Virginia desabafa sobre crises de enxaqueca após interromper tratamento: 'Estava bem chato'
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A influenciadora Virginia Fonseca abriu o coração nas redes sociais ao compartilhar um momento delicado: as crises intensas de enxaqueca que vêm afetando seu dia a dia. Segundo ela, os últimos dias foram especialmente difíceis, a ponto de impedir atividades simples, como treinar, conversar ou até manter a disposição ao longo do dia.
“Esses últimos dias foram horríveis! […] Eu não estava conseguindo treinar, eu deitava para dormir e dormia por muito tempo. Quando você está com dor de cabeça, você fica mais exausta, sem fazer nada! E eu odeio ficar assim.”, desabafou.
O relato evidencia algo que muitas pessoas enfrentam em silêncio: a enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça comum – ela pode impactar profundamente a qualidade de vida.
Um tratamento que exige constância
Virginia contou que já faz um tratamento específico para controlar as crises, mas acabou atrasando uma das aplicações, o que contribuiu para o retorno das dores frequentes.
A terapia mencionada envolve o uso da toxina botulínica, popularmente conhecida como botox. Ela é aplicada em pontos estratégicos da cabeça, pescoço e região dos ombros. Embora muitas pessoas associem o procedimento apenas à estética, ele também é aprovado para tratar enxaqueca crônica. Nesses casos, o objetivo é reduzir a frequência e a intensidade das crises, atuando diretamente nos mecanismos que desencadeiam a dor.
A neurologista Thais Villa, médica especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, ressalta sobre o tempo para tratamento: “Os ciclos de aplicação do botox são realizados a cada três meses. O paciente realiza, no mínimo, de oito a nove ciclos de tratamento com botox num período de dois anos. Se necessário, o paciente deve dar continuidade, com a mesma periodicidade trimestral, ou então pode ser espaçado – a depender da sua evolução”, explicou.
Como o botox ajuda na enxaqueca
Indica-se o tratamento, principalmente, quando a enxaqueca se torna recorrente, aparecendo em muitos dias do mês. A aplicação é feita em pequenas doses, distribuídas em áreas específicas ligadas aos nervos e músculos envolvidos nas crises. A toxina atua relaxando esses músculos e bloqueando sinais de dor, o que pode trazer alívio progressivo ao longo dos meses.
O intervalo entre as sessões costuma ser de três a quatro meses – exatamente o que Virginia destacou ao falar sobre a importância de manter a regularidade. “Quando a gente tá bem, vamos acomodando. Até você voltar a ficar mal, não é?”, questionou.
Nem sempre o remédio é a melhor opção
A influenciadora também revelou que chegou a testar medicamentos para prevenir as crises, mas optou por não continuar devido aos efeitos colaterais. Para ela, o uso do remédio gerava ansiedade, o que acabou pesando na decisão de buscar alternativas.
Esse ponto levanta uma reflexão importante: o tratamento da enxaqueca deve ser individualizado. O que funciona para uma pessoa pode não ser o ideal para outra – por isso, o acompanhamento médico é essencial.
Outra questão importante é que apenas as injeções com botox não controlam a doença. “Elas fazem parte importante do tratamento. Existem muitos pacientes que já fizeram botox e bloqueio anestésico, mas não tiveram resultado porque depende de todo o manejo especializado e multidisciplinar da doença. Tudo isso junto com o botox, sim, garante um melhor sucesso, uma melhor resposta”, destaca a especialista.
Pequenos hábitos que fazem diferença
Além das abordagens clínicas, especialistas reforçam que alguns cuidados no dia a dia podem ajudar a reduzir a frequência das crises. Entre eles, estão: manter uma rotina de sono regular, garantir boa hidratação, observar alimentos que podem desencadear dor (como álcool, café ou chocolate, em alguns casos), evitar exposição a luzes intensas e ruídos excessivos e investir em técnicas de relaxamento e controle do estresse. Identificar os próprios gatilhos é um dos passos mais importantes no manejo da enxaqueca.
Um olhar mais atento para o corpo
O desabafo de Virginia também traz um aprendizado valioso: muitas vezes, só percebemos a importância do cuidado quando o corpo pede pausa. A enxaqueca, além de dolorosa, pode ser um sinal de que algo precisa ser ajustado – seja na rotina, no estresse ou no acompanhamento da saúde. No fim, cuidar da saúde não é apenas tratar a dor quando ela aparece, mas criar condições para viver com mais equilíbrio, energia e bem-estar.
Sobre a especialista
Dra Thais Villa (CRM 110217) é neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. É fundadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Possui Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos.
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