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Você sabe o que é a Síndrome do Impostor? Entenda como lidar com ela
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Você sabe o que é a Síndrome do Impostor? Entenda como lidar com ela

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Bons Fluidos
10/02/2026 00h00
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O que é (e o que não é) a síndrome do impostor

Apesar de ser amplamente estudada e aparecer com frequência nas conversas sobre saúde mental, a síndrome do impostor não é um diagnóstico formal nos principais manuais clínicos. Ainda assim, seu impacto pode ser bem concreto: ela alimenta ansiedade, perfeccionismo, auto sabotagem e uma sensação constante de inadequação.

Sinais mais comuns: quando a autocrítica vira um peso diário

Os sinais podem variar, mas alguns padrões aparecem com frequência:

  • Autocrítica intensa: mesmo acertando, você foca no que faltou e se sente “menos capaz”;
  • Medo de ser desmascarado: a insegurança vem acompanhada da ideia de que alguém vai perceber sua “incompetência”;
  • Sucesso sempre explicado por fatores externos: “dei sorte”, “foi fácil”, “foi o momento”, “me ajudaram”;
  • Perfeccionismo que nunca se satisfaz: metas altíssimas e sensação crônica de que nada está bom;
  • Trabalho em excesso para compensar: você se sobrecarrega para evitar críticas – e entra num ciclo de exaustão.

Com o tempo, esse combo pode abrir espaço para ansiedade, estresse, sintomas depressivos e burnout, principalmente em ambientes competitivos.

Como isso afeta o trabalho (e trava oportunidades)

No mundo profissional, a síndrome do impostor pode fazer a pessoa evitar promoções e novas responsabilidades por medo de falhar, hesitar em se posicionar em reuniões ou expor ideias, procrastinar por pavor de não entregar “perfeito”, trabalhar além do limite para “provar valor”. O resultado costuma ser um paradoxo doloroso: quanto mais a pessoa conquista, mais ela se cobra, como se o sucesso aumentasse o risco de ser descoberta.

Ao mesmo tempo, algumas pesquisas sugerem um efeito curioso: certos “pensamentos de impostor” podem vir acompanhados de maior atenção ao outro e preocupação em colaborar – o que pode melhorar habilidades interpessoais. O problema é quando isso vira sofrimento e autocobrança sem descanso.

Por que isso acontece? As raízes do “nunca é suficiente”

Muitas vezes, o padrão começa cedo: ambientes com crítica constante, comparações, exigência alta e afeto condicionado ao desempenho podem ensinar, sem querer, que errar é perigoso – e que descansar é “fracasso”. Na vida adulta, isso vira uma corrida sem linha de chegada: a pessoa sente que precisa merecer todos os dias o que já conquistou. É aí que a autossabotagem aparece como “estratégia” de sobrevivência emocional.

Quem costuma sentir mais (e por quê)

A síndrome do impostor pode atingir qualquer pessoa, mas tende a aparecer com mais força em quem vive alta pressão ou vulnerabilidade social, como:

  • Pessoas em ambientes acadêmicos e corporativos muito competitivos;
  • Profissionais em início de carreira ou em transições (promoções, novos cargos);
  • Mulheres e grupos minorizados, que muitas vezes precisam “performar mais” para serem reconhecidos;
  • Pessoas muito perfeccionistas e autocríticas.

Nesse cenário, a cobrança interna se mistura com a externa – e a sensação de inadequação ganha combustível.

Como lidar: estratégias que realmente ajudam 

A síndrome do impostor não se resolve com frase pronta. Mas existem caminhos bem práticos para reduzir o impacto:

1. Dê nome ao que você sente

Reconhecer o padrão já ajuda a criar distância entre você e o pensamento. “Estou tendo um pensamento de impostor” é diferente de “eu sou uma fraude”.

2. Procure referências fora da sua cabeça

Peça feedback objetivo (e tente receber sem discutir com o elogio). Muitas vezes, o olhar do outro ajuda a ajustar a lente distorcida.

3. Abaixe a régua do perfeccionismo

Metas realistas não diminuem sua competência – diminuem sua exaustão. Perfeição não é padrão de qualidade: é padrão de medo.

4. Registre vitórias (inclusive as pequenas)

Um “arquivo de evidências” funciona como antídoto para a mente que apaga conquistas. Anote resultados, reconhecimentos, projetos entregues.

5. Compartilhe com alguém de confiança

Falar sobre isso com mentores, colegas ou amigos tira a síndrome do lugar secreto onde ela cresce. Você percebe que não está sozinho.

6. Terapia pode ser um divisor de águas

A psicoterapia ajuda a entender de onde vem a crença de “não mereço”, a construir autocompaixão e a criar estratégias para não se fundir com pensamentos autossabotadores. Também é o espaço para investigar se isso está associado a ansiedade ou depressão.

Quando buscar ajuda profissional

Se a sensação de ser uma fraude está frequente e vem junto de insônia, exaustão, irritabilidade, crises de ansiedade, tristeza persistente, queda de rendimento ou medo constante de avaliação, vale procurar apoio psicológico (e, em alguns casos, psiquiátrico). Pedir ajuda não é sinal de fraqueza: é um passo de maturidade emocional.

No fim, a síndrome do impostor diz mais sobre cobrança do que sobre incapacidade. Sentir insegurança é humano. O problema é quando a dúvida vira identidade. A síndrome do impostor não prova falta de talento – muitas vezes, ela aparece justamente em pessoas comprometidas, exigentes e capazes.

Virar a chave não significa nunca mais duvidar. Significa aprender a conviver com a vulnerabilidade sem deixar que ela dirija sua vida. Porque, no fundo, você não precisa “merecer” o tempo todo: você precisa se reconhecer.

Leia também: O que está por trás da Síndrome dos Ovários Policísticos?”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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