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56% dos casos de Alzheimer na América Latina poderiam ser evitados, diz estudo
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56% dos casos de Alzheimer na América Latina poderiam ser evitados, diz estudo

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13/03/2026 01h30
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A discussão sobre o Alzheimer tem ganhado cada vez mais espaço na ciência e nas políticas de saúde pública. No final de fevereiro, especialistas de diferentes países se reuniram em eventos organizados pela Associação Internacional de Alzheimer (AAIC) para debater o cenário da doença em diversas regiões do mundo.

Entre os encontros realizados, um dos painéis focados na América Latina aconteceu no Uruguai e trouxe dados que chamaram a atenção dos pesquisadores. A apresentação principal ficou a cargo da neuropsicóloga argentina Lucía Crivelli, da Fundação para a Luta contra as Enfermidades Neurológicas da Infância (FLENI), instituição reconhecida na área de neurologia e reabilitação.

Durante sua fala, a especialista destacou um dado significativo sobre o potencial de prevenção da doença na região. “Enquanto, no resto do mundo, 45% dos casos de Alzheimer poderiam ser evitados, o percentual chega a 56% na América Latina”, disse Crivelli.

O papel do estilo de vida na saúde do cérebro

Segundo a pesquisadora, um dos principais motivos para esse cenário é que as estratégias de prevenção ainda recebem pouca atenção. Hábitos cotidianos, porém, têm impacto direto na saúde cerebral ao longo da vida.

Entre as medidas consideradas essenciais estão a prática regular de atividade física, evitar o tabagismo, manter o peso adequado e controlar indicadores metabólicos como colesterol, níveis de açúcar no sangue e pressão arterial. O consumo moderado de álcool também faz parte desse conjunto de cuidados.

Crivelli também destacou outros fatores que contribuem para a proteção do cérebro, como acesso à educação, redução da poluição, prevenção da depressão, cuidado com a saúde auditiva e visual, além da prevenção de traumatismos cranianos.

Outro aspecto importante apontado pela especialista é a manutenção de vínculos sociais, que ajudam a reduzir o isolamento e funcionam como uma rede de apoio emocional e cognitivo.

Educação e saúde ao longo da vida fazem diferença

Os dados apresentados pela pesquisadora mostram que intervenções em diferentes fases da vida podem reduzir significativamente o risco de demência. Investir em anos de escolaridade durante a infância e juventude, por exemplo, pode diminuir o risco de Alzheimer em cerca de 11%. Já na meia-idade, controlar a pressão arterial reduz o risco em aproximadamente 9%, enquanto o combate à obesidade pode representar uma redução de 8%.

Outros fatores também aparecem associados à diminuição do risco, como evitar perda auditiva (8%), tratar a depressão (7%), abandonar o cigarro (6%), manter-se fisicamente ativo (5%) e controlar o diabetes (3%).

A pesquisadora ainda explicou que as prioridades podem variar de acordo com cada país da região. “No Brasil, em escolaridade, hipertensão, perda auditiva e obesidade”, afirmou Crivelli. Atualmente, estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros convivam com algum tipo de demência. Na América Latina, esse número já chega a aproximadamente 10 milhões de pessoas – e as projeções indicam que os casos podem triplicar até 2050.

Um estudo que mostrou que a prevenção é possível

Apesar do cenário preocupante, os pesquisadores também destacam evidências de que é possível agir para reduzir o impacto da doençaUm dos exemplos mais relevantes é o estudo FINGER (Finnish Geriatric Intervention Study to Prevent Cognitive Impairment and Disability), publicado em 2015 pela médica Miia Kivipelto, professora de geriatria clínica do Instituto Karolinska, na Suécia.

Esse foi o primeiro grande ensaio clínico a demonstrar que uma abordagem multidimensional – ou seja, que atua simultaneamente em diferentes aspectos da vida – pode ajudar a prevenir ou retardar o declínio cognitivo em pessoas com risco de demência. O programa envolve cinco pilares principais:

  1. Alimentação equilibrada: baseada em padrões semelhantes às dietas mediterrânea e nórdica, com consumo de frutas, vegetais, grãos integrais, peixes e gorduras saudáveis;
  2. Atividade física: combinação de exercícios aeróbicos, musculação e treino de equilíbrio;
  3. Estimulação cognitiva: atividades voltadas para memória, atenção e raciocínio;
  4. Controle metabólico: monitoramento da pressão arterial, colesterol, diabetes e índice de massa corporal;
  5. Vida social ativa: incentivo ao convívio e à participação em atividades coletivas.

Uma rede global de prevenção

Diante dos resultados positivos, o modelo foi ampliado e deu origem à rede internacional World-Wide FINGERS, que adapta essas estratégias para diferentes culturas e realidades. Na América Latina, diversos países participam do projeto, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, México, Peru e Uruguai.

Para os especialistas, iniciativas como essa reforçam uma mensagem importante: embora o Alzheimer ainda represente um grande desafio global, mudanças no estilo de vida e políticas de prevenção podem desempenhar um papel fundamental na proteção da saúde do cérebro ao longo da vida.

Leia também:Alzheimer canino: conheça os sintomas, causas e como prevenir”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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