Adolescência até os 32 anos? Entenda novo conceito!
Anamaria
A ideia de que a vida adulta começa aos 18 anos vem sendo questionada por pesquisas recentes. Um estudo conduzido pela Universidade de Cambridge identificou quatro grandes marcos de reorganização cerebral ao longo da vida, aos 9, 32, 66 e 83 anos. Entre eles, a transição por volta dos 32 anos chama atenção por indicar o fim de um período intenso de remodelação neural associado à juventude, o que ajuda a explicar a sensação de uma “adolescência estendida” observada nas gerações atuais.
Para a psicóloga Aparecida Tavares, do Órion Complex, em Goiânia, a maturação não depende apenas da biologia. “Será que a sociedade tem estimulado esse cérebro para que essas maturações ocorram no tempo esperado?”, questiona.
Segundo ela, mudanças sociais, o avanço tecnológico e a lógica do imediatismo impactam diretamente o córtex pré-frontal, área ligada ao planejamento, ao controle dos impulsos e à tomada de decisões. Na prática clínica, a especialista observa adultos jovens mais inseguros, com dificuldades de interação social, dependência emocional e pouco espaço para reflexão sobre o futuro.
Embora reconheça que esse prolongamento da adolescência seja um fenômeno real, Aparecida alerta para seus efeitos coletivos.
“A vida é tempo, tem relógio, inclusive biológico. Não basta nutrir apenas o corpo, é preciso nutrir a mente”, afirma. Para ela, a imaturidade emocional prolongada traz prejuízos sociais e econômicos, impactando o engajamento das pessoas no bem-estar coletivo e no desenvolvimento do país.
