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Alta ingestão de ultraprocessados na primeira infância pode trazer prejuízos no comportamento
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Alta ingestão de ultraprocessados na primeira infância pode trazer prejuízos no comportamento

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Bons Fluidos
09/03/2026 17h00
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A alimentação na primeira infância (ou seja, nos primeiros anos de vida), desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das crianças. Não apenas no crescimento físico, mas também no equilíbrio emocional e comportamental.

Um estudo recente publicado na revista científica JAMA Network Open chama atenção para esse tema ao apontar uma possível relação entre o consumo frequente de alimentos ultraprocessados na infância e mudanças no comportamento alguns anos depois.

De acordo com os pesquisadores, crianças que consumiam maiores quantidades desse tipo de alimento aos 3 anos de idade apresentaram, aos 5 anos, maior probabilidade de desenvolver sintomas como ansiedade, medo excessivo, agressividade ou hiperatividade.

Pequenas mudanças podem fazer diferença

Os cientistas observaram que, a cada aumento de 10% nas calorias provenientes de alimentos ultraprocessados, as crianças apresentavam pontuações mais elevadas em avaliações de dificuldades emocionais e comportamentais.

Por outro lado, o cenário se mostrou diferente quando parte desses alimentos foi substituída por opções naturais. Quando 10% das calorias de ultraprocessados eram trocadas por alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras e grãos integrais, o risco de problemas comportamentais diminuía.

“Nossos resultados sugerem que mesmo mudanças modestas em direção a alimentos minimamente processados, como frutas e vegetais inteiros, na primeira infância, podem contribuir para um desenvolvimento comportamental e emocional mais saudável”, disse a pesquisadora sênior Dra. Kozeta Miliku, professora assistente de ciências nutricionais da Universidade de Toronto, em um comunicado.

Como a pesquisa foi feita

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram dados de quase 2.100 crianças em idade pré-escolar no Canadá. A equipe avaliou os padrões alimentares quando as crianças tinham 3 anos de idade e, dois anos depois, comparou essas informações com pontuações obtidas em questionários que medem o bem-estar emocional e comportamental. O objetivo era entender se existia alguma relação entre a qualidade da alimentação e aspectos do comportamento infantil.

A realidade das famílias

A própria pesquisadora destaca que, na prática, reduzir o consumo de ultraprocessados pode não ser tão simples para muitas famílias. “Como mãe de uma criança pequena, comecei a notar com que frequência os alimentos processados aparecem na alimentação infantil, às vezes até em locais que consideramos ambientes saudáveis. Os pais estão fazendo o melhor que podem, mas nem todas as famílias têm acesso a alimentos com um único ingrediente, ou às ferramentas e ao tempo necessários para incorporá-los à alimentação de suas famílias. Os alimentos ultraprocessados são amplamente disponíveis, acessíveis e convenientes”, Miliku aponta.

Por que os ultraprocessados preocupam

Segundo os cientistas, os alimentos ultraprocessados costumam ser ricos em gorduras saturadas, açúcar e sódio, nutrientes que, em excesso, podem favorecer processos inflamatórios no organismo. Essa inflamação pode interferir no funcionamento do cérebro, especialmente em crianças pequenas – fase considerada crucial para o desenvolvimento neurológico e emocional.

O que são alimentos ultraprocessados

Os ultraprocessados passam por diversas etapas industriais e normalmente contêm cinco ou mais ingredientes, incluindo aditivos que modificam sabor, textura, cor ou aumentam o tempo de conservação. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, entram nessa categoria alimentos como:

Especialistas reforçam que o equilíbrio alimentar – com mais alimentos naturais e menos produtos ultraprocessados – pode ser um aliado importante não apenas para a saúde física, mas também para o desenvolvimento emocional das crianças.

Leia também: Excesso de ultraprocessados afeta fome e saciedade em jovens”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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