Como um pacote de salgadinhos afetou o ecossistema de caverna nos EUA

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No ano passado, a divulgação de um incidente nas Cavernas de Carlsbad, no Novo México, chamou atenção para a fragilidade dos ecossistemas subterrâneos, desencadeado pelo abandono de um pacote de Cheetos. Relembre o episódio!
O ato resultou no surgimento de mofo nas formações rochosas e no solo da caverna, evidenciando um problema maior relacionado ao lixo deixado por turistas em parques nacionais dos Estados Unidos.
A embalagem de snacks, deixada possivelmente por apenas algumas horas, provocou uma série de reações no ambiente úmido das cavernas.
Impacto ambiental
Grilos, ácaros e aranhas foram atraídos pela comida, contribuindo para a disseminação da contaminação. Especialistas foram rapidamente acionados e realizaram a limpeza da área conhecida como Big Room em apenas 20 minutos, utilizando escovas de dente para remover o mofo que havia proliferado.
Em uma postagem nas redes sociais, o parque ressaltou o impacto significativo que este incidente teve sobre o ecossistema local. O milho processado do pacote, exposto à umidade característica da caverna, criou condições propícias para o desenvolvimento de vida microbiana e fungos.
A Big Room é a maior câmara de caverna da América do Norte, oferecendo aos visitantes uma trilha de 2 km que pode ser percorrida em aproximadamente 1,5 horas. Para aqueles que buscam uma experiência mais breve, um atalho reduz a caminhada para 1 km.
Toneladas de lixo
Esse incidente é um reflexo de um problema mais amplo enfrentado pelos parques nacionais dos EUA, onde se estima que os visitantes gerem cerca de 70 milhões de toneladas de lixo anualmente.
A maioria desse resíduo acaba em lixeiras ou recipientes de reciclagem. Em resposta a situações como essa, as Cavernas de Carlsbad implementaram medidas rigorosas, incluindo a proibição do consumo de alimentos fora das áreas designadas e campanhas regulares de limpeza.
O professor Robert Melnick, da Universidade de Oregon, destacou ao Deutsche Welle a importância de equilibrar o acesso público com a proteção desses ecossistemas vulneráveis. Ele comentou sobre as dificuldades em manter esse equilíbrio e enfatizou a necessidade contínua de conscientização entre os visitantes sobre a sensibilidade do ambiente subterrâneo.
A microbiologista Diana Northup, também ao Deutsche Welle, comentou sobre o impacto da atividade humana nas cavernas. Ela observou que a presença diária de até 2 mil visitantes resulta na introdução constante de micróbios externos.
Entretanto, JD Tanner, diretor educacional da organização Leave No Trace, alertou para a desconexão entre conscientização e responsabilidade pessoal entre os visitantes. Apesar da compreensão geral sobre a importância de preservar ambientes naturais, muitas vezes essa consciência não se traduz em ações concretas para evitar danos.


