Você sabia que seu pescoço pode indicar como está sua saúde? Entenda
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Quando pensamos em indicadores de saúde, geralmente lembramos do peso, do índice de massa corporal (IMC) ou da medida da cintura. Mas a ciência tem chamado atenção para uma região muitas vezes ignorada: o pescoço. Estudos recentes mostram que a circunferência dessa área pode funcionar como um sinal importante de alerta para diferentes condições de saúde – inclusive em pessoas consideradas dentro do peso ideal.
Segundo Ahmed Elbediwy, professor de Bioquímica Clínica e Biologia do Câncer na Universidade de Kingston, “um pescoço mais grosso pode ser sinal de problemas de saúde sérios, mesmo em pessoas que têm peso considerado normal”. A explicação está no tipo de gordura que tende a se acumular na parte superior do corpo.
Por que o pescoço importa mais do que parece?
A gordura concentrada ao redor do pescoço é metabolicamente ativa. Isso significa que ela libera substâncias que interferem no equilíbrio do organismo. O que afeta no controle do colesterol, do açúcar no sangue e até o funcionamento do coração. Esse processo aumenta o risco de pressão alta, insuficiência cardíaca e alterações no ritmo cardíaco, como a fibrilação atrial – condição associada à formação de coágulos e ao risco de AVC.
Além dos problemas cardiovasculares, a circunferência aumentada do pescoço também está relacionada ao diabetes tipo 2, ao diabetes gestacional e a distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva. Nesse quadro, a respiração sofre interrupções durante a noite, o que gera cansaço excessivo e eleva o risco de acidentes no dia a dia. “Pescoços grossos não são apenas uma questão estética, mas um alerta de que algo pode estar errado com a saúde”, reforça Elbediwy.
Pescoço mais largo: quando é preciso investigar
Fora o contexto de atletas (como lutadores ou jogadores de rúgbi, que desenvolvem musculatura na região) um pescoço mais espesso costuma indicar acúmulo de gordura visceral. Esse é o tipo mais perigoso de gordura, pois se deposita profundamente ao redor dos órgãos e impacta diretamente o metabolismo. Esse padrão está associado à chamada síndrome metabólica, um conjunto de alterações que inclui colesterol elevado, hipertensão, fígado gorduroso, resistência à insulina e maior risco de diabetes tipo 2.
Mudanças simples fazem diferença
A boa notícia é que esse tipo de gordura responde bem a ajustes no estilo de vida. Exercícios físicos regulares – especialmente os que combinam atividades aeróbicas e treino de força – ajudam a reduzir a gordura corporal como um todo. Dormir bem também é essencial para regular o metabolismo, assim como manter uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras e leguminosas. Sem alarmismo, especialistas reforçam que um pescoço mais grosso merece avaliação médica, mas não é motivo para pânico.
E quando o pescoço é fino demais?
Se, por um lado, o pescoço mais largo pode sinalizar excesso de gordura, um pescoço excessivamente fino também pode indicar que algo não vai bem. Em alguns casos, essa característica está associada a deficiências nutricionais, como anemia.
De acordo com o médico Atreya Niharachandra, “pessoas com o pescoço muito fino podem precisar de ferro, vitaminas e até transfusões de sangue em casos mais graves”. Há ainda situações raras de origem anatômica, como a presença de uma vértebra cervical extra, que altera o formato do pescoço sem necessariamente causar sintomas.
Outro sinal que merece atenção é o surgimento de inchaços na parte frontal do pescoço, que podem indicar bócio – aumento da glândula tireoide. Mesmo sem dor, a avaliação médica é indispensável.
Um espelho do que acontece por dentro
Observar o próprio pescoço pode parecer simples demais, mas essa região funciona como um verdadeiro termômetro do corpo. Alterações sutis podem refletir desequilíbrios metabólicos, hormonais ou nutricionais antes mesmo de outros sintomas aparecerem.
Como resume Elbediwy: “O pescoço é um dos espelhos do corpo. Ele revela o que está acontecendo por dentro, antes mesmo de os sintomas aparecerem.” Mais do que estética, prestar atenção a essa área é um convite à escuta do corpo – e a um cuidado preventivo que começa com um gesto simples.
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