Carnaval: beijo, suor e pegação
Bons Fluidos

Tudo bem, Carnaval é festa, encontro, liberdade e excesso. Mas, nem sempre só alegria. No meio de tanta empolgação, pouca gente para para pensar a quantos riscos nossa saúde está exposta. E aqui nem vou entrar no âmbito sexual. O calor intenso, o suor constante, a desidratação, o pouco sono e o consumo exagerado de álcool criam um cenário perfeito para que a imunidade caia e o organismo fique mais vulnerável.
Nos bloquinhos, o famoso esfrega-esfrega é inevitável. Corpos se encostam, se apertam, se esfregam por horas. A pele fica úmida, sofre atrito constante e aos poucos, perde sua função de barreira, somados a um troca- troca de suor, para não falar coisa pior. Quando isso acontece, bactérias, fungos e vírus encontram uma porta de entrada. Muitas vezes, o corpo só vai dar sinais dias depois, quando a festa já acabou.
Eu falo isso por experiência própria. Em um Carnaval, acordei no dia seguinte com as costas completamente tomadas por foliculite. A pele inflamou, doeu e acabou com a minha festa. O que era para ser mais um dia de bloco virou um retorno antecipado para casa. O corpo avisou, e eu precisei ouvir.
O que você pode contrair no esfrega-esfrega dos bloquinhos
No contato direto entre corpos suados, algumas condições de pele se tornam muito comuns. A foliculite, causada principalmente por bactérias que já vivem na pele, aparece como pequenas bolinhas inflamadas ou com pus, especialmente em costas, glúteos e coxas. Pode durar dias ou semanas e costuma melhorar com cuidados locais e, em alguns casos, tratamento orientado por profissionais de saúde.
O impetigo é outra infecção bacteriana frequente quando há pequenas feridas, arranhões ou assaduras. As lesões costumam formar crostas e se espalham facilmente pelo contato pele a pele. Com o tratamento adequado, o quadro costuma se resolver em uma a duas semanas.
Entre os fungos, as micoses de dobras são campeãs no Carnaval. Virilha, axilas, entre as nádegas e embaixo dos seios são regiões onde calor e umidade favorecem a proliferação. Coceira, vermelhidão e ardor são sinais comuns. Sem tratamento, o problema pode se arrastar por semanas.
A candidíase cutânea segue a mesma lógica. Aproveita a umidade excessiva e a queda da imunidade para se manifestar com lesões avermelhadas, doloridas e desconfortáveis, exigindo tratamento específico e cuidados com a secagem da pele.
Também é comum a reativação da herpes cutânea, causada por um vírus que permanece adormecido no organismo. O estresse físico do Carnaval pode desencadear crises que duram, em média, de sete a dez dias, geralmente acompanhadas de ardor e desconforto antes mesmo das lesões aparecerem.
E o beijo? O que está por trás da pegação
No Carnaval, beijar uma pessoa atrás da outra virou quase um esporte. O que pouca gente lembra é que o beijo envolve saliva, mucosas e pequenas lesões invisíveis. Quando a imunidade está baixa, o risco de transmissão aumenta.
A herpes labial é a infecção mais comum associada ao beijo. Causada por um vírus, provoca bolhas doloridas nos lábios ou ao redor da boca e pode ser transmitida mesmo quando ainda não há feridas visíveis. As crises costumam durar cerca de uma semana.
A mononucleose, conhecida como doença do beijo, também é transmitida pela saliva. Provoca cansaço intenso, dor de garganta, febre e mal-estar geral, com sintomas que podem durar semanas e exigem repouso e hidratação.
Além disso, infecções bacterianas da boca, como inflamações gengivais, podem ser transmitidas ou agravadas pelo beijo, especialmente quando há aftas ou sangramentos. Vírus respiratórios também circulam com mais facilidade nesse contexto e, muitas vezes, só se manifestam depois que a folia termina.
Cuidar do corpo também faz parte da festa
A hidratação é uma das formas mais importantes de prevenção. Beber água ao longo do dia ajuda o organismo como um todo e fortalece a pele como barreira natural. Banhos após o bloco ajudam a remover suor e microrganismos, mas devem ser mornos e sem excesso de sabonete para não ressecar a pele.
O uso de hidratantes ajuda a restaurar a proteção da pele, especialmente após o banho. Já o filtro solar protege contra os danos do sol, mas não impede infecções. Ainda assim, evitar queimaduras ajuda a manter a pele mais resistente. Trocar roupas suadas, deixar a pele respirar e observar sinais como ardor, coceira ou dor são atitudes simples que fazem diferença.
Não se trata de se privar, mas de cuidar. Carnaval além da troca de energia é também troca de microrganismos. Curtir com consciência ajuda a garantir que a alegria não vire desconforto ou tristeza depois.
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