Dia Mundial da Obesidade: doença aumenta risco de doenças cardíacas e diabetes em 400 a 700%
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“No dia 4 de março, o mundo volta os olhos para um tema urgente: a obesidade. Mais do que uma questão estética, trata-se de um desafio global de saúde pública. Atualmente, cerca de 1 bilhão de pessoas convivem com sobrepeso ou obesidade – e, em média, esses pacientes levam até seis anos após perceber os primeiros sinais de dificuldade com o peso para buscar ajuda médica.
O impacto vai muito além da balança. Entre os três principais fatores de risco cardiovascular (dislipidemia, hipertensão e diabetes), o excesso de peso tem papel decisivo, elevando em 400% a 700% as chances de desenvolver essas condições.
“Cerca de 45% das pessoas diagnosticadas com hipertensão são portadoras da obesidade/sobrepeso, 35% daquelas que têm dislipidemia tem sobrepeso ou obesidade e 90% dos diabéticos estão em sobrepeso ou são obesos. A obesidade também aumenta o risco de doença cardíaca coronariana, doença cerebrovascular e insuficiência cardíaca”, explica Dra. Deborah Beranger, endocrinologista.
Importância na redução da doença
Diante desse cenário, o alerta é claro: “Reduzir a obesidade no mundo deve ser uma prioridade de saúde pública, bem como proteger a saúde cardiovascular e metabólica desses pacientes”, acrescenta a médica. Ao longo das últimas décadas, a forma de tratar a obesidade passou por uma transformação importante. Há cerca de 30 anos, o foco da indústria farmacêutica estava nas anfetaminas, e o excesso de peso ainda não era oficialmente reconhecido como doença.
“Essas medicações causavam muitos efeitos colaterais como taquicardia, insônia, irritabilidade e aumento do risco de infarto e AVC. Hoje encaramos a obesidade como doença multifatorial, buscamos medicações como as canetas, que são eficazes, seguras e que reduzem o risco cardiovascular. Além disso, em se tratando de doença crônica, o tratamento não pode ser pontual e sim crônico para que o resultado seja permanente. Sempre lembrando que sem mudança de estilo de vida como melhora da qualidade alimentar e redução da ingestão calórica e atividade física regular é inviável termos saúde e qualidade de vida”, diz a Dra.
Surgimento das canetas emagrecedoras
Entre os avanços recentes, estão as chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos que atuam como análogos do GLP-1, um hormônio relacionado à saciedade. “Essas canetas são análogos de um hormônio chamado GLP-1 que causa saciedade e acelera o metabolismo. Elas atuam no cérebro aumentando a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico dando uma sensação de que comemos mais. São indicadas para tratamento de obesidade ou de sobrepeso com mais um fator de risco como hipertensão arterial, diabetes Mellitus por exemplo. Elas ajudam a perder peso e diminuem o risco de infarto e AVC já que reduzem a gordura corporal. Os principais efeitos colaterais são enjoo e constipação. Os resultados aparecem desde o primeiro mês”, completa a médica.
Ainda assim, os especialistas reforçam: medicamento sozinho não resolve. A mudança de estilo de vida é parte essencial do processo. “Os exercícios físicos ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue e, a longo prazo, são responsáveis por melhores chances de manutenção do peso, além de equilíbrio nas funções bioquímicas do organismo que preservam as estruturas do DNA celular e evitam o desenvolvimento de doenças”, explica Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga.
Alimentação é fundamental
Outro ponto-chave é a qualidade da alimentação. Mais do que contar calorias, é preciso olhar para o que está no prato. “Apesar de ser um dado importante, é absolutamente equivocado focar apenas nas calorias como fator de escolha para consumo alimentar. Muito mais relevante é conhecer a composição dos alimentos e suas funcionalidades. Você pode emagrecer comendo algodão doce ou fast food, o que é difícil, mas possível, se você controlar a porção e estiver em déficit calórico (comer menos do que se gasta)”, explica.
“Mas não se trata, apenas, de diminuir o consumo calórico e sim, de fornecer também, o aporte nutrológico adequado ao organismo. Então, na alimentação é fundamental fazer boas escolhas, dentre elas os vegetais, legumes e folhas, ricos em vitaminas, minerais, antioxidantes, enfim, fitoquímicos importantes às funções celulares, além de inclusão de carboidratos complexos, ricos em fibras e uma adequada ingestão dos outros macronutrientes que são as proteínas magras e vegetais, não esquecendo das gorduras boas”, esclarece a nutróloga.
Papel dos antioxidantes
Ela também destaca o papel dos antioxidantes na proteção do organismo: “Uma alimentação rica em antioxidantes é de grande ajuda para combater os radicais livres, moléculas relacionadas a uma série de alterações no organismo, desde envelhecimento precoce até câncer. Os antioxidantes são encontrados em frutas, temperos, ervas, folhas, vegetais e legumes”, diz.
Por fim, a orientação é priorizar alimentos frescos, variar os grupos alimentares e buscar equilíbrio. “Os hábitos alimentares adequados são essenciais para uma expectativa de vida longeva e com saúde. Porque as funções do organismo dependem de nutrientes que devem estar presentes na dieta, pois não podem ser sintetizados, ao mesmo tempo que o excesso de calorias pode trazer consequências negativas, portanto devem ser controladas. É fundamental procurar ajuda médica especializada para controlar o peso, passar a comer melhor e evitar doenças”, finaliza a Dra. Marcella.
Sobre as especialistas
Dra. Deborah Beranger é endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio De Janeiro (SCMRJ) e pós-graduação em Terapia Intensiva na Faculdade Redentor/AMIB.
Dra. Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN.
*Fonte: Holding Comunicação
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