Canistel: fruta doce e tropical ainda é pouco conhecida pelos brasileiros
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Pouco conhecida no Brasil, mas cada vez mais presente em pomares domésticos, a canistel é uma fruta que desperta curiosidade logo no primeiro contato. Amarela por fora, intensamente dourada por dentro e com uma textura que lembra a gema de ovo cozida – ou até um doce de leite mais firme – ela reúne sabor marcante, alto valor nutricional e fácil adaptação ao clima tropical.
Também chamada de fruta-ovo, sapota-amarela ou eggfruit, a canistel vem conquistando espaço entre quem busca diversidade alimentar, cultivo sustentável e ingredientes naturais para receitas saudáveis.
Uma fruta que surpreende na textura e no sabor
A principal característica da canistel está na polpa densa e cremosa, quase seca, que foge do padrão das frutas tropicais mais suculentas. O sabor é adocicado e suave, com notas que lembram batata-doce assada, abóbora e, para alguns paladares, um toque de doce de leite.
Essa combinação faz com que ela seja muito versátil na cozinha. Pode consumir-se ao natural, batida com leite ou bebidas vegetais, transformada em purês, mousses, sorvetes ou usada em preparações de confeitaria sem necessidade de açúcar adicional.
Origem antiga, chegada recente ao Brasil
Nativa da América Central e do sudeste do México, a canistel era cultivada por povos maias e astecas muito antes de chegar aos mercados modernos. No Brasil, a fruta foi introduzida oficialmente na década de 1980, a partir de parcerias entre instituições de pesquisa, e passou a ser estudada como alternativa para a fruticultura tropical. Apesar de ainda ser rara em feiras e supermercados, seu cultivo vem crescendo, especialmente em quintais, sítios e pequenas produções, graças à rusticidade da planta e à boa aceitação em regiões quentes.
Como é a planta da canistel
A canisteleira é uma árvore perene de porte médio, que pode atingir até 10 ou 12 metros de altura, com copa densa e folhas verdes e brilhantes. Bastante resistente, tolera períodos de seca e se adapta bem a diferentes tipos de solo, desde que haja boa drenagem. Os frutos variam de formato (arredondados, ovais ou alongados) e costumam pesar entre 250 e 500 gramas. Cada unidade pode conter de uma a quatro sementes grandes e escuras.
Dicas básicas de cultivo
Para quem deseja plantar canistel em casa, alguns cuidados fazem toda a diferença:
- Sol pleno: a planta precisa de pelo menos seis horas diárias de sol direto;
- Solo bem drenado: excesso de água pode apodrecer as raízes;
- Matéria orgânica: enriquecimento do solo favorece frutos mais nutritivos;
- Regas moderadas: manter a umidade sem encharcar;
- Poda de limpeza: melhora a circulação de ar e a saúde da copa.
A produção geralmente começa entre dois e quatro anos após o plantio, e a colheita ocorre quando os frutos estão amarelados e levemente firmes ao toque.
Benefícios nutricionais que chamam atenção
Além do sabor peculiar, a canistel se destaca pelo perfil nutricional. A fruta é rica em vitamina A, graças à alta concentração de betacaroteno, nutriente importante para a visão, a imunidade e a saúde da pele. Também fornece boas quantidades de niacina (vitamina B3), essencial para o metabolismo energético e o funcionamento do sistema nervoso.
Outros minerais presentes incluem cálcio, ferro e fósforo, além de fibras que auxiliam a digestão e contribuem para o controle glicêmico. A polpa ainda possui compostos antioxidantes, que ajudam a combater os radicais livres e o envelhecimento precoce.
Em alguns países, a indústria de cosméticos também aproveita a canistel, especialmente em máscaras faciais e produtos para a pele, por conta de suas propriedades antioxidantes. Há registros tradicionais do uso da casca para cicatrização de pequenos cortes, embora esse tipo de aplicação exija sempre orientação profissional.
Uma fruta para redescobrir
Exótica para muitos brasileiros, a canistel reúne tudo o que a alimentação contemporânea valoriza: origem ancestral, cultivo possível em casa, alto valor nutricional e múltiplas formas de consumo. Pode não agradar a todos os paladares à primeira mordida, mas quem se permite experimentar costuma descobrir um ingrediente curioso, funcional e cheio de personalidade. Talvez seja só uma questão de tempo até que essa “fruta-ovo” ganhe o destaque que merece na mesa e nos quintais tropicais.
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