Maternidade após os 40 dispara no mundo: conheça o novo perfil da gravidez tardia
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Recentemente, a notícia de que famosas como Anne Hathaway e Sabrina Sato estão grávidas na casa dos 40 anos ganhou destaque absoluto. No entanto, a maternidade aos 40 deixou de ser apenas assunto de redes sociais ou exclusividade de celebridades, pois se tornou um fenômeno global refletido diretamente nos dados demográficos.
No Brasil, por exemplo, o registro civil do IBGE aponta que o número de nascimentos entre mulheres com mais de 40 anos cresceu de forma consistente, sendo a única faixa etária a apresentar alta contínua nos últimos anos. Na comparação de longo prazo, esse salto ultrapassa a marca de 80%. Da mesma forma, relatórios do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos, revelaram um dado histórico. Pela primeira vez, as gestações maduras superaram os partos na adolescência.
O que impulsiona o aumento da maternidade aos 40?
Essa transformação reflete um profundo movimento comportamental. Atualmente, o adiamento da maternidade decorre de um conjunto de fatores sociais, profissionais e afetivos:
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Novas estruturas familiares: o aumento de divórcios e novos relacionamentos após os 40 anos reacende o desejo de uma nova gestação.
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Avanço tecnológico: métodos contraceptivos mais eficazes na juventude e acesso à medicina reprodutiva mais tarde.
Como explicou o ginecologista Igor Padovesi, especialista em menopausa, à ‘Vogue‘: “O aumento do número de gestações depois dos 40 anos se deve tanto a fatores sociais e comportamentais como aos avanços da medicina reprodutiva”. Da mesma forma, a ginecologista obstetra Ana Paula Fabrício observou ao portal que as prioridades mudaram drasticamente: “As mulheres, hoje, priorizam o sucesso profissional, a carreira, a estabilidade financeira e só depois a maternidade. Antes, era o contrário”.
A biologia continua impondo seus próprios limites
Embora a ciência e o estilo de vida tenham avançado, a biologia humana não mudou na mesma velocidade. Nesse sentido, os especialistas fazem um alerta fundamental: a taxa de sucesso da medicina não significa que o corpo feminino esteja produzindo óvulos mais férteis nessa fase.
Como reforçou Padovesi: “Depois dos 40, a fertilidade da mulher é muito menor do que aos 20 ou 30. Esse declínio começa a partir dos 30, acelera após os 35 e despenca depois dos 40”. O ginecologista obstetra Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana, por sua vez, citou dados impactantes: “Aos 40 anos, cerca de um terço das mulheres pode não conseguir engravidar e, aos 42, esse número pode chegar perto de metade”.
Além disso, existe um detalhe raramente debatido em público. Muitos dos casos de gestação tardia utilizam fertilização in vitro com doação de gametas. Sobre isso, Padovesi ainda alertou ao veículo: “Muitas mulheres não compartilham que recorreram a óvulos de doadoras, o que pode criar a falsa impressão de que engravidar tardiamente ficou mais fácil do que realmente é”.
O papel da medicina e os cuidados no pré-natal
Por outro lado, o acompanhamento médico avançou de forma expressiva. A medicina fetal hoje oferece rastreamentos genéticos extremamente precisos, e o controle de condições crônicas garante uma gestação mais segura. Porém, como mesmo afirmou Padovesi, “isso não rejuvenesce os óvulos”.
Contudo, a gravidez nessa fase ainda exige sinal de atenção e acompanhamento de alto risco, devido à maior incidência de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e alterações cromossômicas. Para minimizar esses riscos, a preparação antes mesmo da concepção torna-se essencial.
Por fim, é importante ressaltar que é necessário sempre fazer check-up para que o médico possa ajudar a mulher a corrigir as deficiências nutricionais e adotar um estilo de vida saudável para a gestação. Ademais, hábitos como alimentação equilibrada e rotina de exercícios ajudam a garantir desfechos positivos.
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