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Birra infantil, amigo imaginário e ciúme: quando se preocupar?
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Birra infantil, amigo imaginário e ciúme: quando se preocupar?

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Anamaria
20/06/2026 13h00
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Tem fases da infância em que tudo parece virar motivo para conflito. Um “não” para qualquer pedido, crises no meio do mercado, brinquedos no chão, explosões de ciúme e até conversas com amigos invisíveis podem deixar pais, mães e cuidadores inseguros. Mas, afinal, esses comportamentos são motivo para preocupação? 

“A infância é um período de descobertas intensas. Muitos comportamentos que parecem inadequados aos olhos dos responsáveis são sinais de que o desenvolvimento está acontecendo de forma natural”, explica Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville.

Na primeira infância, o corpo fala antes das palavras

Dos 0 aos 3 anos, a criança ainda está descobrindo o mundo. Como a linguagem e o autocontrole ainda estão em formação, muitas emoções acabam aparecendo em atitudes físicas e impulsivas.

Comportamentos típicos dessa fase:

  • Morder ou bater para demonstrar frustração;
  • Fazer birras intensas;
  • Jogar objetos repetidamente no chão;
  • Dizer “não” para tudo.

Empurrar, bater ou jogar objetos, por exemplo, costuma assustar os adultos, mas ainda não representa agressividade estruturada. Nessa etapa, a criança usa o corpo para comunicar sentimentos que ainda não consegue nomear. 

Já as birras fazem parte do processo de construção da autonomia. A criança começa a perceber que tem vontades próprias, mas ainda não sabe lidar bem com frustrações e limites.

Nesses momentos, é importante não recorrer a gritos, humilhações ou ameaças. Permanecer por perto, falar com calma e sustentar os limites de forma coerente costuma trazer mais resultado do que transformar a situação em uma disputa de poder.

Dos 4 aos 5 anos, imaginação e emoções ficam mais intensas

Na fase pré-escolar, a linguagem, o faz de conta e as interações sociais ganham espaço. É quando surgem histórias inventadas, brincadeiras agitadas e a necessidade de pertencimento.

O que costuma aparecer nessa idade:

  • Amigos imaginários;
  • Mentiras fantasiosas;
  • Repetição de palavrões;
  • Brincadeiras de luta ou super-herói;
  • Ciúme intenso.

O amigo imaginário, tão comum nessa fase, costuma preocupar famílias, mas não há motivo para pânico. A imaginação funciona como ferramenta importante para a criança elaborar sentimentos, medos e situações do cotidiano. Por isso, é comum que fantasia e realidade ainda se misturem. Nem toda história inventada deve ser encarada como mentira proposital. 

As brincadeiras de luta e super-herói também aparecem com frequência na fase pré-escolar. Embora muitos adultos associem esse tipo de brincadeira à agressividade, elas ajudam no aprendizado de limites, regras e controle de impulsos.

O ciúme intenso também pode surgir nessa fase, especialmente entre irmãos. Em vez de comparações, o mais indicado é reforçar vínculos e garantir momentos individuais de atenção e acolhimento.

Entre 6 e 12 anos, surgem comparações e questionamentos

No período entre a infância e a pré-adolescência, a criança passa a organizar melhor o pensamento e construir sua identidade a partir das relações sociais. Embora seja uma fase geralmente mais tranquila, ainda há desafios emocionais importantes.

Comportamentos comuns nessa etapa:

  • Falar sozinho;
  • Interesse intenso por um assunto específico;
  • Vergonha ou retraimento temporário;
  • Comparações constantes com colegas;
  • Questionamentos sobre regras e autoridades.

Falar sozinho, por exemplo, pode ajudar na organização do pensamento e na resolução de problemas. Já os interesses intensos por determinados temas costumam fortalecer autoestima, memória e concentração.

Também é comum que a criança passe a se comparar mais com colegas, principalmente no ambiente escolar. Neste momento, reforçar apenas desempenho e competição pode aumentar inseguranças. “Valorize o esforço individual e evite reforçar competição excessiva”, orienta. 

Os questionamentos sobre regras e autoridades também fazem parte do amadurecimento cognitivo. Em vez de interpretar tudo como desafio ou desobediência, a recomendação é transformar essas conversas em oportunidades de diálogo.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1523, de 29 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader

 Leia também:

Birra de criança: como lidar com ela?

Leia a matéria original aqui.

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