Três mulheres, três recomeços: histórias inspiradoras de quem decidiu mudar de vida
Anamaria

O Mês da Mulher, celebrado em março, costuma ser um convite à reflexão sobre conquistas, desafios e caminhos ainda a percorrer. No entanto, também é uma oportunidade de destacar histórias reais de mulheres que transformam suas próprias trajetórias — e, muitas vezes, impactam a vida de outras pessoas.
Em diferentes áreas, brasileiras têm mostrado que coragem, reinvenção e propósito podem caminhar juntos. Seja no empreendedorismo, na arte ou no cuidado com outras famílias, cada jornada revela que mudanças importantes começam, muitas vezes, com decisões difíceis.
A seguir, conheça três histórias de mulheres que transformam — exemplos de quem enfrentou obstáculos, mudou de rumo e encontrou novas formas de fazer a diferença.
Larissa Salvador: da imigração irregular ao escritório milionário
Larissa Salvador saiu ainda criança do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e passou mais de dez anos vivendo nos Estados Unidos em situação migratória irregular. No entanto, a realidade ficou clara apenas aos 16 anos, quando descobriu que não poderia concorrer a bolsas de estudo por não ter número de seguro social.
Apesar das dificuldades, ela decidiu transformar a frustração em propósito. Assim, escolheu estudar Direito com foco em imigração para ajudar outras famílias que enfrentam a mesma situação. Anos depois, após conquistar a residência permanente, trabalhou em um escritório da área por cinco anos até concluir a faculdade.
Mas novos desafios surgiram: Larissa perdeu o emprego, se divorciou e teve sua poupança roubada pelo ex-marido. Mesmo diante das adversidades, abriu seu próprio escritório com apenas US$ 3 mil. Hoje, aos 35 anos, ela comanda a Salvador Law, na Flórida, com faturamento anual superior a US$ 1 milhão e clientes conhecidos, como artistas brasileiros. Recentemente, a empresa também abriu uma unidade no Rio de Janeiro e prepara expansão para Salvador.
Milena Castro: da advocacia à tatuagem com propósito
Depois de 15 anos atuando como advogada, Milena Castro decidiu reavaliar a própria vida profissional. Esse movimento aconteceu após um período difícil, marcado pela perda repentina da mãe e pelo fim do casamento.
A partir dessas experiências, ela percebeu que já não se sentia realizada na carreira jurídica. Por isso, decidiu iniciar uma transição profissional e começou a estudar desenho e tatuagem em 2021. No início, o processo trouxe insegurança e dúvidas. Ainda assim, Milena persistiu e começou atendendo amigos e familiares em casa.
Com o tempo, algo curioso aconteceu: muitas de suas clientes eram mulheres acima dos 40 anos. Então, ela passou a direcionar seu trabalho para esse público. Hoje, Milena se especializa em tatuagens que simbolizam recomeços, mudanças e novas fases da vida. Mais do que um desenho, cada tatuagem nasce de uma conversa e da história de quem procura seu estúdio.
Maria Eduarda Guerra: da fisioterapia ao setor financeiro
A trajetória de Maria Eduarda Guerra mostra que um caminho pode tomar rumos inesperados. Formada em Fisioterapia pela Universidade Veiga de Almeida, ela iniciou a carreira na área da saúde e atuou diretamente no atendimento a pacientes durante a pandemia de COVID-19 no Rio de Janeiro.
A rotina intensa no hospital, no entanto, também desenvolveu habilidades importantes, como análise de dados, organização e tomada de decisões sob pressão. Depois, ao se aproximar do universo das startups e da tecnologia, Maria Eduarda percebeu que essas competências poderiam ser aplicadas em outra área.
Hoje, ela atua como CFO da Banlek, considerada a maior plataforma de fotógrafos da América Latina. No setor financeiro de uma startup, Maria Eduarda enfrenta desafios constantes — inclusive o fato de muitas vezes ser a única mulher em reuniões com investidores.
Além da carreira, ela também concilia o cargo de liderança com a maternidade. Para Maria Eduarda, essa experiência fortalece habilidades como resiliência, gestão do tempo e responsabilidade. Ao compartilhar sua trajetória, ela reforça a importância da presença feminina em áreas como tecnologia, finanças e empreendedorismo.
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