Pai prova homicídio e STJ condena escola a R$ 1 mi por morte de aluna
Aventuras Na História
A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, condenar a escola Waldorf Rudolf Steiner a pagar R$ 1 milhão por danos morais. A indenização será destinada ao engenheiro João Carlos Natalini, pai da adolescente Victoria Mafra Natalini.
A jovem morreu aos 17 anos durante uma atividade escolar obrigatória, realizada em Itatiba, no interior paulista. O caso ocorreu em setembro de 2015, quando a jovem desapareceu na Fazenda Pereiras após avisar que iria ao banheiro.
No dia seguinte, o corpo de Victoria foi encontrado sem sinais visíveis de violência. Inicialmente, a polícia e o primeiro laudo do IML trataram a fatalidade como morte natural por mal súbito.
Investigação particular e reviravolta
Porém, de acordo com informações da Folha de S.Paulo, inconformado com a tese oficial, João iniciou uma investigação paralela e contratou peritos independentes.
A família questionou a versão inicial, pois a estudante foi achada a 1.200 metros da sede, na direção oposta ao trajeto do banheiro. Além disso, a posição do corpo não condizia com os reflexos de um mal-estar repentino.
Foi então que a pressão de João resultou na transferência do inquérito para o DHPP em São Paulo. Em 2016, um novo laudo necroscópico transformou o caso definitivamente. O documento apontou que a morte de Victoria ocorreu por asfixia mecânica, configurando um homicídio por sufocação direta.
Negligência da escola confirmada
No âmbito cível, a recente decisão do STJ reverteu o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia diminuído o valor para R$ 400 mil.
A sentença do tribunal superior confirmou a negligência cabal da instituição de ensino. Conforme Natalini, ficou provado que faltava estrutura e comunicação adequada na excursão.
Além disso, a Justiça destacou que os educadores permaneceram na sede da fazenda enquanto os alunos mapeavam a área sozinhos. O que resultou na demora de horas para notar o desaparecimento da jovem.
Assim como atitudes descabidas que foram tomadas, como orientar os próprios adolescentes a procurar a colega na mata, correndo riscos desnecessários.
Busca pelo autor do crime
Apesar da vitória indenizatória com caráter pedagógico, João Carlos afirma que a batalha está longe do fim. Atualmente, a investigação criminal se divide na responsabilização dos gestores por abandono de incapaz e na identificação do assassino.
O inquérito sobre o autor do homicídio chegou a ser arquivado, mas foi reaberto em junho de 2025. Hoje, o pai acompanha as diligências finais no DHPP, mantendo a esperança de que a polícia aponte os suspeitos em breve.
Em nota oficial dada à BBC News Brasil, a escola lamentou profundamente a morte da aluna e destacou que colabora com as autoridades. Enquanto isso, João lidera campanhas públicas por justiça, sonhando com o dia em que finalmente terá paz.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli
