Nem todo mundo sabe, mas essas condições de saúde podem prejudicar os rins
Bons Fluidos

Os rins desempenham um papel essencial no organismo, mesmo sem chamar atenção. Eles filtram o sangue, eliminam substâncias tóxicas, ajudam a controlar a pressão arterial, regulam o equilíbrio de líquidos e minerais e ainda participam da produção de hormônios importantes para o funcionamento do corpo.
Apesar de tantas funções, a doença renal crônica costuma avançar de forma silenciosa. Em muitos casos, os sintomas só aparecem quando parte significativa da capacidade dos rins já foi comprometida.
Estima-se que cerca de 10% dos adultos apresentem algum grau da doença, mas muitos sequer sabem disso. A boa notícia é que boa parte dos casos pode ser evitada ou ter sua evolução desacelerada quando os fatores de risco são identificados e controlados.
Diabetes é o principal vilão da saúde renal
O diabetes continua sendo a principal causa de doença renal crônica em diversos países. Quando os níveis de glicose permanecem elevados por longos períodos, os pequenos vasos sanguíneos dos rins sofrem danos progressivos, prejudicando sua capacidade de filtrar o sangue.
Nas fases iniciais, essa lesão normalmente não provoca sintomas. Por isso, os primeiros sinais costumam surgir apenas nos exames laboratoriais, como a presença de albumina na urina – proteína que, em condições normais, não deveria ser eliminada.
Com o avanço da doença, também podem ocorrer aumento da creatinina e redução da taxa de filtração glomerular, indicadores importantes da função renal. Por esse motivo, pessoas com diabetes devem realizar acompanhamento médico regular e monitorar a saúde dos rins, mesmo quando se sentem bem.
Pressão alta também pode comprometer os rins
A hipertensão arterial é outra das principais responsáveis pelo desenvolvimento da doença renal crônica. Quando a pressão permanece elevada por muito tempo, ela provoca desgaste contínuo dos vasos sanguíneos que irrigam os rins. Reduz, assim, sua eficiência ao longo dos anos.
Além disso, existe uma relação de mão dupla: rins comprometidos também dificultam o controle da pressão arterial, criando um ciclo que favorece a progressão da doença. Manter a pressão dentro dos valores recomendados não protege apenas o coração, mas também ajuda a preservar a função renal e reduzir o risco de complicações futuras.
Obesidade aumenta o risco de lesão renal
Durante muito tempo, considerava-se a obesidade apenas um fator indireto, por favorecer o surgimento do diabetes e da hipertensão. Hoje, porém, já se sabe que o excesso de peso também pode afetar os rins diretamente. O aumento da carga de trabalho dos órgãos, associado à inflamação crônica e às alterações metabólicas provocadas pela obesidade, favorece a perda gradual da função renal.
O crescimento dos índices de obesidade entre crianças, adolescentes e adultos preocupa especialistas. Justamente porque pode antecipar o aparecimento de doenças renais e aumentar o tempo de exposição ao risco de insuficiência renal ao longo da vida.
Prevenção continua sendo a melhor forma de proteger os rins
Embora a doença renal crônica não tenha cura, seu avanço pode retardar – e, em muitos casos, evitar-se. Controlar o diabetes, manter a pressão arterial em níveis adequados, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e manter um peso saudável estão entre as medidas mais importantes para preservar a saúde dos rins.
Além disso, realizar exames periódicos permite identificar alterações antes que os sintomas apareçam, aumentando as chances de iniciar o tratamento precocemente. Graças aos avanços da medicina, hoje existem medicamentos capazes de desacelerar a progressão da doença renal e reduzir o risco de que o paciente precise recorrer à diálise ou ao transplante.
Segundo a nefrologista Carlucci Ventura (CRM/SP 75746), membro da International Society of Nephrology e da Brazil Health, investir na prevenção e no diagnóstico precoce ainda é a estratégia mais eficaz para manter a função dos rins e garantir mais qualidade de vida ao longo dos anos.
Leia também: “Gengiva e boca seca? O sinal de diabetes que ninguém nota”
