Verão: 7 dicas para gestantes que sofrem com inchaço, cansaço e varizes nas pernas
Bons Fluidos
Carregar uma vida tem um peso emocional muito forte para a gestante. Mas, além disso, há uma sobrecarga física que facilita problemas como inchaço nas pernas, cansaço e varizes. Apesar da genética ser preponderante, as varizes costumam surgir em gestantes por dois motivos: “Um dos fatores que fazem com que as futuras mamães apresentem o problema nas pernas é hormonal: a progesterona aumenta a dilatação de todas as veias do organismo. Além disso, o crescimento do feto eleva a pressão nas veias das pernas”, explica o ginecologista e obstetra, Dr. Nélio Veiga Junior.
“E para completar, as estações mais quentes do ano provocam alteração na circulação, já que os vasos sanguíneos passam por uma vasodilatação para favorecer a transpiração e equilibrar a temperatura do organismo estável”, acrescenta a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita. “No caso do inchaço nas pernas na gravidez, apesar de normal, ele deve ser monitorado pelo médico obstetra. O inchaço é causado pelo acúmulo de líquidos nos tecidos, principalmente nos pés, tornozelos e parte inferior das pernas”, diz Dr. Nélio.
Mudanças no corpo durante a gravidez
Durante os nove meses de gestação, mudanças radicais acontecem com o corpo da mulher. O médico ginecologista lembra que no primeiro trimestre, por exemplo, embora a barriga ainda não tenha crescido tanto, os hormônios já estão à flor da pele.
“Nesse período, existe um aumento importante da volemia (quantidade de sangue circulante no corpo), afinal a mulher precisa formar uma placenta. O aumento da progesterona pode causar uma flacidez das veias o que pode levar a inchaço, dor nas pernas, tonturas e sensação de queimação”, comenta a Dra. Aline.
“Os sinais de alerta incluem inchaço repentino ou assimétrico, ou seja, com mais intensidade em um dos lados do corpo; dor de cabeça intensa, enjoos e visão turva ou embaçada; pressão arterial acima de 140/90 mmHg; além de calor, rubor ou dor, unilateral, em membro inferior, com ou sem febre”, diz o ginecologista.
Evolução da gravidez
No segundo trimestre, o corpo começa a se adaptar. “Costumo dizer que é a melhor fase da gestação: a barriga ainda não está muito grande, o corpo já se adaptou ao aumento da volemia e variação hormonal, enfim, três meses de relativo sossego. Nessa fase, só é comum a queixa de câimbras à noite”, explica a cirurgiã vascular.
Porém, no terceiro trimestre, a Dra. Aline explica que a barriga atinge seu apogeu e há uma compressão importante da veia cava. “Isso prejudica terrivelmente o retorno do sangue das pernas e vai ser responsável por aquele pé pãozinho no final da gestação. Claro que quanto maior for o ganho de peso durante a gestação, mais sofrido será esse período”, diz a Dra. Aline.
Apesar dessas diferenças entre as fases da gestação, há uma tendência individual muito forte. “Tenho pacientes que terão manifestações gravíssimas, com piora das varizes, tromboflebites, trombose, e por outro lado, existem mulheres que vão passar uma gestação supertranquila, sem lembrar que o vascular existe”, diz a Dra. Aline. Aliás, não necessariamente problemas prévios de circulação pioram as varizes, mas o acompanhamento durante a gestação é essencial. “Para minimizar o problema, muitas vezes a recomendação é o uso de meias de compressão a partir do segundo mês de gravidez. O ideal é colocar pela manhã e tirar apenas na hora de dormir”, explica.
Dicas para prevenção
Abaixo, os médicos dão 7 dicas práticas para evitar o inchaço, cansaço e varizes nas pernas durante a gestação:
- Cuidado com o excesso de ganho de peso;
- Beba bastante líquido, mantenha-se hidratada, e, ao mesmo tempo, evite o consumo excessivo de sódio (que piora o inchaço);
- Faça alongamentos para melhorar as câimbras à noite e drenagem linfática manual para ajudar na retenção de líquido;
- Use meias elásticas (o médico vascular pode indicar um modelo adequado);
- Após 14 semanas existem medicações que podem melhorar os sintomas de dor, cansaço e edema;
- Tente dormir de lado, de preferência o esquerdo (isso tira o peso do útero de cima da veia cava, liberando a circulação das pernas e melhorando o fluxo de sangue para a placenta);
- Pratique atividade física regular, se não houver contraindicação pelo seu médico obstetra.
E se os sintomas persistirem?
No entanto, mesmo se todas as orientações forem seguidas, não é incomum que pacientes observem uma piora no aspecto de suas pernas, com vasinhos e veias dilatadas, de acordo com a médica. “Grande parte disso diminui depois do parto, por isso a necessidade de esperar pelo menos três meses após o parto, com retorno do útero ao seu tamanho original, para cogitar qualquer tratamento”, pontua o obstetra. “Passado esse período, uma avaliação completa da circulação pode ser feita e o melhor tratamento será escolhido”, finaliza a Dra. Aline Lamaita.
Sobre os especialistas
Dr. Nélio Veiga Junior (CRM 162641 | RQE 87396) é médico ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP). Atua em consultório privado e já foi médico preceptor no curso de Medicina da UNICAMP e médico pesquisador no Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas.
Dra. Aline Lamaita (RQE 26557) é cirurgiã vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). É formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018) e pós-graduação em Medicina Integrativa e Longevidade saudável. Possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira/Conselho Federal de Medicina.
*Fonte: Holding Comunicação
