O que é a paralisia do sono - e o que fazer para evitá-la?
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Acordar consciente, perceber o ambiente ao redor e, ainda assim, não conseguir se mexer ou falar. Para quem já viveu a paralisia do sono, a experiência pode ser assustadora – e, muitas vezes, difícil de explicar. Apesar do medo que provoca, esse fenômeno é mais comum do que se imagina e, na maioria dos casos, não representa risco físico. Entender o que acontece no corpo e na mente é o primeiro passo para reduzir a ansiedade e recuperar a sensação de segurança ao dormir.
O que é a paralisia do sono?
A paralisia do sono acontece quando a mente desperta antes de o corpo sair completamente do estado de relaxamento profundo típico do sono REM – fase em que os sonhos são mais intensos. Nessa etapa, o cérebro “desliga” temporariamente os músculos para evitar que a pessoa reproduza fisicamente os sonhos. O problema surge quando esse bloqueio motor persiste por alguns instantes após o despertar. O resultado é uma sensação de estar acordado, mas preso ao próprio corpo, incapaz de se mover ou falar.
Sintomas mais comuns
Cada pessoa pode vivenciar o episódio de forma diferente, mas alguns sinais são frequentes: incapacidade temporária de se movimentar ou falar; sensação de peso ou pressão no peito; impressão de sufocamento (sem falta real de ar); medo intenso ou angústia; sensação de presença no ambiente; alucinações visuais ou auditivas; percepção de estar flutuando ou “fora do corpo”. Os episódios costumam durar de segundos a poucos minutos e cessam espontaneamente ou com estímulos externos, como um barulho ou um toque.
Paralisia do sono é perigosa?
Apesar da sensação de sufocamento, a paralisia do sono não coloca a vida em risco. A respiração e os órgãos vitais continuam funcionando normalmente durante o episódio. O desconforto é real, mas passageiro. Ainda assim, é importante atenção quando os episódios são frequentes, já que a paralisia pode estar associada a distúrbios mais amplos do sono, como a narcolepsia.
Por que a paralisia do sono acontece?
A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas especialistas explicam que há um descompasso temporário entre o cérebro e o corpo durante a transição do sono para a vigília. Segundo especialistas, trata-se de uma falha momentânea no “interruptor” que devolve o controle muscular após o sono REM. A pessoa desperta, mas os músculos demoram a responder.
Alguns fatores aumentam a chance de episódios: dormir pouco ou mal; horários irregulares de sono; estresse e ansiedade; uso de álcool, estimulantes ou alguns medicamentos; dormir frequentemente de barriga para cima; distúrbios do sono, como insônia, apneia ou narcolepsia. Estudos indicam que entre 8% e 20% das pessoas terão ao menos um episódio ao longo da vida.
O que fazer durante um episódio?
Mesmo sendo difícil manter a calma, algumas atitudes ajudam a sair mais rápido da paralisia:
- Lembrar que o episódio é temporário e não perigoso;
- Focar em pequenos movimentos, como mexer os dedos das mãos ou dos pés;
- Controlar a respiração, de forma lenta e profunda;
- Manter os olhos abertos, quando possível;
- Evitar lutar contra o corpo – quanto menos tensão, mais rápido o episódio passa.
Como reduzir as chances de ter paralisia do sono
Na maioria dos casos, mudanças simples na rotina fazem grande diferença:
- Dormir entre 6 e 8 horas por noite;
- Deitar e acordar sempre nos mesmos horários;
- Criar um ritual relaxante antes de dormir;
- Evitar telas, cafeína, bebidas energéticas e álcool à noite;
- Manter o quarto escuro, silencioso e confortável;
- Reduzir o estresse diário com práticas de relaxamento.
Essas medidas ajudam o cérebro a entrar e sair das fases do sono de forma mais equilibrada.
Quando procurar ajuda profissional?
É indicado buscar um médico – como psiquiatra, neurologista ou especialista em sono – quando os episódios se tornam frequentes, existir medo intenso de dormir, surgir insônia ou sonolência excessiva durante o dia ou ter crises acompanhadas de ansiedade persistente. O diagnóstico costuma ser clínico, baseado no relato dos sintomas. Em alguns casos, exames como polissonografia ou eletroencefalograma podem ser solicitados para descartar outras condições.
Existe tratamento?
Não há um tratamento específico para a paralisia do sono isolada. O foco costuma ser a prevenção dos episódios, por meio de higiene do sono e acompanhamento psicológico quando necessário. Em situações específicas, o médico pode indicar psicoterapia ou medicamentos, especialmente se houver ansiedade, depressão ou distúrbios associados.
Dormir bem é mais do que descansar: é um cuidado essencial com o corpo e a mente. Ao compreender a paralisia do sono e adotar hábitos mais gentis com o próprio ritmo, é possível transformar noites assustadoras em momentos de acolhimento, segurança e verdadeiro repouso.
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