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Câncer de esôfago: 3 fatores para prevenir a doença
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Câncer de esôfago: 3 fatores para prevenir a doença

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Bons Fluidos
07/04/2026 22h00
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Abril marca a campanha Azul-Claro, voltada à conscientização sobre o câncer de esôfago – uma doença considerada agressiva e que, muitas vezes, evolui de forma silenciosa. No Brasil, o número de casos tem chamado atenção: são mais de 11 mil novos diagnósticos por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), com maior incidência entre homens acima dos 50 anos.

“Trata-se de um câncer silencioso, muitas vezes diagnosticado tardiamente, o que dificulta o tratamento e piora o prognóstico”, explica o Dr. Ramon Andrade de Mello, oncologista. Justamente por isso, entender os fatores de risco e investir em prevenção pode fazer toda a diferença.

Um câncer que começa sem sinais claros

O câncer de esôfago afeta o canal que liga a boca ao estômago e, em muitos casos, não apresenta sintomas nas fases iniciais. Isso faz com que o diagnóstico aconteça apenas quando a doença já está mais avançada. O tipo mais frequente no país é o carcinoma espinocelular, que está diretamente ligado a agressões constantes à mucosa do esôfago – muitas delas relacionadas a hábitos comuns.

O impacto do cigarro e do álcool no organismo

Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas. O cigarro, por si só, já representa uma ameaça importante. As substâncias tóxicas presentes na fumaça entram em contato direto com o esôfago, provocando alterações nas células ao longo do tempo. Estudos indicam que fumantes podem ter um risco até cinco vezes maior de desenvolver esse tipo de câncer.

Já o álcool atua de forma complementar e preocupante. “O etanol é metabolizado em acetaldeído, uma substância altamente tóxica e classificada como carcinogênica. Quando o consumo de álcool é associado ao tabagismo, os riscos não se somam – eles se multiplicam. Pesquisas mostram que a combinação dos dois hábitos pode elevar o risco de câncer de esôfago em mais de 30 vezes, em comparação a indivíduos que não fumam nem bebem”, diz o especialista.

A alimentação também entra nessa conta

A forma como você se alimenta diariamente também influencia diretamente na saúde do esôfago. Dietas pobres em frutas, verduras e legumes tendem a aumentar o risco da doença, enquanto uma alimentação rica nesses alimentos atua como fator de proteção. Isso porque eles fornecem fibras, vitaminas e antioxidantes, que ajudam a reduzir inflamações e proteger as células.

Por outro lado, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados – ricos em sódio, conservantes e aditivos – pode prejudicar o funcionamento do sistema digestivo e favorecer processos inflamatórios.

Prevenção possível – e mais simples do que parece

Embora nem todos os casos possam ser evitados, existem escolhas que reduzem significativamente os riscos. Evitar o cigarro, moderar ou eliminar o consumo de álcool e investir em uma alimentação equilibrada são atitudes que fazem diferença real ao longo do tempo.

“A boa notícia é que, mesmo entre pessoas que fumaram ou beberam por longos períodos, a interrupção desses hábitos ainda oferece benefícios. A redução no risco de câncer começa já nos primeiros anos após parar de fumar ou beber e continua a cair com o tempo. Prevenir o câncer de esôfago não exige medidas drásticas ou inacessíveis. Trata-se, sobretudo, de escolhas consistentes no dia a dia: trocar o cigarro por uma caminhada, substituir bebidas alcoólicas por sucos naturais e incluir mais vegetais no prato. São mudanças simples, mas que, com base científica sólida, podem representar uma diferença significativa para a saúde a longo prazo”, explica o Dr. Ramon.

Como ocorre o tratamento

O tratamento do câncer de esôfago varia de acordo com o estágio da doença e as condições de cada paciente. Em casos iniciais, a cirurgia para retirada parcial ou total do esôfago pode ser indicada. Já a quimioterapia e a radioterapia utilizam-se antes ou depois da cirurgia – ou como forma de controle da doença em fases mais avançadas.

Nos últimos anos, novas abordagens têm ampliado as possibilidades de tratamento. A imunoterapia, por exemplo, estimula o próprio sistema imunológico a combater as células tumorais, enquanto terapias-alvo atuam de forma mais específica em determinadas alterações do câncer.

Além disso, o acompanhamento multiprofissional é essencial. Como a doença pode dificultar a alimentação, o suporte nutricional e o cuidado emocional fazem parte do processo terapêutico.

Um olhar mais atento para a saúde

O câncer de esôfago reforça um ponto importante: a saúde se constroi no dia a dia. Mais do que intervenções complexas, são as escolhas repetidas – o que você come, como cuida do corpo, quais hábitos mantém – que influenciam diretamente o seu futuro. E, muitas vezes, prevenir começa com algo simples: prestar atenção ao que pode mudar hoje.

Sobre o especialista

Dr. Ramon Andrade de Mello é médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). 

*Fonte: Holding Comunicação

Leia também: DIU hormonal e câncer de mama: o que se sabe sobre esse elo”

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