Caneta emagrecedora mexe com a libido? Entenda o impacto do remédio no desejo sexual feminino
Anamaria
As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço na rotina de milhares de pessoas nos últimos anos, principalmente entre mulheres em busca de perda de peso rápida. Mas, junto dos resultados na balança, muitas pacientes passaram a relatar uma dúvida inesperada: afinal, esses medicamentos podem afetar a libido?
Segundo o médico do esporte e nutrólogo Thiago Viana, o impacto existe, mas não acontece da mesma forma para todas as pessoas. Isso porque o desejo sexual está diretamente ligado ao funcionamento do metabolismo, aos hormônios, ao sono, à alimentação e até aos níveis de estresse. “Quando o metabolismo está desregulado, seja por resistência à insulina, inflamação ou privação de sono, por exemplo, o corpo entra em modo sobrevivência, e não em modo reprodução. Isso impacta diretamente a libido”, explica o especialista.
As canetas podem aumentar ou diminuir o desejo sexual
Apesar da preocupação, os efeitos não são necessariamente negativos. Em alguns casos, a perda de peso ajuda a melhorar disposição, autoestima, mobilidade e equilíbrio hormonal, fatores que podem favorecer a vida sexual.
Por outro lado, quando o emagrecimento acontece de forma muito rápida ou acompanhado de alimentação insuficiente, perda muscular e fadiga, o efeito pode ser o oposto. “Pode haver melhora na função sexual, principalmente pela perda de peso, redução da inflamação e aumento da autoestima. Mas também pode haver redução da libido, especialmente quando há ingestão calórica muito baixa, perda de massa muscular e queda de energia”, afirma Thiago.
O corpo prioriza funções essenciais
O organismo funciona por prioridades. Quando há estresse físico intenso, pouca ingestão calórica ou alterações hormonais importantes, o corpo tende a direcionar energia para funções consideradas essenciais. Nesse cenário, o desejo sexual costuma diminuir.
Além das restrições alimentares, fatores como sono ruim, excesso de cortisol e fadiga também entram nessa conta. “O sono é um dos principais reguladores da libido”, explica o nutrólogo. Segundo ele, até uma semana dormindo mal já pode gerar impactos perceptíveis no desejo sexual.
Mulheres sentem os efeitos de forma diferente
A libido feminina costuma ser mais complexa e multifatorial do que a masculina. Enquanto nos homens o desejo sexual tem relação mais direta com testosterona, nas mulheres fatores emocionais, hormonais, ambientais e psicológicos exercem grande influência. “Uma mulher mentalmente sobrecarregada dificilmente terá libido. Hormônios como dopamina e serotonina são fundamentais nesse processo”, aponta Thiago.
Isso ajuda a explicar por que mudanças bruscas na alimentação, estresse elevado e cansaço mental podem afetar diretamente o interesse sexual feminino.
Excesso de gordura também interfere na libido
O próprio excesso de peso pode contribuir para alterações hormonais e redução do desejo sexual. Segundo o médico, a gordura abdominal funciona como um órgão hormonal e pode alterar a produção de testosterona e estrogênio.
“A gordura visceral transforma testosterona em estrogênio, podendo contribuir para redução da libido, piora da disposição e alterações hormonais”, explica. Por isso, emagrecer de forma saudável costuma trazer benefícios não apenas estéticos, mas também metabólicos e hormonais.
Alimentação faz diferença no desejo sexual
Não existem alimentos milagrosos ou afrodisíacos capazes de aumentar a libido instantaneamente, mas o padrão alimentar influencia bastante a saúde hormonal. Dietas muito pobres em nutrientes, excesso de ultraprocessados, álcool em excesso e deficiências nutricionais podem reduzir energia e disposição.
Já nutrientes como zinco, magnésio, proteínas e gorduras boas ajudam no funcionamento hormonal adequado. “O problema não é um alimento específico, mas o conjunto da dieta”, afirma Thiago.
Exercício físico ajuda a proteger a libido
Outro ponto importante é preservar massa muscular durante o emagrecimento. Segundo o especialista, exercícios físicos, especialmente treino de força, ajudam a manter energia, metabolismo e equilíbrio hormonal durante o uso das medicações. Isso reduz o risco de fadiga excessiva e ajuda o corpo a lidar melhor com a perda de peso.
Queda persistente da libido, cansaço extremo, alterações hormonais e perda excessiva de massa muscular merecem atenção médica. Isso porque nem sempre o problema está apenas no medicamento. Muitas vezes, o quadro envolve alimentação inadequada, excesso de restrição ou desequilíbrios hormonais já existentes. “Não existe atalho: a libido não é um fator isolado, mas ela reflete diretamente a saúde física, mental e metabólica como um todo”, conclui Thiago Viana.
Resumo:
As canetas emagrecedoras podem influenciar a libido feminina de formas diferentes. Enquanto a perda de peso saudável tende a melhorar disposição e autoestima, restrições excessivas, perda muscular, estresse e alterações hormonais podem reduzir o desejo sexual.

