Quem é Tatiana Sampaio, cientista brasileira que está ajudando a reverter a tetraplegia?
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A ciência brasileira acaba de ganhar um novo motivo para ser celebrada – e o nome por trás desse avanço é o da pesquisadora Tatiana Coelho Sampaio, bióloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após quase três décadas de estudos, ela lidera o desenvolvimento da polilaminina, uma substância experimental que tem mostrado resultados promissores na recuperação de movimentos em pessoas com lesões graves na medula espinhal.
O trabalho, que já chamou atenção dentro e fora do país, reacende a esperança de pacientes paraplégicos e tetraplégicos, condição que até hoje possui poucas alternativas terapêuticas capazes de reverter danos neurológicos.
Quem é Tatiana Sampaio?
Tatiana é chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Desde 1997, ela estuda proteínas fundamentais para o funcionamento do sistema nervoso e desenvolveu, em laboratório, uma versão derivada da laminina, proteína naturalmente produzida pelo corpo humano. Essa versão aprimorada ficou conhecida como polilaminina, uma molécula capaz de criar um ambiente favorável para a regeneração neural.
Apesar da repercussão de seu trabalho, Tatiana mantém uma vida simples e focada. Ao portal Só Notícia Boa, ela contou que dorme cerca de seis horas por noite e prefere viver longe das redes sociais: “Acho que Instagram é uma coisa que mobiliza muito a pessoa, né? Você fica muito envolvido com fofoca e tem expectativas irreais sobre o mundo, sobre as pessoas. Prefiro a vida real. Viver sempre será minha primeira opção”, diz.
O que é a polilaminina e por que ela é tão promissora?
A polilaminina funciona como uma espécie de “cola biológica” ou ponte regenerativa. Quando aplicada diretamente na região lesionada da medula espinhal, ela pode estimular a formação de novas conexões entre neurônios, permitindo que impulsos nervosos voltem a circular. Em outras palavras: a substância tenta ajudar o corpo a reconstruir caminhos interrompidos pelo trauma. Esse tipo de avanço é considerado um marco dentro da chamada medicina regenerativa, área que busca restaurar funções perdidas após lesões graves.
Em uma fase experimental inicial, a polilaminina foi aplicada em oito pacientes com paraplegia ou tetraplegia. Seis deles apresentaram recuperação parcial de movimentos. Um dos casos mais impactantes foi o de um paciente que estava paralisado do ombro para baixo e conseguiu voltar a andar sozinho após o tratamento. Esses resultados ainda são preliminares, mas foram suficientes para impulsionar a próxima etapa do processo.
Anvisa autoriza fase 1 de testes clínicos
Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 de estudos clínicos, etapa que avalia principalmente a segurança do uso da substância.
Nesta fase inicial, cinco voluntários com lesão completa da medula receberão uma única aplicação da polilaminina até 48 horas após o trauma. Depois, terão acompanhamento de seis meses. Se não houver efeitos adversos graves, o estudo seguirá para fases posteriores, que vão investigar a eficácia real do tratamento em maior escala.
A pesquisa já gerou impacto significativo para a própria universidade. Em dezembro de 2023, a inovação rendeu cerca de R$ 3 milhões em royalties à UFRJ. Esse foi maior valor já recebido pela instituição. Além disso, o projeto conta com parceria do laboratório farmacêutico Cristália e apoio da FAPERJ. O que reforça a força da ciência nacional quando há investimento e continuidade.
O futuro: quando o tratamento poderá chegar ao mercado?
Ainda é cedo para falar em disponibilidade comercial. O medicamento precisa passar por todas as fases de testes e aprovação regulatória. Estima-se que o investimento necessário para que ele chegue às farmácias seja de cerca de R$ 28 milhões. Mesmo assim, os avanços já colocam o Brasil em destaque internacional e abrem caminho para novas possibilidades no tratamento de lesões neurológicas consideradas irreversíveis.
Ciência que devolve movimento, dignidade e futuro
Mais do que um feito biomédico, a trajetória de Tatiana Sampaio simboliza o impacto profundo que a pesquisa científica pode ter na vida real: devolver autonomia, esperança e perspectiva a milhares de pessoas e famílias. A polilaminina ainda está em fase experimental, mas já representa um dos projetos mais promissores da neurociência regenerativa brasileira – e um lembrete poderoso de que a ciência, quando sustentada, transforma realidades.
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