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Estudo alerta: noite mal dormida agrava quadro de doença pulmonar crônica e aumenta risco de morte
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Estudo alerta: noite mal dormida agrava quadro de doença pulmonar crônica e aumenta risco de morte

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Bons Fluidos
24/06/2026 11h15
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A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é amplamente conhecida por causar severas dificuldades respiratórias e limitar tarefas simples do dia a dia. Por outro lado, as pessoas costumam lembrar da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (Saos) apenas por causa dos roncos intensos e cansaço diurno. Contudo, quando essas duas condições se encontram no mesmo organismo, o impacto na força e na qualidade dos músculos é avassalador.

Um estudo recente publicado na renomada revista ‘Scientific Reports‘ revelou que a associação dessas enfermidades acelera o enfraquecimento físico e eleva os riscos clínicos. “Embora seja geralmente associada apenas à função pulmonar, a doença pulmonar obstrutiva crônica é sistêmica, com impactos múltiplos. Quando combinada com a síndrome da apneia obstrutiva do sono, os danos musculares se agravam, levando à perda de força e a desfechos clínicos mais graves, como hospitalizações e maior risco de morte, em comparação com pacientes apenas com DPOC. Por isso, alertamos ser fundamental investigar a qualidade do sono em todos os pacientes com DPOC”, explica Audrey Borghi Silva, coordenadora do Laboratório de Fisioterapia Cardiopulmonar da UFSCar, à ‘Agência Einstein‘.

A perda de força medida em números

Para entender esse impacto prático, os pesquisadores avaliaram 44 voluntários. Metade dos pacientes sofria apenas com a DPOC, enquanto a outra metade convivia com as duas doenças ao mesmo tempo. Os testes revelaram quedas assustadoras de rendimento no grupo com a sobreposição de diagnósticos:

  • Força das mãos: A força de preensão palmar caiu de uma média de 30 quilograma-força (kgf) nos pacientes com DPOC isolada para apenas 26 kgf naqueles que também tinham apneia.

  • Capacidade de caminhada: Em um teste de caminhada de seis minutos, quem tinha as duas condições percorreu, em média, apenas 300 metros. Já quem tinha apenas a doença pulmonar alcançou 364 metros.

Nesse sentido, a distância abaixo de 350 metros acende uma luz vermelha na medicina, pois está estatisticamente ligada a maiores taxas de internação e mortalidade.

O verdadeiro vilão da noite: apneia do sono

A gravidade da apneia costuma ser medida pelo número de vezes que a pessoa para de respirar por hora. No entanto, os cientistas descobriram que o verdadeiro destruidor dos músculos não é a quantidade de pausas respiratórias, mas sim o Índice de Dessaturação de Oxigênio (IDO) — ou seja, o quanto o nível de oxigênio no sangue despenca durante a noite.

“Isso sugere que a hipóxia noturna intermitente, ao comprometer a oxigenação tecidual, pode ser um mecanismo fisiopatológico central na perda de massa e função muscular em pacientes com DPOC e Saos, possivelmente por meio de estresse oxidativo, inflamação sistêmica e disfunção metabólica muscular”, destaca Patrícia Faria Camargo, investigadora principal do estudo, fruto de seu doutorado.

Isso acontece porque ambas as doenças atacam as mitocôndrias, que funcionam como as usinas de energia das nossas células. Sem oxigênio e sob constante inflamação, os músculos perdem a capacidade de contração e regeneração, criando um ciclo de fraqueza.

Como controlar o problema?

Apesar de a DPOC não ter cura, ela pode ser muito bem controlada com medicamentos, atividades físicas regulares, alimentação equilibrada e, acima de tudo, com a interrupção do tabagismo.

Da mesma forma, tratar a apneia do sono é essencial para salvar os músculos e proteger o coração. O uso noturno do CPAP (um aparelho que joga ar levemente nas vias aéreas impedindo o fechamento da garganta) é o tratamento padrão dourado.

Em suma, adotar medidas simples de higiene do sono e evitar o consumo de bebidas alcoólicas ou sedativos antes de deitar são atitudes fundamentais para manter o equilíbrio respiratório e devolver a qualidade de vida ao paciente.

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