Trump diz que não pedirá desculpas por vídeo racista com Barack e Michelle Obama
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 6, que não pretende se desculpar pela publicação de um vídeo de teor racista em suas redes sociais, no qual o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama aparecem retratados como macacos. Segundo Trump, ele não cometeu erro ao compartilhar o conteúdo, que acabou sendo apagado após cerca de 12 horas no ar.
Questionado por jornalistas a bordo do Air Force One, Trump disse que não havia assistido ao vídeo na íntegra antes de autorizá-lo para publicação. “Só vi a primeira parte, que falava sobre fraude eleitoral… e não o vi completo”, afirmou. O presidente explicou que encaminhou o material para sua equipe, que também não teria analisado o conteúdo por completo. “Geralmente elas [da equipe] olham tudo, mas acho que alguém não olhou”, declarou.
Repercussão
Inicialmente, a Casa Branca tentou minimizar o episódio. A porta-voz do governo, Karoline Leavitt, classificou as reações como exageradas e criticou a cobertura da imprensa. “Isso é um trecho de um vídeo publicado na internet que mostra o presidente Trump como rei da selva e os democratas como personagens do ‘Rei Leão’. Parem com essa indignação falsa e relatem algo que realmente importe ao público americano hoje”, declarou em comunicado enviado à AFP na sexta-feira.
Diante da repercussão negativa e da indignação pública, o discurso oficial foi ajustado, conforme repercute o UOL. Um alto funcionário do Executivo informou à AFP que a publicação teria ocorrido de forma acidental. “Um funcionário da Casa Branca publicou esse conteúdo por engano. Ele foi apagado”, afirmou, sem fornecer mais detalhes sobre a administração da conta pessoal de Trump na rede Truth Social.
A publicação foi feita duas vezes na Truth Social e, poucas horas após ser divulgada, já havia recebido milhares de curtidas e sido compartilhada por quase duas mil contas. A reação entre líderes democratas foi imediata. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, possível candidato à presidência em 2028, criticou duramente o episódio. “Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora”, escreveu a conta do gabinete de imprensa de Newsom na rede social X.
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também se manifestou contra o vídeo. “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história”, escreveu.
“Inimigos” de Trump
Barack Obama, que governou os Estados Unidos por dois mandatos, apoiou a democrata Kamala Harris na eleição presidencial de 2024, vencida por Trump. O atual presidente tem recorrido com frequência a publicações provocativas em suas redes para mobilizar sua base conservadora, estratégia que se intensificou durante seu segundo mandato.