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Infecção urinária: os sinais que muita gente não percebe
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Infecção urinária: os sinais que muita gente não percebe

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Bons Fluidos
23/06/2026 20h00
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Nem toda infecção urinária começa com ardor, dor ao urinar ou vontade constante de ir ao banheiro. Às vezes, ela se manifesta de forma discreta e pode ser descoberta apenas quando o corpo dá um sinal mais sério.

Foi o que aconteceu há poucos dias com uma prima minha. Ela não tinha febre, não relatava ardor ao urinar nem outros sintomas típicos. Estava caminhando quando desmaiou. Já no hospital, durante a investigação, os exames revelaram uma infecção urinária importante.

O episódio foi um alerta para toda a família. Inclusive, escrevo este texto tomando um copão d’água. Ele também trouxe uma reflexão que vale para todos nós: a infecção urinária é comum e, na maioria das vezes, tratável, mas não deve ser subestimada. Nem sempre o corpo avisa da maneira que esperamos.

Não é um problema apenas das mulheres

Quando se fala em infecção urinária, muita gente pensa automaticamente nas mulheres. E há uma razão para isso: elas realmente apresentam o problema com mais frequência. A uretra feminina é mais curta e fica mais próxima da região anal, o que facilita a entrada de bactérias na bexiga. Gravidez, menopausa, alterações hormonais e atividade sexual também podem aumentar a predisposição em determinados momentos da vida.

Mas homens também podem ter infecção urinária. Neles, especialmente com o avanço da idade, um episódio merece atenção, pois pode estar relacionado ao aumento da próstata, à dificuldade para esvaziar completamente a bexiga, a cálculos urinários ou a outras alterações do trato urinário.

Em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, os sintomas também podem se apresentar de maneira diferente. Por isso, mais importante do que esperar pelo sinal clássico é observar mudanças persistentes no corpo e buscar avaliação profissional quando necessário.

O que é uma infecção urinária?

A infecção do trato urinário, também chamada de ITU, acontece quando microrganismos, geralmente bactérias, se multiplicam em alguma parte do sistema urinário. Ela pode atingir a uretra e a bexiga, situação mais comum e conhecida como cistite. Em alguns casos, a infecção pode alcançar os rins, causando um quadro mais grave, chamado pielonefrite.

A maioria das infecções urinárias pode ser tratada de forma adequada quando identificada cedo. O problema é que, sem diagnóstico e tratamento corretos, alguns quadros podem evoluir e comprometer mais intensamente a saúde da pessoa.

Quais são os sinais mais comuns?

Os sintomas mais conhecidos incluem ardor ou dor ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência para ir ao banheiro e a sensação de que a bexiga não esvaziou completamente.

Também podem ocorrer desconforto no baixo-ventre, pressão na região pélvica, urina turva, odor mais forte ou presença de sangue na urina.

Mas é importante lembrar que urina escura ou com cheiro forte, sozinhos, não confirmam infecção urinária. Muitas vezes, isso pode estar relacionado à urina mais concentrada, algo comum quando a pessoa bebe pouca água.

Quando surgem febre, calafrios, dor nas costas ou na lateral do corpo, náuseas, vômitos, fraqueza intensa, confusão mental, piora importante do estado geral ou desmaio, é necessário procurar atendimento médico com urgência. Esses sinais podem indicar uma infecção mais séria ou outro problema que precisa de investigação rápida.

Quando a infecção parece silenciosa

Nem todas as pessoas percebem os sintomas de forma clara. Algumas sentem apenas mal-estar, cansaço, desconforto leve ou uma mudança no padrão urinário. Outras podem atribuir os sinais ao estresse, à rotina corrida ou a uma indisposição passageira.

Isso não quer dizer que toda fadiga seja uma infecção urinária. Mas significa que sintomas persistentes, repetidos ou associados a febre, dor, piora do estado geral ou alterações urinárias merecem atenção.

Em casos de infecção recorrente, a investigação se torna ainda mais importante. Episódios repetidos podem estar relacionados a fatores como cálculos urinários, alterações no esvaziamento da bexiga, menopausa, gravidez, diabetes, problemas renais ou outras condições que precisam ser avaliadas individualmente por um profissional de saúde.

Água ainda é a principal bebida para hidratar

A hidratação adequada não impede todas as infecções urinárias, mas ajuda o organismo a manter a produção regular de urina e pode colaborar com a saúde do trato urinário.

Na rotina atual, muitas pessoas passam o dia consumindo café, refrigerante, bebidas energéticas ou sucos industrializados e acabam deixando a água em segundo plano. Essas bebidas não substituem a água.

Café e refrigerantes não são, por si só, a causa de uma infecção urinária. No entanto, em algumas pessoas, a cafeína pode aumentar a urgência urinária ou irritar a bexiga. Além disso, quando a água é pouco consumida, a urina pode ficar mais concentrada.

