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Ter amigos ajuda a aumentar a expectativa de vida? Veja o que diz a ciência
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Ter amigos ajuda a aumentar a expectativa de vida? Veja o que diz a ciência

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Bons Fluidos
29/07/2026 23h30
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Nesta quinta-feira (30), é celebrado o Dia Internacional da Amizade, uma data que vai além das homenagens nas redes sociais. Nos últimos anos, pesquisadores passaram a olhar com mais atenção para um aspecto que, por muito tempo, foi considerado apenas emocional, o impacto das relações sociais na saúde física.

Hoje, então, as evidências são tão consistentes que a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou em 2024 uma Comissão sobre Conexões Sociais, classificando o tema como uma prioridade global de saúde. A conclusão é simples: pessoas que mantêm vínculos sociais fortes tendem a viver mais e melhor do que aquelas que enfrentam o isolamento por longos períodos.

Amizade e expectativa de vida

Um dos estudos mais conhecidos sobre o tema começou na década de 1960, quando o médico norte-americano Lester Breslow acompanhou cerca de 7 mil pessoas para identificar quais hábitos estavam relacionados à longevidade. Anos depois, os pesquisadores Lisa Berkman e S. Leonard Syme ampliaram essa investigação e descobriram um fator que não fazia parte das recomendações tradicionais de saúde: as conexões sociais.

Os resultados mostraram que pessoas com redes de relacionamento mais amplas apresentavam cerca de metade do risco de morrer durante o período analisado em comparação com aquelas que viviam mais isoladas. O dado permaneceu válido mesmo após considerar fatores como alimentação, prática de exercícios, tabagismo e condição socioeconômica.

Os benefícios da amizade vão além da saúde mental

As amizades não ajudam apenas a aliviar o estresse ou melhorar o humor. Estudos indicam que elas também provocam efeitos mensuráveis no organismo. Na década de 1990, o psicólogo Sheldon Cohen, da Universidade Carnegie Mellon, acompanhou 276 voluntários para investigar como a amizade influenciavam o sistema imunológico.

Após exposição controlada ao rinovírus, causador de muitos resfriados, os participantes com redes sociais mais diversificadas apresentaram menor probabilidade de desenvolver a doença. Segundo os pesquisadores, quem possuía menos conexões sociais chegou a ter entre três e quatro vezes mais chances de adoecer do que aqueles que mantinham contato frequente com familiares, amigos e colegas.

Solidão também afeta o coração

Entretanto, os efeitos do isolamento não se limitam às infecções. Diversas pesquisas associam a solidão ao aumento do risco de doenças crônicas. Estudos mostram, por exemplo, que pessoas socialmente isoladas têm maior probabilidade de desenvolver hipertensão e apresentam um risco cerca de 30% maior de sofrer infarto, AVC ou outros problemas cardiovasculares.

Outro levantamento, realizado com aproximadamente 4 mil participantes do Estudo Longitudinal Inglês sobre o Envelhecimento, também encontrou uma associação entre altos níveis de solidão e maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo dos anos.

O que explica essa relação?

Quando o cérebro interpreta o isolamento como uma ameaça, ele aumenta a produção de hormônios ligados ao estresse, como cortisol e norepinefrina. Ao mesmo tempo, processos inflamatórios permanecem mais ativos por períodos prolongados.

Com o passar dos anos, esse estado pode favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições crônicas. Por outro lado, relações sociais saudáveis ajudam a reduzir esse estresse contínuo. Assim, contribuem para um funcionamento mais equilibrado do organismo.

A qualidade importa mais do que a quantidade

Ter centenas de contatos nas redes sociais não significa, necessariamente, colher esses benefícios. Os pesquisadores destacam que o mais importante é sentir que existe uma rede de apoio verdadeira.

Amigos próximos, familiares, parceiros e até grupos de convivência podem fazer diferença quando oferecem acolhimento, troca de experiências e sensação de pertencimento. Em outras palavras, investir nas relações pode ser tão importante para a saúde quanto manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e dormir bem.

*Leia também: Dia do Amigo: como manter e cultivar amizades na vida adulta

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