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2 bares escondidos para visitar no Centro de São Paulo
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2 bares escondidos para visitar no Centro de São Paulo

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Rota De Férias
12/02/2026 18h51
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O Centro de São Paulo atravessa mais um ciclo de reinvenção. Entre prédios históricos, galerias subterrâneas e ícones arquitetônicos, cresce um movimento que aposta na cultura e na gastronomia como ferramentas de reocupação urbana. O discurso da revitalização caminha lado a lado com o debate sobre gentrificação: enquanto novos empreendimentos sofisticados surgem, permanece a complexidade social que sempre definiu a região.

Nos últimos anos, a presença reforçada de policiamento e segurança privada em pontos estratégicos, especialmente nos arredores do Theatro Municipal, do Viaduto do Chá e do Shopping Light, tornou-se parte visível dessa tentativa de reconstruir a vida noturna na região. Policiais posicionados nas esquinas e seguranças nas portas dos estabelecimentos incentivam a circulação, ajudam quem quer fazer fotos e orientam os visitantes, chegando até a acompanhá-los entre algumas quadras (foi o que aconteceu comigo quando estive lá).

É nesse cenário que dois endereços praticamente vizinhos estão chamando atenção da noite paulistana. O Formosa Hi-Fi e o Bar dos Arcos ocupam camadas subterrâneas da cidade e compartilham o mesmo empresário por trás dos balcões: Facundo Guerra, figura central na ocupação cultural do Centro paulistano nas últimas décadas. Mas, apesar da proximidade geográfica e de contarem com o mesmo dono, os bares oferecem experiências distintas.

Leia mais: O que fazer em São Paulo – 31 atrações e dicas imperdíveis

Bares escondidos no Centro de São Paulo

2 bares escondidos para visitar no Centro de São Paulo Bar dos Arcos fica debaixo do Theatro Municipal de São Paulo | Paulo Basso Jr.

Facundo Guerra é um empresário que construiu sua trajetória apostando na recuperação de imóveis históricos e na criação de experiências culturais híbridas, misturando música, gastronomia, arquitetura e memória urbana. Foi com tudo isso em mente que, em 2018, ele tirou do papel o Bar dos Arcos, que ocupa o subsolo estrutural do Theatro Municipal de São Paulo. O projeto nasceu como parte de um movimento de ativação do prédio histórico, ampliando seu uso para além das temporadas líricas e concertos.

Já o Formosa Hi-Fi abriu as portas em julho de 2025, dentro da Galeria Formosa, sob o Viaduto do Chá, como um projeto que une restauro urbano, alta fidelidade sonora e narrativa modernista. Para acessá-lo, é preciso descer uma escadaria que fica no calçadão em frente ao Shopping Light.

No caso do Formosa Hi-Fi, o desenvolvimento envolveu estudo acústico detalhado e a construção de um aprimorado templo de audição. Com inspiração nos listening bars japoneses do pós-guerra, esses espaços não têm como foco pistas de dança, mas a escuta atenta de discos em vinil, com equipamentos de altíssima qualidade. DJs convidados assumem a curadoria musical, tocando repertório nacional e internacional.

Já no Bar dos Arcos, o conceito partiu da própria arquitetura do lugar. O antigo porão do Municipal, com seus arcos centenários, tornou-se cenário de um bar que assume o clima labiríntico e quase cinematográfico do ambiente.

Formosa Hi-Fi

2 bares escondidos para visitar no Centro de São Paulo Formosa Hi-Fi | Paulo Basso Jr.

Descer a escadaria em frente ao Shopping Light é atravessar uma fronteira invisível. Ali começa a experiência do Formosa Hi-Fi. O espaço ocupa a histórica Galeria Formosa, que nos anos 1930 foi idealizada por Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura do Município de São Paulo, como parte de um projeto que previa a instalação de um restaurante dedicado à valorização da culinária brasileira. Modernista central da Semana de 22 e gestor cultural visionário, Mário via na gastronomia uma extensão do projeto de identidade nacional.

