Além da garganta: estudo revela que própolis pode proteger a saúde do cérebro
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O própolis, substância produzida pelas abelhas a partir do alecrim-do-campo, é amplamente utilizado no Brasil para tratar infecções de garganta. Um novo estudo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, no entanto, apontou que o produto também pode proteger a saúde cerebral, atuando contra doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Própolis e preservação de neurônios
De acordo com a análise, a substância estimula uma maior conexão entre neurônios e possibilita a sua transformação em outras células. Esses processo, quando deixam de ocorrer, favorecem o desenvolvimento de enfermidades que atacam o sistema nervoso. Os pesquisadores também descobriram que o própolis preserva o órgão central ao reduzir a morte celular.
Eles identificaram o potencial do produto após separarem seus principais compostos: o Artepelin C e a Bacarina. Em seguida, utilizaram a modelagem computacional para avaliar a atuação no organismo, principalmente a capacidade de atingir o tecido nervoso. Além disso, recorreram a células experimentais e, dessa forma, constataram a formação de neuritos. As estruturas, conforme explicam, contribuem para a neuroplasticidade. Ou seja, permitem que o cérebro se reorganize e crie novas conexões, evitando danos cognitivos.
Segundo o estudo, o própolis ainda aumentou a quantidade das proteínas sinapsina I e GAP-43, indicadores de que o cérebro segue em regeneração, e apresentou propriedades antioxidantes. O produto, portanto, não somente estimulou o crescimento de neurônios, como impediu o ataque de moléculas reativas associadas à doenças neurodegenerativas.
Na opinião dos pesquisadores, os resultados revelam novas estratégias para prevenir e controlar diagnósticos que impactam o sistema nervoso. Entretanto, ainda são necessários novos estudos para entender como utilizar as substâncias naturais em tratamentos. “Esses compostos podem desempenhar um papel importante na plasticidade axonal e sináptica e devem ser investigados mais a fundo”, afirmam os especialistas em artigo publicado no Chemistry and Biodiversity.
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