Silicone rompe com amamentação? Especialista esclarece mitos
Anamaria
A fase da gestação é por si só um período repleto de preocupações e insegurança devido a tantas mudanças e alterações hormonais. Uma das questões que mais preocupa as mulheres se refere às alterações nas mamas durante a gravidez e o pós-parto, principalmente quando a mãe possui prótese de silicone. Entre os receios mais comuns está a ideia de que a amamentação ou o uso de bombas extratoras de leite poderiam causar o rompimento do implante mamário. Mas será que isso realmente acontece?
Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, essa associação é muito mais um mito do que uma realidade médica. “O ato de amamentar ou utilizar bomba extratora não costuma romper a prótese. As próteses modernas são projetadas justamente para suportar pressões e deformações muito maiores do que aquelas geradas pela amamentação”, explica o especialista.
De acordo com o médico, as alterações mais intensas acontecem no próprio tecido mamário, e não diretamente no implante. “A mama aumenta de volume, há distensão da pele e depois ocorre o esvaziamento natural do pós-parto, o que chamamos de involução mamária. Isso pode mudar o formato das mamas, mas não significa que a prótese tenha rompido”.
O que realmente pode causar ruptura da prótese?
Embora o medo seja frequente, o rompimento do silicone geralmente está ligado a outros fatores, como desgaste do implante ao longo dos anos, traumas importantes ou defeitos específicos. “O rompimento costuma estar mais relacionado ao tempo de uso, acidentes ou situações específicas. Não é a amamentação em si que provoca isso”, reforça o cirurgião plástico.
O médico destaca ainda que as próteses atuais possuem gel de silicone coesivo, conhecido popularmente como “gummy bear”, que tende a manter o conteúdo mais estável mesmo em casos de ruptura.
Outra dúvida frequente envolve a segurança da amamentação para o bebê. Segundo o especialista, o silicone não passa para o leite materno. “Ter prótese não significa dificuldade para amamentar. Isso depende muito mais da técnica cirúrgica utilizada, da preservação da glândula mamária e das características individuais de cada paciente”, explica.
Durante a gravidez e o pós-parto, o acompanhamento médico segue sendo importante, especialmente para diferenciar mudanças naturais do corpo de possíveis complicações. “O principal é observar alterações muito abruptas, como dor intensa, endurecimento ou deformidades importantes. Mas é preciso evitar conclusões precipitadas, porque a mama muda bastante nessa fase hormonal”, alerta.
Quais exames detectam rompimento silencioso?
Entre os principais métodos estão ultrassom, mamografia e ressonância magnética. Segundo Dr. Josué Montedonio, a ressonância costuma ser o exame mais preciso nesses casos. “A ressonância magnética é o exame mais sensível para detectar ruptura silenciosa e avaliar dúvidas sobre a integridade da prótese”, afirma.
Já o ultrassom pode ser útil, mas depende bastante da experiência do profissional que realiza o exame. A mamografia, por sua vez, segue importante para rastreamento mamário, embora não seja o principal exame para avaliar rompimentos.
Próteses precisam ser trocadas a cada 10 anos?
A ideia de que toda prótese deve obrigatoriamente ser trocada após uma década ainda gera confusão entre pacientes. Segundo o especialista, essa regra não existe mais.
“Não há um alarme programado dizendo que a prótese precisa ser trocada aos 10 anos. Existem pacientes com implantes antigos que permanecem ótimos, enquanto outras podem precisar de revisão antes disso”, explica. A troca costuma ser indicada em situações como ruptura, contratura capsular, deslocamento, ondulações visíveis (“rippling”) ou simplesmente por desejo estético da paciente.
Sinais de alerta que merecem atenção
Apesar de muitas rupturas serem silenciosas, alguns sintomas podem indicar problemas na prótese e merecem avaliação médica. Entre os principais sinais estão mudança no formato da mama; assimetria; endurecimento progressivo; dor persistente; alteração na consistência; ondulações visíveis e aumento inesperado de volume. “Não é motivo para pânico, mas também não deve ser ignorado. Qualquer alteração nova e persistente merece avaliação médica”, finaliza.