O restaurante nunca se concretizou como imaginado, mas o endereço manteve sua vocação cultural. Décadas depois, Elis Regina ensaiou ali o espetáculo “Falso Brilhante”, divisor de águas em sua carreira nos anos 1970. De quebra, o espaço também foi ocupado pelo Teatro da Vertigem, conhecido por suas montagens imersivas em locais não convencionais.

Inaugurado em julho de 2025, o Formosa Hi-Fi resgata essa linhagem artística e a traduz em som. O ambiente combina lustres com luzes coloridas, iluminação intimista e um sistema de áudio de alta fidelidade que transforma o bar em sala de audição. Não é música ambiente: é experiência sonora. A inspiração japonesa aparece no respeito ao vinil, na escuta integral dos discos e na presença de DJs convidados que conduzem a noite.

O cardápio reforça o conceito ao ser apresentado dentro de capas de LPs (o meu veio em um álbum da Angélica). A cozinha é autoral, com referências brasileiras que dialogam com a proposta modernista original e tentam flertar com o que Mário teria imaginado como menu.

Meu prato favorito foi bolinho de baião de dois, que veio crocante e com um baita sabor. O canapé de rabada também merece menção, pois combina intensidade e delicadeza. Também arrisquei um pastel de angu com queijo brie que estava honesto.

Na coquetelaria, há releituras, como a do clássico Rabo de Galo, e criações próprias. O Macunaíma, com cachaça Famigerada Bruta, açúcar, limão e Fernet Branca, evoca diretamente o personagem de Mário de Andrade. Já o Trelelê mistura Famigerada Amendoim, pimenta de cheiro, mel, tucupi e cítricos, criando um perfil aromático e brasileiro.

Drinques e petiscos giram em torno de R$ 40, mas podem facilmente ultrapassar esse valor. Vá preparado para gastar, mas comer e beber bem, além de vivenciar uma experiência, de fato, criativa.

Serviço – Formosa Hi-Fi

  • Local: Galeria Formosa – acesso pela escadaria em frente ao Shopping Light, Centro, São Paulo
  • Horário: Terça a sábado, a partir das 19h

Bar dos Arcos

2 bares escondidos para visitar no Centro de São Paulo Bar dos Arcos | Divulgação

Inaugurado em 2018, o Bar dos Arcos ocupa o subsolo estrutural do Theatro Municipal, um dos cartões-postais mais emblemáticos da capital paulista. A inspiração declarada do bar remete ao filme O Iluminado, de Stanley Kubrick.

Balcões iluminados, corredores que se cruzam como um labirinto e arcos construídos há mais de 100 anos criam um ambiente cinematográfico. Os tijolos do subsolo foram assentados com técnicas antigas, que incluíam gordura de baleia, conchas esmigalhadas e areia das praias de Santos – detalhe histórico que reforça o caráter quase mítico do espaço.

Entre um corredor e outro, o clima é de mistério, mas sem susto. O próprio bar brinca com essa aura, sugerindo que é “bem-assombrado”. A iluminação dramática e o desenho labiríntico reforçam a sensação de estar atravessando um portal sob o palco do Municipal.

A carta de drinques combina autorais e clássicos reinterpretados. Dois deles me chamaram atenção. O Pauliceia, com cachaça Famigerada, xarope de azeitona preta e cítricos, tem coloração pink e uma leve salinidade. Já o Poroso mistura Johnnie Walker Black Label, mel, cítricos, lapsang souchong e espuma de queijo azul, criando um perfil defumado e intenso. É quase uma porção líquida de queijo.

Na cozinha, o menu equilibra opções que agradam tanto veganos quanto carnívoros. Provei a batata brava com ervas, bem executada, e a porção de porco com polenta e parmesão, que não passou de ok. O bolso dói: os valores médios de petiscos e drinques ficam entre R$ 40 e R$ 50. Mas o passeio compensa.

Serviço – Bar dos Arcos

  • Local: Subsolo do Theatro Municipal de São Paulo – acesso pelo corredor à direita da entrada principal, Praça Ramos de Azevedo
  • Horário: Terça a sábado, a partir das 18h
Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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