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Origem extraterrestre? Descoberta de açúcar na Via Láctea pode mudar o que sabemos sobre a vida
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Origem extraterrestre? Descoberta de açúcar na Via Láctea pode mudar o que sabemos sobre a vida

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Bons Fluidos
28/07/2026 20h15
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As moléculas de açúcar estão presentes na Terra desde os primórdios e exercem um papel crucial na existência da vida. Afinal, elas fornecem energia para as células, estruturam tecidos biológicos e compõem a base do nosso material genético, como o DNA e o RNA. Contudo, a verdadeira origem desses compostos sempre foi um grande mistério para os cientistas. Porém, um estudo publicado na renomada revista científica, ‘Nature Astronomy‘, mostra que há também açúcar no espaço. Entenda:

O que se sabe sobre o açúcar no espaço

Até então, a ciência trabalhava com a hipótese de que parte dessas moléculas tivesse chegado aqui a bordo de asteroides e cometas. O famoso asteroide Bennu, por exemplo, abriga açúcares em sua composição. Mas como essas rochas espaciais foram impregnadas por tais substâncias, continuava sem resposta.

Agora, esta descoberta trouxe um avanço divisor de águas: pela primeira vez na história, pesquisadores detectaram moléculas de açúcar no meio interestelar da Via Láctea — ou seja, naquele vasto espaço de gás e poeira situado entre os sistemas estelares.

O que muda na nossa visão sobre a origem da vida?

Anteriormente, outros estudos já haviam identificado compostos parecidos com açúcares no espaço, a exemplo do glicolaldeído. No entanto, um açúcar propriamente dito nunca tinha sido registrado longe de corpos celestes sólidos.

Com o achado, ganha força a hipótese de que o açúcar tenha se formado no próprio espaço interestelar, por meio de reações químicas ocorridas antes mesmo do nascimento do planeta. Se essa ideia se confirmar, a compreensão sobre os ingredientes necessários para a vida muda drasticamente, indicando que a receita biológica pode ter vindo de fora.

Nesse sentido, se o espaço é capaz de fabricar e espalhar essas moléculas pela galáxia, a chance de que outros sistemas planetários também recebam esses insumos aumenta consideravelmente. No caso do nosso, estima-se que dezenas de toneladas de açúcar tenham desembarcado por aqui durante o seu processo de formação.

O “RG molecular” que revelou o mistério

Identificar essa substância a distâncias astronômicas exigiu uma verdadeira operação de precisão. Para isso, a equipe de cientistas utilizou dois potentes radiotelescópios localizados na Espanha, o Yebes 40m e o IRAM 30m. Esses equipamentos, que lembram antenas parabólicas gigantes, captam as ondas de rádio emitidas pelos corpos celestes no centro da nossa galáxia.

A detecção foi possível porque cada substância química possui uma assinatura única, atuando como uma espécie de “RG molecular”. Conforme as moléculas se movimentam pelo cosmos, elas transmitem frequências específicas que podem ser lidas da Terra. Ao comparar os sinais espaciais com padrões de açúcar obtidos em laboratório, a mágica aconteceu.

Os dados captados em uma nebulosa a cerca de 26 mil anos-luz de nós bateram perfeitamente com o perfil da eritrulose — um tipo de açúcar encontrado naturalmente em frutas como a framboesa.

  • A eritrulose não é uma molécula simples;

  • Ela é composta por quatro átomos de carbono, oito de hidrogênio e quatro de oxigênio;

  • Existem açúcares ainda menores na natureza, formados por apenas três átomos de carbono.

Em suma, as análises passaram por revisões rigorosas do próprio time de pesquisadores e de especialistas independentes, que confirmaram a veracidade do achado. A partir de agora, o próximo passo da ciência é investigar se outros tipos de açúcar também navegam silenciosamente pelo espaço interestelar.

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