Março Lilás: especialista alerta para o impacto emocional silencioso que antecede o diagnóstico de doenças
Anamaria

O psicólogo e escritor Alexander Bez chama a atenção para um aspecto ainda pouco discutido nas campanhas de conscientização do Março Lilás: o impacto emocional que muitas mulheres enfrentam antes mesmo da realização de exames ou da confirmação de um diagnóstico.
Segundo o especialista, esse impacto pode ser extremamente intenso e está frequentemente associado a fatores psicológicos prévios, como experiências familiares e memórias afetivas. “Muitas mulheres carregam referências de mães, avós ou pessoas próximas que enfrentaram doenças graves, especialmente oncológicas. Essas associações, ainda que inconscientes, tornam o processo emocional muito mais difícil”, explica.
Bez ressalta que, nesse contexto, o principal sentimento é o medo que pode surgir tanto de forma imediata quanto alimentado pela ansiedade. “É importante diferenciar: nem sempre se trata de um transtorno de ansiedade, mas sim de uma sintomatologia ansiosa diante de uma situação de estresse. Ainda assim, os efeitos são significativos”, afirma.
Além do medo e da ansiedade, o especialista aponta que o cenário pode evoluir para quadros depressivos, especialmente em pessoas que já apresentam predisposição. “Mesmo diante de um falso diagnóstico ou após a cura, o impacto psicológico pode permanecer. O emocional não acompanha necessariamente o resultado clínico”, destaca.
Entre os sintomas mais comuns estão alterações no sono, no apetite, na vida sexual e uma sensação persistente de desesperança. “Esse estado emocional pode comprometer ainda mais a saúde, criando um ciclo que precisa ser interrompido com suporte adequado”, alerta.
Para Bez, a principal estratégia é enfrentar a situação com consciência e responsabilidade. “Não existe outro caminho mais saudável do que lidar com o problema. Isso inclui seguir orientações médicas, buscar segunda ou até terceira opinião e, principalmente, não permitir que a desesperança se instale”, orienta.
O psicólogo também critica o ritmo acelerado da vida moderna, que, segundo ele, contribui para o negligenciamento da saúde. “Vivemos em uma rotina imediatista, em que as pessoas se esquecem do básico: cuidar de si. A realização de exames periódicos é fundamental não apenas para diagnóstico, mas para prevenção”, afirma.
Outro ponto destacado é o papel do apoio emocional. Para o especialista, o acolhimento de familiares, amigos e parceiros é decisivo nesse processo. “Quando a pessoa se sente amparada, há uma melhora significativa no estado emocional e psicológico, o que impacta diretamente na forma como ela enfrenta a situação”, explica.
Além disso, práticas como atividades físicas leves, especialmente aeróbicas, momentos de lazer e a redução da sobrecarga de tarefas são recomendadas como formas de preservar o equilíbrio emocional.
Bez também reforça a importância do autocuidado como uma questão cultural que ainda precisa evoluir no Brasil. “Muitas pessoas só procuram ajuda quando a situação já está agravada. Isso envolve fatores sociais, econômicos e culturais, mas precisa mudar. A prevenção ainda é o melhor caminho”, afirma.
Por fim, o especialista faz um alerta sobre a importância de buscar profissionais que atuem com base na ciência. “A saúde deve ser tratada com responsabilidade. É fundamental confiar em profissionais qualificados e comprometidos com evidências científicas”, conclui.
Alexander Bez é psicólogo com especialização em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela University of California e especialização em Relacionamentos pela University of Miami. Atua como escritor e palestrante nas áreas de saúde emocional, relacionamentos e transtornos psicológicos.