O ideal é distribuir a ingestão de água ao longo do dia. Pessoas com doenças cardíacas, renais ou outras condições que exigem controle de líquidos devem seguir a orientação individual da equipe de saúde.

Cerveja e vinho não hidratam

Também é importante desfazer um mito comum: cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas não substituem a água.

Embora sejam líquidos, as bebidas alcoólicas podem aumentar a produção de urina e favorecer a perda de líquidos. Isso acontece porque o álcool interfere em mecanismos do organismo ligados à retenção de água. Na prática, a pessoa pode urinar mais e ficar mais suscetível à desidratação, especialmente quando bebe sem intercalar água.

Além disso, o álcool pode irritar a bexiga em algumas pessoas e piorar sintomas como urgência urinária e desconforto. Por isso, não faz sentido considerar cerveja ou vinho como formas de hidratação ou de prevenção de infecção urinária.

Para hidratar o corpo, a principal escolha continua sendo a água. Para quem consome bebida alcoólica, intercalar com água pode ajudar a reduzir a desidratação, mas não transforma o álcool em uma bebida hidratante.

Cranberry: onde ele pode ajudar?

O cranberry, também conhecido como oxicoco, é bastante citado quando o assunto é infecção urinária recorrente. A fruta contém compostos chamados proantocianidinas, especialmente as do tipo A, que podem dificultar a adesão de determinadas bactérias, principalmente a Escherichia coli, às paredes do trato urinário.

Em outras palavras, o cranberry pode ajudar a reduzir a chance de novas infecções em algumas pessoas, especialmente naquelas que apresentam episódios recorrentes.

Mas é fundamental separar prevenção de tratamento. Cranberry não trata uma infecção urinária ativa, não substitui consulta médica, não substitui urocultura e não deve atrasar o início do tratamento indicado quando há sintomas.

O suco de cranberry pode ser uma opção para quem gosta, mas é preciso observar a quantidade de açúcar em versões industrializadas. Para quem não aprecia o sabor, existem cápsulas e extratos disponíveis em farmácias e farmácias de manipulação. Ainda assim, a escolha deve ser feita com orientação de médico, nutricionista ou farmacêutico, principalmente para pessoas que usam medicamentos contínuos ou têm doenças prévias.

Cranberry pode ser um aliado complementar em estratégias de prevenção, mas não é uma solução isolada.

Como é feito o tratamento?

Quando a infecção urinária é confirmada e há indicação, o tratamento pode incluir antibióticos prescritos por profissional de saúde. A escolha do medicamento depende de vários fatores: tipo de infecção, intensidade dos sintomas, resultado da urocultura, alergias, gravidez, função dos rins e histórico da pessoa.

Por isso, automedicação não é segura. Usar um antibiótico inadequado pode não resolver o problema, mascarar sintomas e favorecer a resistência bacteriana.

Além do tratamento prescrito, medidas como hidratação adequada, repouso quando necessário e acompanhamento dos sintomas podem fazer parte do cuidado. Em casos de febre, dor lombar, vômitos, desmaio, piora importante ou dificuldade para ingerir líquidos, a recomendação é procurar atendimento de urgência.

Quais exames podem detectar uma infecção urinária?

A avaliação começa pela consulta e pela análise dos sintomas. Entre os exames mais comuns estão:

Exame de urina tipo 1, também chamado de EAS: avalia elementos presentes na urina, como leucócitos, sangue, nitrito e outros sinais que podem sugerir inflamação ou infecção.

Urocultura: identifica se há crescimento de bactérias na urina e qual microrganismo está envolvido. Quando necessário, o exame vem acompanhado do antibiograma, que mostra quais antibióticos tendem a ser mais eficazes para aquele caso.

Exames de sangue: podem ser solicitados quando há febre, piora importante do estado geral, suspeita de infecção mais grave ou necessidade de avaliar o funcionamento dos rins.

A urocultura é especialmente importante quando a infecção se repete, quando os sintomas são mais intensos ou quando o tratamento não está funcionando como esperado. Ela ajuda a evitar o uso inadequado de antibióticos e permite uma conduta mais precisa.

O principal recado: não ignore os sinais

A história da minha prima trouxe uma lição importante: o corpo nem sempre avisa com sinais claros e intensos. Às vezes, os sintomas aparecem de forma discreta, persistente ou diferente do que imaginamos.

Infecção urinária é comum e, na maioria das vezes, tratável. Mas pode se tornar séria quando não é reconhecida, quando há fatores de risco ou quando surgem sinais de complicação.

Beber água, não segurar a urina por muitas horas, buscar avaliação diante de sintomas persistentes e evitar automedicação são atitudes simples que podem fazer diferença.

Se houver ardor para urinar, urgência, sangue na urina, febre, dor nas costas, náuseas, mal-estar intenso ou qualquer piora importante, o melhor caminho é procurar atendimento profissional. Cuidar cedo é sempre mais seguro do que esperar o quadro avançar.

Leia também: Que fruta pode ser solução natural para infecção urinária?”

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