Raposa-voadora: o morcego "gigante" que acende o alerta para o vírus Nipah
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Com uma envergadura que pode chegar a 1,5 metro, o morcego raposa-voadora (Pteropus) é frequentemente confundida com uma criatura mística ou até mesmo com um “homem-morcego” em fotos que viralizam nas redes sociais.
No entanto, por trás da aparência impressionante desses morcegos frugívoros, reside uma preocupação global de saúde pública: eles são os hospedeiros naturais do vírus Nipah (NiV), um patógeno que causa surtos periódicos em humanos, com taxas de letalidade que variam entre 40% e 75%.
Diferente dos morcegos comuns encontrados no Brasil, as raposas-voadoras não se alimentam de sangue, mas de frutas e néctar. O risco de transmissão ocorre quando humanos consomem alimentos contaminados pela saliva ou urina desses animais, ou através do contato direto com porcos infectados que atuam como hospedeiros intermediários.
++ Tudo que sabemos sobre o vírus Nipah até agora
O risco de transbordamento viral
A destruição de habitats naturais tem forçado esses morcegos a buscar alimento em áreas urbanas e fazendas, aumentando o contato com humanos. Esse fenômeno, conhecido como “spillover” (transbordamento), é o ponto central das investigações epidemiológicas.
Sobre a natureza do patógeno, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca em seus relatórios técnicos que o Nipah é considerado uma das doenças prioritárias para pesquisa devido ao seu “potencial epidêmico”. A ausência de vacinas ou tratamentos específicos torna a contenção de surtos um desafio logístico e humanitário, repercute o g1.
A situação no Brasil e a vigilância
Embora as raposas-voadoras do gênero Pteropus não existam na fauna brasileira, a vigilância sanitária no país permanece em alerta. O Brasil possui uma das maiores biodiversidades de morcegos do mundo e, embora as espécies nativas não carreguem o Nipah, o sistema de saúde monitora qualquer sinal de doenças emergentes.
O biólogo e pesquisador especializado em mamíferos alados, ao analisar a importância da conservação e do distanciamento, reforça um ponto fundamental para evitar pânico injustificado contra as espécies locais. Segundo o Ministério da Saúde, em orientações sobre zoonoses, a recomendação é clara: “A população não deve tentar manipular morcegos encontrados caídos ou em situações anormais”.
A principal forma de prevenir a infecção pelo Nipah em regiões onde a raposa-voadora habita é evitar o consumo de seiva de tamareira crua e garantir que frutas sejam bem lavadas e descascadas. No contexto brasileiro, o foco é o fortalecimento da “Saúde Única”, uma abordagem que integra a saúde humana, animal e ambiental.

