Temperatura aumentou, perna inchou: como o calor aumenta o risco de problemas vasculares?
Bons Fluidos

Existem muitos bons motivos para gostar do verão: piscina, praia, sorvete para refrescar e sol são características da estação. Mas nem tudo são flores, não é mesmo? Alguns fatores comuns dessa época do ano, como o inchaço no corpo, podem favorecer o surgimento de certas doenças, como problemas vasculares.
“As altas temperaturas do verão favorecem o processo de vasodilatação, onde os vasos sanguíneos se dilatam e provocam uma sobrecarga nas veias dos membros inferiores. Como resultado, torna-se mais comum apresentarmos sintomas como cansaço, sensação de peso na região, câimbras, dor e edemas nessa época do ano. Além disso, o risco de problemas vasculares como trombose e, principalmente, varizes também aumenta”, alerta a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita.
A estação é especialmente perigosa para pessoas que possuem histórico familiar de trombose e varizes, já que a predisposição genética é o principal fator de risco dessas condições. “E para pacientes com lipedema, alguns cuidados com a saúde são ainda mais importantes para que a estação não se torne uma tortura”, acrescenta a médica.
O que o inchaço pode indicar?
Por isso, durante o calor, é muito importante ficar atento aos sinais que podem indicar que há algo errado com a circulação, principalmente o inchaço. “O inchaço é um sinal comum da má circulação, ocorrendo quando o coração não consegue circular sangue suficiente para o corpo todo, ou quando o retorno do sangue para o coração fica prejudicado. Este problema está intrinsicamente relacionado ao peso das pessoas, já que quilos extras colocam mais pressão sobre o abdômen, reduzindo assim o fluxo sanguíneo de volta para o coração, aumentando a pressão das veias”, alerta a cirurgiã vascular.
O que é o lipedema?
No caso do lipedema, uma doença caracterizada pelo acúmulo de tecido gorduroso com aumento desproporcional no tamanho dos membros, essa já é uma condição que afeta principalmente áreas como coxas, culotes, quadris e pernas o ano todo, mas o inchaço de verão pode piorar ainda mais o problema.
“Dor ao toque, presença de nódulos e acúmulo desproporcional de gordura que não é perdida com dieta e exercícios são sinais clássicos do lipedema. Como a doença não tem cura, mas tem controle, recomendamos mudanças no estilo de vida com adoção de uma alimentação anti-inflamatória e prática regular de atividade física, que são estratégias importantes para controlar a evolução do lipedema. Mas outras medidas devem ser adotadas, como uso de meias de compressão e medicamentos e até mesmo a realização de procedimentos cirúrgicos para a retirada do tecido gorduroso doente, como a lipoaspiração, em casos específicos”, diz a médica.
Cuidados necessários
Os hábitos saudáveis também ajudam a prevenir problemas vasculares. “Procure manter uma dieta equilibrada, rica em vegetais e livre do excesso de alimentos processados e frituras. É importante também realizar atividades físicas regularmente, pelo menos três vezes por semana”, aconselha a médica. “Dormir bem também é fundamental, pois uma boa noite de sono ajuda no funcionamento adequado do corpo, diminuindo o stress, os níveis de cortisol e auxiliando a controlar a pressão arterial”, completa.
Porém, o cuidado mais importante com a circulação durante o calor é a hidratação. Então, o ideal é apostar na ingestão de, no mínimo, 2 litros de líquido por dia. “Evite também hábitos que favoreçam a desidratação, como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de alimentos ricos em sódio, que promovem o aumento da pressão arterial”, alerta a Dra Aline. “A utilização de cosméticos hidratantes também é interessante para prevenir o surgimento de fissuras na pele causadas pelo processo de vasodilatação provocado pelas altas temperaturas.”
Vale a pena, ainda, apostar na drenagem linfática, que ajuda a reduzir inchaços locais e generalizados, além de prevenir e tratar problemas de ordem estética, muscular e articular, promovendo o bem-estar geral do organismo. “Podendo ser aplicada em praticamente todas as partes do corpo, a drenagem linfática age estimulando o sistema linfático, o que acelera o fluxo da linfa e proporciona a mobilização de líquido dos tecidos”, explica a cirurgiã vascular. “Mas vale ressaltar que a drenagem linfática tem sua realização proibida em portadores de câncer de qualquer tipo e pacientes com suspeita de trombose ou tromboflebite. Já em pacientes com problemas de circulação, gestantes ou qualquer outra patologia relacionada, a drenagem deve ter indicação médica.”
Buscar ajuda é fundamental
Caso você sinta algum dos sinais citados acima, o mais importante é que você consulte um médico especializado o quanto antes. “Apenas o especialista poderá realizar uma avaliação e identificar a causa dos sintomas, assim recomendando o tratamento mais adequado para cada caso”, finaliza a Dra. Aline Lamaita.
Sobre a especialista
Dra. Aline Lamaita (RQE 26557) é cirurgiã vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine. Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000). Possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira/Conselho Federal de Medicina. RQE 26557.
*Fonte: Holding Comunicação
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