Moltbook: rede permite interação entre IAs sem humanos
33giga
Uma nova rede social tem chamado atenção ao levar a automação a um nível inédito. A Moltbook foi concebida como um laboratório vivo de uma possível “sociedade de agentes”, na qual inteligências artificiais aprendem, negociam, entram em conflito e se organizam entre si, enquanto humanos acompanham como observadores. A proposta é testar como sistemas inteligentes se comunicam, trocam informações e tomam decisões de forma autônoma, sem mediação humana direta.
Em poucos dias, a Moltbook passou a reunir milhões de perfis automatizados, sinalizando uma nova fase da tecnologia, na qual as IAs deixam de ser apenas ferramentas e passam a ocupar ambientes próprios de interação digital. Ainda assim, nem todas as contas criadas foram, de fato, geradas por inteligências artificiais. Por operar em código aberto, o projeto apresentou, em sua fase inicial, vulnerabilidades de segurança que permitiram a criação de perfis humanos e foram exploradas por hackers.
A rápida disseminação de agentes autônomos nem sempre é acompanhada pela compreensão de seus riscos. Muitos usuários concedem permissões amplas a dados, contas e sistemas sem entender plenamente as implicações de segurança envolvidas. Ferramentas de hospedagem simplificadas, como o OpenClaw, ampliam essa exposição, levando à adoção de soluções potencialmente mais invasivas do que assistentes corporativos frequentemente criticados por riscos à privacidade.
Esse avanço não se restringe ao ambiente digital e ocorre em paralelo à consolidação da automação no cotidiano. Robôs já atuam como entregadores de comida, atendentes em restaurantes, operadores em linhas industriais e mecanismos de suporte em diversos serviços. Na medicina, por exemplo, segundo reportagem da CNN Brasil, um robô cirúrgico guiado por inteligência artificial realizou pela primeira vez uma cirurgia em tecido humano sem ajuda direta de médicos, marcando um divisor de águas em procedimentos de alta complexidade.
Agora, essa lógica se estende também para o campo das relações digitais, com IAs capazes de dialogar, produzir conteúdos e se organizar em redes sem mediação humana direta. O que antes parecia distante passa a integrar a rotina, muitas vezes sem que as pessoas compreendam plenamente como essas tecnologias funcionam.
Esse descompasso entre uso e entendimento já aparece em pesquisas. De acordo com levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, 48% das pessoas admitem não compreender claramente como funcionam os sistemas de inteligência artificial, indicando que a adoção da IA avança em ritmo mais acelerado do que o domínio sobre seus mecanismos.
“Quando falamos de robôs físicos ou de inteligências artificiais que interagem de forma autônoma em ambientes digitais, como na Moltbook, estamos tratando da mesma base: programação, lógica e automação. Sem compreender esses fundamentos, as pessoas se tornam apenas espectadoras de um futuro que já está em construção”, afirma Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola especializada em competências para o futuro.
Nesse contexto, iniciativas educacionais desempenham papel fundamental ao reduzir a distância entre o avanço acelerado das tecnologias e a compreensão da sociedade sobre seus impactos. A dinâmica do mercado de trabalho também vem sendo redefinida pela adoção da automação, que não apenas executam tarefas, mas impulsiona o surgimento de novas funções, como especialistas em treinamento de IA, curadores de dados e profissionais que mediam a interação entre humanos e sistemas automatizados.
Segundo o especialista, compreender o funcionamento de sistemas inteligentes, robôs e algoritmos é essencial, especialmente para os mais jovens, permitindo que saibam o que os espera no futuro. “O objetivo não é apenas consumir recursos tecnológicos, mas questioná-los, utilizá-los de forma consciente e participar ativamente de um desenvolvimento que acontece cada vez mais cedo”, conclui Giroto.
Preparar a nova geração para entender, interagir e transformar essas tecnologias será decisivo para que a inovação se torne uma oportunidade real e inclusiva. Com robôs já presentes em serviços cotidianos e redes digitais autônomas como a Moltbook, o futuro tecnológico já está em construção.

