Trump quer classificar PCC e CV como grupos terroristas; o que muda?
Anamaria

A gestão do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, está finalizando as etapas necessárias para rotular o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas estrangeiras. Essa classificação segue os critérios da legislação norte-americana e marca um endurecimento no combate ao crime organizado que atua fora das fronteiras dos Estados Unidos.
A iniciativa é vista como uma das prioridades da política externa de Donald para o Hemisfério Ocidental, com foco direto na interrupção do tráfico internacional de entorpecentes. Nos últimos tempos, as autoridades americanas têm ampliado o uso de mecanismos legais e até militares para desmantelar redes de narcotráfico que operam em diversos países.
O caminho para a oficialização da medida
O processo administrativo para que a mudança ocorra passa por etapas bem definidas dentro do governo americano. O documento precisa ser assinado inicialmente por Marco Rubio, secretário de Estado, antes de ser enviado para o Congresso e, posteriormente, publicado no Registro Federal.
Informações que partem de fontes próximas ao governo indicam que a assinatura de Marco e a formalização do ato podem acontecer nos próximos dias. Após a publicação oficial, o prazo estimado para que as novas regras passem a valer e tenham efeito jurídico imediato é de aproximadamente duas semanas.
Consequências práticas no sistema financeiro
Ao serem incluídas na lista de grupos terroristas, as facções brasileiras passam a sofrer sanções severas. A principal delas é o congelamento automático de qualquer bem ou ativo financeiro que esteja em território americano e que seja vinculado a esses grupos ou aos seus integrantes. Isso inclui contas bancárias, investimentos e propriedades.
Além disso, a medida impede que essas organizações tenham qualquer tipo de acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos. Na prática, isso bloqueia a realização de transações internacionais que passem por bancos americanos, dificultando a movimentação de dinheiro proveniente de atividades ilícitas. Existe também uma discussão entre especialistas em direito sobre a possibilidade de ações militares, algo que Donald já indicou que poderia ser feito contra cartéis no México, embora não haja consenso se a regra se aplicaria a operações em outros países.
Lula é contra medida
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já demonstrou ser contrário à decisão tomada por Washington. De acordo com os representantes do governo de Luiz Inácio, o PCC e o CV são grupos criminosos que buscam lucro por meio de atos ilícitos, mas não possuem as características que definem o terrorismo, como objetivos políticos ou motivações ideológicas.
O chanceler Mauro Vieira foi comunicado sobre o progresso dessa medida nos Estados Unidos. A posição defendida por Mauro e pelas autoridades brasileiras é a de que o enfrentamento a esses grupos deve ser feito por meio da cooperação policial no combate ao crime comum, sem a necessidade da classificação de terrorismo estrangeiro.
Resumo:
O governo de Donald Trump planeja classificar as facções brasileiras PCC e CV como organizações terroristas, o que permite o congelamento de bens e restrições financeiras nos EUA. A medida enfrenta oposição do governo brasileiro, que define os grupos como criminosos comuns, sem motivação política.
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