Estudo aponta: herpes humana surgiu há pelo menos 2,5 mil anos
Aventuras Na História

Cientistas conseguiram reconstruir, pela primeira vez, genomas antigos do herpesvírus humano (Betaherpesvirinae 6A e 6B) a partir de vestígios arqueológicos datados de mais de dois mil anos atrás. A pesquisa examinou cerca de 4 mil amostras de esqueletos humanos provenientes de sítios arqueológicos distribuídos por diferentes regiões da Europa.
Ao todo, foram identificados e reconstruídos 11 genomas virais, sendo o mais antigo pertencente a uma jovem da Idade do Ferro, na Itália (1100–600 a.C.). Os dois tipos de herpesvírus humano (HHV-6A e HHV-6B) apareceram em amostras da Inglaterra, Bélgica e Estônia medievais, enquanto o HHV-6B também foi detectado em vestígios da Itália e da Rússia do início do mesmo período histórico.
De acordo com o portal Galileu, o estudo, publicado na revista Science Advances, foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Viena (Áustria) e da Universidade de Tartu (Estônia), em colaboração com a Universidade de Cambridge e o University College London, ambas no Reino Unido.
O que aponta a pesquisa
Segundo a líder do estudo, Meriam Guellil, embora cerca de 90% da população mundial seja infectada pelo HHV-6 em algum momento da vida, apenas aproximadamente 1% carrega o vírus integrado ao DNA em todas as células do corpo — condição herdada dos pais. Esses casos raros têm maior probabilidade de serem detectados em análises de DNA antigo, o que torna a identificação das sequências virais especialmente desafiadora. Com base nos dados obtidos, agora é possível rastrear a evolução desses vírus ao longo de mais de 2,5 mil anos na Europa, desde os séculos 8 – 6 a.C. até os dias atuais.
Os genomas recuperados também permitiram identificar os pontos exatos de integração viral nos cromossomos humanos. Comparações com dados genéticos contemporâneos indicam que algumas dessas integrações ocorreram há milhares de anos e foram transmitidas por gerações. Os resultados mostram ainda que os vírus seguiram trajetórias evolutivas distintas ao longo do tempo. A pesquisa sugere, por exemplo, que o HHV-6A pode ter perdido a capacidade de se integrar ao DNA humano.
De acordo com Guellil, estudos genéticos modernos já indicavam que o HHV-6 poderia estar evoluindo em conjunto com os humanos desde a migração para fora da África. Agora, os genomas antigos oferecem a primeira evidência direta de sua presença no passado profundo da humanidade.

