeiro ano, com casos documentados de 1.000% em três anos. Negócios que faturavam R$ 10 mil mensais passaram a faturar R$ 35 mil. Mais de 1.000 depoimentos documentados de empresários atestam essas transformações. Nenhuma outra metodologia no setor de serviços pessoais no Brasil produziu resultados sequer próximos a esses.

A equação em que todos ganham

O modelo de assinatura para barbearias não é um jogo de soma zero. É uma equação em que todos os participantes saem ganhando.

O cliente ganha conveniência, previsibilidade de custos e liberdade para frequentar o serviço quantas vezes quiser, sem a barreira psicológica de pagar a cada visita.

O empresário ganha previsibilidade de receita, aumento de ticket médio, eliminação de sazonalidade, fidelização estrutural e capacidade real de planejar investimentos e expansões.

O profissional ganha uma agenda mais cheia, comissões mais altas e previsíveis, e perspectiva real de crescimento dentro de uma operação estruturada — em vez de depender do acaso de quantos clientes aparecem no dia.

Hoje, o ecossistema que construímos sustenta cerca de 15.000 profissionais ativos em todo o Brasil, com ganhos mais estáveis e consistentes do que jamais tiveram no modelo tradicional.

Uma revolução silenciosa

O setor de barbearias no Brasil é um mercado que movimenta bilhões de reais por ano e emprega centenas de milhares de profissionais. Durante décadas, operou exatamente da mesma forma: abrir a porta, esperar o cliente, cobrar por serviço, repetir. A economia da recorrência mudou essa lógica.

O mesmo princípio que transformou o entretenimento (Netflix), o transporte (Uber) e o software (SaaS) está agora redefinindo os serviços presenciais. E o impacto tende a se expandir: o modelo já começa a influenciar outros segmentos como academias, clínicas de estética e estúdios de bem-estar.

Para investidores e empresários, a mensagem é clara: receita recorrente não é exclusividade do mundo digital. Qualquer negócio de serviço frequente pode — e provavelmente deveria — repensar seu modelo de monetização. Quem entendeu isso primeiro, no setor de barbearias, já colhe os resultados. Quem ainda não entendeu, está competindo de portas abertas contra quem já tem o cliente fidelizado por contrato.

 

Sobre o autor*

Lincohn Agner Mendes é fundador e CEO da Podium Educação e da John Six Assinatura. Criou o primeiro modelo de barbearia por assinatura do Brasil em 2018 e desenvolveu o CashBarber, plataforma SaaS que atende mais de 5.000 empresas e 3 milhões de usuários. Seu ecossistema processa mais de R$ 1 bilhão em transações recorrentes por ano.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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