Março azul e a conscientização sobre câncer colorretal, um dos mais frequentes no Brasil
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A campanha Março Azul-Marinho dedica-se à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal (intestino). Trata-se de um dos tumores mais incidentes e letais no Brasil – ficando atrás apenas dos tumores de pele não melanoma.
“O câncer colorretal é uma doença maligna do aparelho digestivo, que acomete o intestino grosso. Mas, na verdade, o termo ‘câncer colorretal’ refere-se ao agrupamento de dois tipos de neoplasias do intestino grosso: o câncer de cólon e o câncer de reto. Quando esse tumor está localizado em até 10 centímetros da margem anal, dizemos que é um câncer de reto. Já entre 10 a 12 centímetros dessa margem, é a transição sigmoide. E, acima de 12 centímetros, um câncer de cólon”, detalha o médico oncologista, Dr. Ramon Andrade de Mello.
Fatores de risco
Segundo o oncologista, os principais fatores de risco das neoplasias colorretais são obesidade, consumo de alimentos processados e um estilo de vida sedentário. “A idade também é um fator de risco importante. Há uma maior suscetibilidade para o desenvolvimento desse tipo de neoplasia após os 50 anos”, destaca.
“Um dos principais métodos para o rastreamento das neoplasias colorretais é o exame chamado de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ele deve ser feito anualmente e, dependendo do resultado, o médico poderá indicar uma investigação mais aprofundada, com exames como retossigmoidoscopia ou mesmo a colonoscopia total”, diz o Dr. Ramon. Em alguns casos, como de histórico familiar de doenças genéticas associadas às neoplasias do intestino, acontece indicação direta para realização da colonoscopia, sem precisar realizar o teste.
Principais tratamentos
“Já o câncer de cólon, geralmente, é tratado logo de início com a cirurgia. E depois, dependendo do resultado anatomopatológico, ou seja, da avaliação da peça da biópsia cirúrgica, o médico avalia a indicação ou não de quimioterapia complementar”, detalha.
Já na doença avançada metastática, tanto o câncer de cólon quanto o de reto têm uma modalidade de tratamento muito semelhante. “Normalmente, o tratamento é por terapia sistêmica antineoplásica. Ele inclui quimioterapia, terapias-alvo e também a imunoterapia em alguns casos selecionados”, diz o oncologista, que explica que a escolha dependerá se a doença metastática é ressecável ou irressecável. “Ressecável refere-se a uma metástase que pode ser retirada com cirurgia, o que não é possível na doença irressecável. Dependendo do tipo de doença metastática e da maneira que está espalhada, podemos combinar tratamentos. É uma doença bem complexa, mas que atualmente já tem diretrizes importantes que permitem o tratamento com bons resultados”, pontua.
Resultados levam tempo
Dr. Ramon explica que, na fase inicial, o tratamento do câncer colorretal pode levar algum tempo para completar por envolver uma combinação de protocolos. Geralmente, entre quatro a seis meses. Já na doença avançada, o tratamento pode levar mais de cinco anos, dependendo de cada paciente.
“Mas podemos dizer que a doença é curável, principalmente nos estágios mais precoces. A doença mais localizada tem chances de cura bem maiores, enquanto na doença avançada as chances diminuem”, diz o oncologista. O médico acrescenta que, quando se trata do câncer colorretal, uma questão importante na hora da escolha dos tratamentos é a biologia molecular desses tumores.
“Por isso, solicitamos testes genéticos que vão nos ajudar a direcionar o melhor tratamento para cada caso. Os testes genéticos de RAS e de BRAF são preconizados pelas diretrizes brasileiras e americanas de cancerologia. Além disso, cada vez mais a biópsia líquida também tem nos ajudado a identificar os melhores resultados para cada paciente”, finaliza o médico.
Sobre o especialista
Dr. Ramon Andrade de Mello (CRMSP 181245 | RQE 67356) é médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. É pós-doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal).
*Fonte: Holding Comunicação
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