Teste genético para câncer de mama entra em debate no SUS
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A recente Consulta Pública nº 3/2026, conduzida pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), reacendeu o debate sobre a possível incorporação do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) no Sistema Único de Saúde (SUS) para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas ao risco hereditário de câncer de mama. O período de contribuições foi encerrado em 2 de fevereiro. O tema segue agora para análise técnica.
A proposta foi apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e envolve uma tecnologia já disponível na saúde suplementar, mas que ainda não é oferecida na rede pública. A eventual incorporação pode representar um avanço importante tanto no tratamento quanto na prevenção e no acompanhamento de mulheres com maior risco genético.
Conforme o ginecologista Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, o teste genético não é indicado de forma indiscriminada, mas é fundamental em situações específicas. “Parte dos cânceres de mama tem origem hereditária e tende a se repetir entre integrantes da mesma família. A identificação dessas mutações permite orientar condutas preventivas e definir estratégias de acompanhamento mais eficazes”, explica.
Quando o teste genético para câncer de mama é indicado
A pesquisa de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 costuma ser recomendada para mulheres que apresentam critérios clínicos e familiares de maior risco, como:
- diagnóstico de câncer de mama em idade jovem;
- histórico familiar relevante de câncer de mama ou de ovário;
- câncer de mama bilateral ou subtipo triplo-negativo;
- presença de câncer de ovário na família;
- familiares de primeiro grau com mutação genética já identificada.
“Nessas situações, o teste genético para câncer de mama não beneficia apenas a paciente, mas seus familiares, que podem receber orientações personalizadas de prevenção e rastreamento”, ressalta Rossi.
Impacto do NGS na prevenção e no acompanhamento
O Sequenciamento de Nova Geração permite a análise simultânea de milhões de fragmentos de DNA, identificando alterações genéticas associadas ao desenvolvimento de doenças. Em mulheres com mutações em BRCA1 ou BRCA2, o risco de câncer de mama pode chegar a 80%, enquanto o risco de câncer de ovário varia entre 20% e 40%.
A partir dessa identificação, é possível intensificar o rastreamento, estabelecer um seguimento mais próximo e, em casos selecionados, discutir medidas de redução de risco, como cirurgias preventivas, sempre com avaliação individualizada e decisão compartilhada.
Próximos passos
No relatório técnico divulgado, a Conitec apontou inicialmente a necessidade de aprofundar análises econômicas e de estruturar melhor a linha de cuidado no SUS antes de uma eventual incorporação. Para Rossi, o debate vai além da tecnologia. “Ampliar o acesso ao teste genético para câncer de mama significa oferecer mais informação, mais prevenção e mais autonomia às mulheres, especialmente àquelas que dependem exclusivamente do SUS”, conclui.


