Projeto de lei torna a educação financeira obrigatória nas escolas; entenda a importância
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Aprender a administrar o próprio dinheiro pode ser tão importante quanto dominar conteúdos como Português ou Ciências. Pensando nisso, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que torna obrigatória a inclusão da educação financeira nos currículos do Ensino Fundamental e Médio em todo o país.
Embora o tema já esteja previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) desde 2017, a proposta reforça sua importância ao incluí-lo também na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Na prática, a intenção é que a educação financeira faça parte da formação dos estudantes de maneira permanente e integrada a diferentes disciplinas.
Muito além de aprender a fazer contas
Quando se fala em educação financeira, é comum pensar apenas em cálculos, orçamento ou economia. Mas especialistas defendem que esse aprendizado envolve habilidades que acompanham a pessoa por toda a vida.
Segundo a psicopedagoga Paula Furtado, o objetivo é desenvolver autonomia, responsabilidade e senso crítico diante das escolhas de consumo. Para ela, o assunto não deve ficar restrito às aulas de Matemática.
“Esse tema não deve ficar restrito à Matemática. Ele pode e deve aparecer em diferentes disciplinas. Em Língua Portuguesa, por exemplo, os alunos podem analisar propagandas e discutir estratégias de marketing. Já em História e Geografia, compreender as desigualdades sociais, o trabalho, a produção e o impacto das decisões econômicas na sociedade. Em Ciências, é possível relacionar consumo consciente, sustentabilidade e preservação dos recursos naturais. Dessa forma, a educação financeira deixa de ser apenas um conteúdo e passa a fazer parte da formação cidadã”, ressalta.
Essa abordagem interdisciplinar ajuda os alunos a compreenderem que lidar com dinheiro envolve planejamento, tomada de decisões e responsabilidade social.
Consumir com consciência também se aprende
As crianças e adolescentes de hoje crescem cercados por publicidade, redes sociais e facilidade para realizar compras online. Nesse cenário, desenvolver um olhar crítico sobre o consumo torna-se cada vez mais importante. “Mais do que ensinar a economizar, precisamos ensinar as crianças a pensar antes de consumir, a diferenciar desejo de necessidade, a planejar objetivos e a compreender que cada escolha tem consequências”, destaca Paula.
Cinco aprendizados que fazem diferença na vida
Na rede estadual de São Paulo, onde a disciplina faz parte da grade curricular desde 2024, mais de 1,3 milhão de estudantes já têm aulas semanais sobre educação financeira. Entre os principais temas trabalhados estão:
- Entender a diferença entre necessidade e desejo, evitando gastos desnecessários;
- Refletir antes de comprar, reduzindo decisões impulsivas;
- Planejar objetivos de longo prazo, utilizando o dinheiro como ferramenta para alcançar metas;
- Adotar hábitos de consumo mais sustentáveis, considerando também os impactos ambientais das escolhas;
- Organizar o orçamento familiar, aprendendo estratégias simples para administrar melhor a renda.
Segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, a proposta busca formar cidadãos mais conscientes, capazes de fazer escolhas financeiras equilibradas desde cedo.
Próximos passos
Como o texto sofreu alterações durante a tramitação no Senado, o projeto retorna agora à Câmara dos Deputados para uma nova análise antes de seguir para sanção. Se for aprovado definitivamente, a educação financeira passará a integrar oficialmente a legislação educacional brasileira como um tema transversal, permitindo que cada escola adapte o conteúdo à sua realidade e ao seu projeto pedagógico.
A expectativa é que, cada vez mais, o ambiente escolar contribua para formar adultos preparados não apenas para lidar com números, mas também para construir uma relação mais saudável, consciente e responsável com o dinheiro.
Sobre Paula Furtado
Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP.
*Informações à imprensa – Way Comunicações
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