Boate Kiss: Assistente da banda recebe autorização para regime aberto com tornozeleira
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Em uma decisão que marca mais um capítulo jurídico da tragédia que vitimou 242 pessoas no incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, a Justiça do Rio Grande do Sul concedeu, neste sábado, 31, a progressão para o regime aberto a Luciano Bonilha Leão. O assistente de palco da banda Gurizada Fandangueira, condenado por homicídio simples com dolo eventual, passará a cumprir sua pena fora da prisão, mediante o uso de tornozeleira eletrônica e o cumprimento de regras restritivas.
Luciano foi o responsável por adquirir e acionar o artefato pirotécnico que deu início ao fogo no teto da boate em 27 de janeiro de 2013. Ele havia sido condenado a 18 anos de prisão no histórico júri de 2021, sentença que foi mantida após idas e vindas processuais nos tribunais superiores. A progressão ocorre após o cumprimento dos requisitos de tempo e comportamento previstos na Lei de Execução Penal.
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Condições do monitoramento
A decisão judicial estabelece que Luciano deverá manter o equipamento de monitoramento eletrônico ativo 24 horas por dia e não poderá se ausentar de sua comarca de residência sem autorização prévia. Além disso, ele deve respeitar horários de recolhimento domiciliar noturno e em dias de folga, repercute o g1.
Diferente dos outros três condenados — os sócios da boate Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, e o músico Marcelo de Jesus dos Santos —, Luciano é o primeiro a atingir o marco legal para a saída do regime fechado nesta fase atual do processo.
Reações das famílias
A notícia da progressão de regime foi recebida com indignação por integrantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). Para muitos pais e sobreviventes, a sensação de impunidade prevalece diante da gravidade do crime e do número de mortos.
Durante o processo, Luciano Bonilha foi o réu que mais demonstrou reações emocionais em público. No início do julgamento em 2021, ele gritou diante das câmeras e dos familiares na entrada do tribunal: “Eu não sou assassino”. Naquela ocasião, ele também afirmou de forma enfática: “Eu tenho a consciência limpa que não sou assassino”.
A defesa de Luciano sempre sustentou que ele era um funcionário subalterno e que não possuía conhecimento técnico sobre a periculosidade do material utilizado. O advogado Jean Severo, que representa Bonilha, declarou anteriormente sobre a situação de seu cliente: “O Luciano é o elo mais fraco dessa corrente”.
Próximos passos judiciais
Enquanto Bonilha inicia o regime aberto, os demais condenados seguem em regime fechado, aguardando prazos para seus próprios pedidos de progressão. O caso da Boate Kiss permanece como um dos processos criminais mais complexos da história brasileira, tendo passado por anulações de julgamento e decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Justiça informou que o acompanhamento do uso da tornozeleira será rigoroso e que qualquer violação das regras pode resultar na regressão imediata de Luciano para o regime semiaberto ou fechado.


