'Doze Girassóis numa Jarra': 5 curiosidades sobre a delicada obra de Van Gogh
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Um dos maiores pintores que já existiu, o neerlandês Vincent Willem van Gogh hoje é considerada uma das figuras mais famosas e influentes da História da Arte ocidental, tendo criado, ao longo de seus breves 37 anos de vida, mais de mil obras. No entanto, o reconhecimento não vem da grande quantidade de trabalhos, mas sim da sensibilidade e intensidade que eles carregam.
Por mais que hoje seja uma figura extremamente conhecida, van Gogh morreu — em 29 de julho de 1890 — praticamente desconhecido como artista. Ao longo de sua vida, chegou a vender algumas pinturas, mas seu verdadeiro reconhecimento só viria anos depois de sua morte, graças à cunhada Johanna, esposa de seu irmão, Theo.
Entre as pinturas de van Gogh, percebe-se uma grande ocorrência de alguns temas em comum, incluindo paisagens, elementos da natureza, retratos, autorretratos, café... E para além de 'A Noite Estrelada', seu quadro mais famoso, ele ficou amplamente reconhecido por seus trabalhos com natureza morta — em grande parte, jarros com flores.
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Uma obra que com certeza merece destaque é a 'Doze Girassóis numa Jarra', um dos vários trabalhos retratando, bem, girassóis em uma jarra. A flor praticamente se tornou um símbolo associado ao neerlandês, que produziu uma série de cenas semelhantes. Confira a seguir 5 curiosidades sobre esta curiosa e delicada pintura de Vincent van Gogh:
1. Pintor de girassóis
Na mesma época em que van Gogh estava em atividade, era comum a vários pintores o costume de montar naturezas mortas utilizando flores, para retratarem em suas obras. Porém, o neerlandês teve ideias um pouco diferentes da maioria: enquanto os demais consideravam os girassóis flores grosseiras e pouco refinadas para as pinturas, esses atributos eram justamente o que chamava atenção de Vincent.
Van Gogh reconhecia que suas obras de girassóis eram especiais, e de fato, mesmo que aquelas não fossem as mais belas ou delicadas flores existentes, elas se tornaram um importante símbolo associado a ele. Inclusive, segundo o site do Museu Van Gogh, vários de seus amigos levaram girassóis para seu funeral, um triste momento lindamente florido pela memória do artista.
2. Cinco versões
As várias pinturas de girassóis feitas por van Gogh são hoje conhecidas por todo o mundo, mas nem todos sabem que 'Doze Girassóis numa Jarra' se trata, na verdade, de uma versão entre cinco da mesma cena.
Constantemente referenciadas de maneira simples como "os girassóis de van Gogh", algumas das várias versões podem ser encontradas em museus de diferentes partes do mundo, quando não componentes de acervos privados ou perdidas em guerras.
3. Experimentos rentáveis
Curiosamente, por mais que os retratos de natureza morta de van Gogh tenham ficado bastante populares, esses trabalhos começaram com a simples ideia de experimentar cores. Porém, os quadros também venderam bem na época, e por isso ele continuou a produzí-las.
O interesse pelo uso de mais cores em seus trabalhos começou logo depois que o artista visitou Paris, na França — berço de grandes nomes da época —, onde conheceu as coloridas obras dos impressionistas. Seus primeiros quadros de natureza morta, no caso, ainda contavam com cores tradicionais, e por isso se faz ainda mais interessante observar a evolução de van Gogh e seu uso de cores ao longo da carreira.
4. Paul Gauguin
Quase tão importante para a História da Arte quanto Johanna, que popularizou o nome de van Gogh, foi o pintor pós-impressionista francês Paul Gauguin. Isso porque foi ele um dos primeiros a se ver impressionado com as naturezas mortas do neerlandês, elogiando-o, o que fez Vincent sentir-se muito honrado e continuar com os trabalhos.
Outro detalhe curioso é que, pouco depois do encontro, van Gogh mudou-se para o sul da França, onde queria estabelecer uma comunidade de artistas, onde pudessem viver, trabalhar, inspirar e ser inspirados por outrem. Inclusive, quando soube que Gauguin colaboraria com o projeto, o neerlandês pintou vários quadros de girassóis para decorar o quarto de hóspedes.
5. Gratidão
Vincent van Gogh teve, certa vez, uma ideia curiosa para duas versões de seus 'Girassóis': uní-las a uma outra obra, 'La Berceuse' — uma homenagem carinhosa à sua mãe, Anna Carbentus —, de maneira que juntas formariam um tríptico (um conjunto de três pinturas unidas por uma única moldura, com um significado próprio quando completo). No caso, o artista considerava esse formato como um símbolo de gratidão.
Um elemento pelo qual van Gogh era bastante conhecido era o contraste nas cores de suas obras, e neste tríptico não seria diferente: os dois quadros de girassóis, que ficariam nas extremidades, seriam os 'painéis amarelos' que intensificariam o azul do quadro central.