Xixi estratégico: o hábito simples após o sexo que pode prevenir a infecção urinária
Anamaria

Com a chegada dos dias mais quentes, aumentam os convites para caminhadas ao ar livre, tardes em parques, mergulhos em piscinas e escapadas para a praia. Mas, junto com o clima leve do verão, também crescem as queixas nos consultórios ginecológicos, especialmente as relacionadas à infecção urinária recorrente, um problema que atinge milhares de mulheres todos os anos.
Segundo o ginecologista Dr. Marcelo Koji, do Hospital Saint Patrick, pequenas mudanças de hábito podem fazer toda a diferença na prevenção. Ele reforça que o calor, a umidade e alguns comportamentos aparentemente inofensivos favorecem a proliferação de micro-organismos.
“O uso prolongado de roupas úmidas aumenta o risco de infecções genitais por fungos como candidíase. Assim é aconselhável realizar a troca por roupa seca, assim que não estiver mais na água”, orienta o especialista. Ficar com o biquíni molhado depois da praia ou da piscina, por exemplo, pode criar um ambiente ideal para fungos e bactérias.
Calcinha e hidratação: as escolhas certas
A escolha das peças íntimas também merece atenção. “Utilizar roupas íntimas de tecidos que permitam a ‘respiração’ como algodão e evitar roupas de tecidos plásticos e impermeáveis é sugerido”, explica. Tecidos sintéticos e muito justos dificultam a ventilação da região íntima e contribuem para o desequilíbrio da flora vaginal.
Outro ponto frequentemente associado à prevenção é o consumo de água. Embora a hidratação seja essencial no calor, o médico pondera que ela não é uma solução isolada. “A hidratação é muito importante principalmente para evitar a insolação e desidratação excessiva que pode acontecer em dias mais quentes ou caminhadas e exercícios ao ar livre. Porém, o conceito de que beber muita água diminui o risco de infecção urinária é uma meia verdade. O mais importante quando pensamos no risco de infecção urinária é manter uma boa higiene íntima e estar com a imunidade em dia, além das dicas que já coloquei”.
E quanto aos banheiros públicos? Apesar do receio comum, o risco não está exatamente onde muitas imaginam. “O uso de banheiros públicos não está exatamente ligado a infecções genitais, mas o seu uso por algumas vezes ser um local não muito limpo pode trazer contaminações orais e/ou fecais que podem apresentar riscos à saúde”, esclarece.
Urinar até 15 minutos após o sexo faz milagres
Quando o assunto é vida sexual, uma recomendação antiga continua válida e com respaldo médico. “Para a mulher o ato de urinar após o coito é protetor e realmente pode ajudar a minimizar riscos de infecções urinárias, se possível urinar até 15 a 20 minutos após a relação é o ideal”, afirma o ginecologista. O hábito ajuda a eliminar possíveis bactérias que tenham entrado na uretra durante a relação.
A alimentação também entra na lista de aliados da saúde íntima. “A alimentação diversificada sempre é uma ótima arma para seu sistema imunológico, ‘o tal do prato colorido’, mas se pensarmos em infecções de urina seria talvez interessante incluir o uso de Cramberry na forma de fruta ou suco”, recomenda.
Mais do que fórmulas milagrosas, o que faz diferença é a combinação de cuidados simples e consistentes: trocar roupas molhadas rapidamente, escolher tecidos adequados, manter a higiene íntima correta, fortalecer a imunidade e adotar hábitos protetores após a relação sexual. Em meio ao calor e à rotina agitada, a prevenção continua sendo o melhor caminho para evitar o desconforto e as recorrências da infecção urinária.
