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Brasil descobre reserva de água capaz de abastecer o mundo por 250 anos
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Brasil descobre reserva de água capaz de abastecer o mundo por 250 anos

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Anamaria
10/03/2026 23h30
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O Brasil oficializou a confirmação de uma descoberta que coloca o país em uma posição de destaque no cenário ambiental global. Trata-se do Sistema Aquífero Grande Amazônia, conhecido pela sigla SAGA, que é atualmente considerada a maior reserva de água doce de todo o planeta.

Localizado nas profundezas do solo amazônico, esse reservatório possui um volume estimado em 150 quatrilhões de litros de água, quantidade que seria capaz de atender às necessidades de consumo de toda a população mundial por cerca de 250 anos.

A dimensão dessa reserva é vasta, cobrindo uma área de 1,2 milhão de quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia da sua grandiosidade, o SAGA é quatro vezes superior ao famoso Aquífero Guarani, que se estende por oito estados brasileiros e três países vizinhos. Enquanto o Guarani possui cerca de 39 mil quilômetros cúbicos de água, o sistema amazônico alcança a marca de 162.520 quilômetros cúbicos, levando em conta profundidades de até 500 metros.

A história por trás da descoberta do SAGA

O mapeamento desse gigante subterrâneo teve um marco importante em 2013, a partir de estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, a UFPA. O geólogo do Instituto de Geociências da UFPA, Francisco de Assis Matos de Abreu, coordenava inicialmente pesquisas sobre o Aquífero Alter do Chão, em Santarém.

Durante o trabalho, Francisco percebeu que as camadas de rocha porosa que armazenavam a água eram muito mais extensas do que se imaginava, ultrapassando os limites do estado paraense.

O uso de dados de poços perfurados pela Petrobras, originalmente voltados para a busca de petróleo, foi fundamental para que a equipe de Francisco compreendesse a espessura real do sistema. A pesquisa revelou que o reservatório se estende desde os Andes, no Acre, até a Ilha de Marajó, no Pará. Diante dessa nova realidade geográfica que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó, o nome Alter do Chão tornou-se pequeno para a descoberta, dando lugar ao nome Sistema Aquífero Grande Amazônia.

Como a água do subsolo faz chover no resto do país

Diferente do que muitos podem pensar, o SAGA não é apenas uma reserva estática, ele é uma peça fundamental no ciclo de chuvas do Brasil. Estudos indicam que cerca de 80 por cento da água do ciclo hidrológico da região amazônica está guardada no subsolo, enquanto rios e atmosfera dividem os 20 por cento restantes. Esse oceano invisível alimenta os rios da superfície e sustenta a vegetação, que por sua vez devolve vapor para o ar.

As árvores da floresta funcionam como bombas naturais, retirando água das profundezas e lançando na atmosfera, o que cria os chamados rios voadores.

Essas correntes de umidade viajam milhares de quilômetros, sendo barradas pela Cordilheira dos Andes e redirecionadas para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Estima-se que a floresta entregue anualmente cerca de 700 trilhões de litros de chuva para a Bacia do Prata, garantindo a estabilidade das safras do agronegócio e o abastecimento de reservatórios importantes, como o de Itaipu.

Brasil descobre reserva de água. Foto: FreePik
Brasil descobre reserva de água. Foto: FreePik

A importância estratégica e os riscos de exploração

Embora a reserva seja gigantesca, especialistas ressaltam que o uso desses recursos exige cautela e governança rigorosa. Atualmente, o SAGA é pouco explorado, servindo principalmente para o abastecimento urbano de cidades como Manaus e Santarém. O transporte dessa água para regiões mais secas do país, como o Semiárido, ainda é considerado inviável por causa das enormes distâncias e dos custos de infraestrutura necessários.

O grande desafio para o futuro é proteger esse patrimônio da contaminação e de uma extração que possa desequilibrar o ciclo ambiental. Francisco reforça que as águas subterrâneas estão conectadas aos rios e à evapotranspiração da floresta, portanto, qualquer interferência desmedida pode afetar o clima de todo o continente.

O exemplo do Aquífero Guarani na região de Ribeirão Preto, onde a retirada de água supera a capacidade de recarga natural, serve como um lembrete da necessidade de preservação desse tesouro hídrico brasileiro em tempos de crise climática.

Resumo:

O Brasil confirmou a existência do SAGA, a maior reserva de água doce do mundo, sob a Amazônia, com 150 quatrilhões de litros. O sistema é vital para o regime de chuvas e para o agronegócio brasileiro, exigindo proteção contra a exploração predatória.

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Leia a matéria original aqui.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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